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A comercialização da infância

Por Camila Araújo e Camila Leão (Fonte: RedeNutri).

consuming-kids-imageDocumentário mostra a relação das estratégias de marketing para crianças e o precoce consumismo desenfreado no público infantil.

O documentário CONSUMING KIDS – The commercialization of childhood (Consumo de Crianças – A comercialização da infância), produzido nos Estados Unidos em 2008 com direção de Adriana Barbaroe Jeremy Earp, mostra a influência negativa do marketing na infância.

O documentário, de aproximadamente 1 hora, mostra em detalhes a relação das estratégias de marketing para crianças e o precoce consumismo desenfreado no público infantil.

Já está comprovado que a publicidade infantil influencia negativamente o padrão de consumo de crianças e adolescentes, e o que o documentário retrata é uma realidade assustadora do assédio das empresas de marketing às crianças.

O estímulo ao consumismo, demonstrado pelo documentário, cria uma geração de pessoas com valores deturpados e com problemas graves de saúde, tanto físicos quanto mentais.

Confira abaixo:

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Um manifesto pela regulação da publicidade de alimentos!

Por Camila Araújo e Mariane Bandeira.

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Estamos vivendo um momento único na nossa história. Há muito tempo, não vemos os brasileiros tão unidos e saindo para as ruas indignados com a triste realidade do País. A saúde está precária, os meios de transporte público não funcionam como deveriam e se mostram insuficientes para a demanda, faltam investimentos na educação, fora a questão da corrupção, desvio de verbas, impunidade, altos impostos e diversos outros problemas que assolam a Nação. E para engrossar o caldo, os elevados gastos com a Copa do Mundo para a construção de faraônicos estádios de futebol juntamente com o aumento das passagens de ônibus em São Paulo foram a gota d’água! São tantas coisas para reclamar e reivindicar, a população está tão saturada e revoltada que todos estão levantando bandeiras por suas causas.

E aproveitando esse clima de mudanças e protestos, o PropagaNUT também quer manifestar sua causa. Estamos cansados, revoltados e indignados com tantos abusos cometidos pela indústria e marketing de alimentos industrializados, principalmente aqueles direcionados ao público infantil! A epidemia de obesidade é real e global, e mais de 90% dos alimentos promovidos pela publicidade são ricos em açúcar, gordura e sódio. Dados do Ministério da Saúde revelam que 30% das crianças brasileiras estão com sobrepeso e obesidade e 7 em cada 10 crianças continuam obesas na fase adulta. Recentemente, foi publicada uma pesquisa sobre o impacto da obesidade no Sistema Único de Saúde (SUS) em que são gastos anualmente 488 milhões de reais com tratamentos de doenças associadas a esse quadro.

REGULAÇÃO DA PUBLICIDADE DE ALIMENTOS JÁ!

Para mais informações, acesse:

Frente pela regulação da publicidade de alimentos.

Campaign for a Commercial Free Childhood.

Instituto Alana.

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Infância e Consumo – Entrevista com Susan Linn

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Susan Linn é psicóloga, escritora, produtora, cofundadora e diretora da Campaign for a Commercial Free Childhood (Campanha por uma Infância Sem Comerciais), além de ser instrutora em Psiquiatria na Harvard Medical School. Já escreveu extensivamente sobre  o efeito da mídia e do Marketing nas crianças, inclusive o livro Consuminhg Kids(Crianças do consumo), o qual recebeu boas críticas de publicações como The Wall Street Jornal e Mother Jones.

Dentro da Campanha por uma Infância Livre de Comerciais, surgiu a proposta chamada: “Screen Free week”(http://www.screenfree.org/) – que tem como objetivo incentivar as crianças a ficarem uma semana desconectadas de qualquer aparelho eletrônico, estimulando a vivência com a família, amigos e a natureza – uma semana totalmente “desligado”. Neste ano, a celebração aconteceu na semana de 29 de abril à 05 de maio e algumas iniciativas no Brasil apoiaram esta causa.

Com exclusividade para a rede Ideias na Mesa, Susan Linn participa desta entrevista sobre a propaganda de alimentos direcionada para o público infantil. Confira:

1) Você mencionou no Seminário Internacional Infância e Comunicação, ocorrido em março em Brasília, que existe uma diferença entre as crianças serem expostas à publicidade nessa geração em comparação às gerações anteriores, assim como o tipo de publicidade utilizada. Qual é a diferença?

Resposta: A publicidade que as crianças experimentam nos dias de hoje não pode ser comparada com a publicidade experimentada pelas gerações anteriores. Fazendo uma retrospectiva, em 1983, empresas americanas gastaram 100 milhões de dólares anuais em propagandas direcionadas para as crianças, e atualmente essas empresas estão gastando 17 bilhões de dólares. É um grande aumento, e isso apenas nos EUA. Antes, a influência das crianças no gasto total de dinheiro era por volta dos bilhões, hoje, já está na casa dos trilhões. Somando-se a isso, ainda temos o desenvolvimento tecnológico das mídias, como por exemplo, ostablets e ipads, que promovem maior contato das crianças com a publicidade existente e divulgada nesses veículos. Então, o que temos é um marketing infantil bastante abrangente e não regulamentado o suficiente para proteger as crianças.

2) O que isso implica na saúde e no desenvolvimento dessas crianças?

Resposta: O marketing infantil afeta negativamente o desenvolvimento social e a saúde das crianças ao redor do mundo, nos dias de hoje. É um dos fatores que colabora para o aumento da obesidade, surgimento de distúrbios alimentares, sexualidade precoce e sexualização de meninas, violência entre os mais jovens, estresse familiar e a materialização de valores e de princípios, ou seja, a crença de que o consumo de determinado produto irá trazer felicidade. Além disso, prejudica as brincadeiras criativas, que são essenciais para o desenvolvimento cognitivo da criança, para promover a solução de problemas, a habilidade de autocontrole e iniciativas de novos projetos. Tudo isso é possibilitado com as brincadeiras criativas, e as propagandas e o marketing prejudicam esse processo. Eu sei que há várias discussões em torno da obesidade infantil ao redor do mundo, e essa questão é muito importante, mas não se trata apenas de publicidade de alimentos.

3) Qual é o papel das novas mídias e da indústria de alimentos nos hábitos alimentares das crianças?

Resposta: As indústrias de alimentos estão tendo mais acesso às crianças por meios dos websites promovidos pelas marcas. E essas companhias gostam muito desse tipo de publicidade, pois duram bem mais do que os quinze segundos de propaganda. Logo, é ainda mais poderoso e eficaz. Não sei se vocês já brincaram nesses sites, mas uma vez eu pude experimentar o de uma marca conhecida de chocolates, e, no final, eu estava morrendo de vontade de comer chocolate! É impressionante o poder exercido por eles!

4) Qual é o papel dos pais em relação à superexposição das crianças às propagandas?

Respostas: É muito difícil para os pais lutarem contra companhias que possuem milhões e milhões de dólares, que trabalham com auxílio de psicólogos e antropólogos na elaboração de métodos efetivos para alcançarem às crianças. Nós precisamos educar os pais, mas isso não é suficiente, nós precisamos de uma sociedade e de um mundo que colaborem para a criação das crianças, e não que prejudiquem esse processo. Nós precisamos educar os pais e, particularmente, nós precisamos de educação para lidar com as novas mídias. Pesquisas mostram que muito tempo diante da TV é prejudicial à saúde da criança. Nós precisamos ajudar os pais a realizarem outras atividades com seus filhos, que não seja apenas a de assistir TV. Mas isso também não é o bastante. É preciso regulamentar a publicidade infantil. Os pais precisam sim dizer não à seus filhos, mas eles também precisam de ajuda governamental, pois não é uma luta justa. É uma luta contra empresas que gastam 17 bilhões de dólares anuais em investimentos para promover a marketing infantil.

5) Você acredita que é possível educar as crianças de modo que elas não sejam influenciadas pela publicidade?

Resposta: Todos nós somos vulneráveis à propagandas. Mas as crianças são ainda mais vulneráveis, pois o seu cérebro está em processo de desenvolvimento e elas não possuem o mesmo senso crítico dos adultos. Pesquisas mostram que crianças muito pequenas não diferenciam a publicidade dos programas de TV. Então, quando as empresas utilizam personagens para fazer publicidade, a criança não entende que aquilo é um produto, ela encara o produto como parte do personagem. Além disso, as crianças menores de 8 anos não conseguem discernir o caráter persuasivo da publicidade. Elas simplesmente não entendem a intenção de venda do marketing. Porém, nós precisamos conversar com as crianças a respeito das propagandas. É importante manter esse tipo de diálogo com elas, mas nós não podemos esperar que crianças conseguirão resistir ao apelo do marketing da mesma forma que nós adultos, uma vez que são elaborados por profissionais competentes permeados de pesquisas e dinheiro. Eu possuo muito conhecimento sobre marketing, e mesmo assim sou vulnerável à ele!

6) O que o governo pode fazer em relação à propaganda de alimentos direcionados para as crianças?

Resposta: A publicidade infantil deveria ser proibida. Não há nenhuma justificativa moral, ética ou social para isso. As crianças têm o direito de crescer e os pais têm o direito de criar seus filhos sem que sua saúde e desenvolvimento sejam comprometidos por causa de interesses financeiros. Se as companhias estão dizendo que os pais são os responsáveis, então porque elas não direcionam seu marketing para os pais? As companhias estão agindo de uma maneira dúbia: os pais são os responsáveis, mas elas utilizam ajuda de psicólogos para conseguir driblar o controle dos pais.

Fonte: Ideias na Mesa

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Seminário Internacional Infância e Comunicação – Direitos, Democracia e Desenvolvimento

No começo do mês de março, dias 6, 7 e 8, aconteceu em Brasília o Seminário Internacional Infância e Comunicação – Direitos, Democracia e Desenvolvimento, promovido pela ANDI.

seminário internacional

Durante esses três dias, representantes de diversas partes do mundo (Europa, Américas, África e Oceania) trouxeram a tona questões que giraram em torno do acesso e da regulamentação dos meios de comunicação em prol da infância. A mídia avançou muito em pouquíssimo tempo, e o acesso a informação é algo fundamental para todos nós, porém as crianças precisam ser protegidas. O objetivo foi promover discussões e debates à respeito desse tema, trazer exemplos de outros países e traçar metas e planos sobre o que precisa ser feito e aprimorado no Brasil.

Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo.

Esse evento contou com a presença do Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que fez a abertura das atividades. Em seu discurso, o ministro manifestou clara preocupação em regulamentar os canais de comunicação. E o Secretário Nacional de Justiça, Paulo Abrão, ratificou o interesse do Ministério da Justiça na luta pela infância. A defesa da liberdade de expressão e a defesa de direitos, não só de crianças e adolescentes, mas de grupamentos humanos em geral, não se contradizem entre si. Quando há choque no exercício desses direitos, é necessário estabelecer limites para ambos, que, inclusive estão apoiados pela Constituição Federal.

A Classificação Indicativa foi um tema bastante abordado durante o segundo dia de Seminário. Paulo Abrão discursou sobre o que tem sido feito em relação a classificação e monitoramento dos programas televisivos pelo Ministério da Justiça. Ele salientou que a realidade das famílias brasileiras não permite, muitas vezes, que os pais fiscalizem o que seus filhos estão assistindo, e que é papel do Estado sim intervir nesse processo por meio da Classificação Indicativa. E foi mais longe nessa questão ao ressaltar a necessidade de regulamentação da mídia.

Susan Linn

O evento contou também com a presença de Susan Linn, professora de psiquiatria na Escola Médica de Harvard, em Boston, e autora do livro Crianças do consumo: a infância roubada. Em sua palestra, Susan ressaltou a extrema importância da proibição da publicidade direcionada ao público infantil: “A publiciade infantil deveria ser proibida. Não há nenhuma justificativa moral, ética ou social para isso. O marketing infantil afeta negativamente o desenvolvimento social e a saúde das crianças ao redor do mundo, nos dias de hoje. É um dos fatores que colabora para o aumento da obesidade, surgimento de distúrbios alimentares, sexualidade precoce e sexualização de meninas, violência entre os mais jovens, estresse familiar e a materialização de valores e de princípios, ou seja, a crença de que o consumo de determinado produto irá trazer felicidade”.

Foram debates riquíssimos que precisam ser promovidos e divulgados pela sociedade e, sem dúvida, não ficar apenas em palavras, mas produzirem frutos que trarão benefícios para todos, principalmente para as crianças.

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Susan Linn – “Por que deveríamos sujeitar as crianças à publicidade que diz a elas para comerem coisas que não são boas?!”

Em entrevista concedida durante um bate-papo no Instituto Alana, em 11 de março de 2013, Susan Linn falou sobre os impactos do marketing de alimentos e brinquedos direcionado ao público infantil.

livro susan linnSusan Linn é professora de psiquiatria na Escola Médica de Harvard, além de co-fundadora e diretora da Campanha por uma Infância Sem Comerciais (CCFC), tendo escrito diversas pesquisas acerca dos efeitos da mídia e do marketing em crianças. Ela também é a autora do livro Crianças do Consumo: A Infância Roubada.

Durante a entrevista Susan discute sobre a problemática de exposição das crianças à publicidade, em especial a publicidade de alimentos não-saudáveis, além da importância da regulamentação dessa publicidade.

“É fundamental que haja uma pressão no Brasil e em outros países para acabar com a publicidade infantil de alimentos não-saudáveis. Também é importante entender que se nós pensarmos no que é realmente bom para as crianças não deveria haver nenhum marketing de alimentos direcionado a elas. O marketing treina as crianças a escolherem os alimentos baseadas na embalagem, ou em qual personagem está no rótulo, ou se elas ganham alguma recompensa (um brinquedo, por exemplo). Nós queremos que as crianças construam um relacionamento saudável com a comida. Um maneira saudável de interagir com a comida, de escolher a comida. E o marketing de alimentos para crianças atrapalha isso.”

Confira a entrevista:

Clique no link do YouTube na opção legendas/captions para ativar a legenda em português.

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