Arquivo da tag: Rotulagem

#EraSóOQueFaltava – Frango “grelhado”

Por Camila Araújo e Camila Leão. 

Os congelados vendidos por aí não são saudáveis – isso é uma coisa que a maioria das pessoas já sabe.

Entretanto, muitos deles tentam vender uma promessa que não é cumprida. Vejam só o que uma seguidora do blog encontrou no supermercado:

Olá, meninas!

Vi essa embalagem de frango congelado no Pão de Açúcar e lembrei de vocês na hora. Olha que horror: diz “filezinho de frango – grelhado”, uma recomendação para qualquer um que está de dieta, não é mesmo? Aí você lê a descrição do produto e descobre que ele é frito! Para completar, diz ser sem gordura trans, mas usa gordura vegetal, tem muuuuito sódio e a lista de ingredientes é uma beleza… Argh!
foto 1
 –
foto 2
  –
foto 3
Comentário e imagens falam mais do que mil palavras…
Frango frito que se diz grelhado? #EraSóOQueFaltava, não é mesmo?!
É por essas e outras que reforçamos: não acredite em tudo que a propaganda e/ou a embalagem te fala. O maior objetivo dela é chamar a sua atenção, visando a venda. E a saúde do consumidor, como fica? Essa só o próprio indivíduo pode garantir se informando melhor sobre o que consome…

6 Comentários

Arquivado em Notícias

Saiba o que você está comendo: edição Festa Junina

Por Ada Bento, Camila Araújo e Camila Leão.

comidas-tipicas-festa-junina2

Está chegando a época das festas juninas, cheia de coisas gostosas e especiais para comer. Nesse período do ano, as pessoas costumam se deliciar com as diversas opções que, muitas vezes, só são facilmente encontradas durante as festas.

Porém, mesmo em tempos de comemoração e festividades, devemos estar sempre atentos e buscar fazer as melhores escolhas possíveis. Por isso o #SaibaOQueVocêEstáComendo de hoje, mostra um pouco mais sobre a salsicha, consumida nessa época do ano em sua versão tradicional, como cachorro quente, e na versão salsichão.

Para embasar o texto, escolhemos 4 marcas diferentes de salsicha e pegamos as informações da lista de ingredientes e da tabela de composição nutricional disponíveis nos sites de cada uma delas:

Sadia

Lista de ingredientes: O site não disponibiliza a lista de ingredientes, somente a Tabela de Informações Nutricionais.

Captura de Tela 2014-06-06 às 14.11.24

Clique na imagem para ampliar.

Perdigão

Lista de ingredientes: Carne mecanicamente separada de aves, Carne suína, Água, Carne bovina, Proteína de soja, Sal, Amido, Pimenta, Alho, Regulador de acidez: lactato de sódio (INS325), Aromatizantes: aromas naturais (com pimenta, coentro, noz moscada e antiumectante: dióxido de sílicio (INS551i)) e aroma de fumaça, Estabilizantes: triopolifosfato de sódio (INS451i) e pirofosfato de sódio (INS450i), Conservador: nitrito de sódio (INS250), Realçador de sabor: glutamato monossódico (INS621), Antioxidante: isoascorbato de sódio (INS316), Corantes: ácido carmínico (INS120) e urucum (INS160b). NÃO CONTÉM GLÚTEN.

Captura de Tela 2014-06-06 às 14.20.36

Seara

Lista de ingredientes: Carne mecanicamente separada de ave, carne mecanicamente recuperada de frango, água, miúdo suíno, proteína vegetal de soja, carne suína, fécula de mandioca, sal, pele suína, estabilizante tripolifosfato de sódio, antioxidante eritorbato de sódio, conservador nitrito de sódio, especiarias naturais (alho, cebola, pimenta branca), aroma natural de fumaça, açúcar, corante natural carmim de cochonilha e corante natural de urucum. Não contém glúten.

Captura de Tela 2014-06-06 às 14.23.39

Aurora

Lista de ingredientes: Carne mecanicamente separada de ave, água, pele de ave, carne mecanicamente separada de suíno, miúdos suínos, proteína de soja, gordura suína, regulador de acidez: lactato de sódio (INS 325), sal, amido, carne suína, estabilizante: polifosfato de sódio (INS 452i), especiarias, alho, antioxidante: eritorbato de sódio (INS 316), corante natural: carmim de cochonilha (INS 120), conservante: nitrito de sódio (INS 250), aroma natural de fumaça e corante natural: urucum ((INS 160b). NÃO CONTÉM GLÚTEN.

Captura de Tela 2014-06-06 às 14.27.51

Clique na imagem para ampliar.

Ao observar a tabela de informações nutricionais, o que mais chama a atenção é a grande quantidade de sódio presente em apenas 1 salsicha – uma média de 500mg.

Segundo o Ministério da Saúde, a recomendação é de que o consumo de sódio seja, no máximo, 2g por dia. Considerando que em uma festa junina um indivíduo consuma 1 cachorro quente, a quantidade de sódio proveniente apenas da salsicha corresponde a cerca de 1/4 do que ela deveria consumir ao longo de um dia – sem contar o sódio do molho, do pão, do milho, da batata palha.

Vale destacar ainda a quantidade de gordura presente nesses produtos, que varia de 9 a 13 gramas em 50 gramas de produto. Ressalta-se ainda a quantidade de gordura saturada que está na faixa de 20 a 30% do total de gordura. Estudos recentes tem gerado discussões sobre a relação entre o consumo de gorduras saturadas e o desenvolvimento de doenças cardiovasculares. Parece que essa relação de causa e efeito não está bem fundamentada e talvez a gordura não seja tão vilã quanto nós imaginamos. Porém, se for para consumir gorduras saturadas, que seja de fontes melhores do que um cachorro quente, certo?!

Vamos ver como fica composição nutricional  de um cachorro quente?

CQ-Tabela

Salsicha Sadia, Pão para hot dog Pullman, Molho de tomate Fugini, Milho e Ervilha em lata Bonduelle, Batata palha Yoki.

Cachorro quente

Essa soma pode chegar a cerca de 70% da recomendação de sódio para um dia!

Quando observamos a quantidade de gordura presente em um cachorro quente, essa soma pode chegar a quase 10% de gordura considerando o consumo diário de 2000 calorias – ressaltando-se que a recomendação do Guia Alimentar para População Brasileira recomenda o consumo diário de 15-30% de gordura.

Além disso, podemos observar a extensa lista de ingredientes. Para entender melhor o motivo de adição de tanta coisa, vamos entender como a salsicha é fabricada:

Salsicha: restos de carnes de boi, de porco e de frango são os ingredientes principais do produto.

salsicha

A salsicha é feita das partes menos nobres de vários animais (principalmente bovinos, suínos, frango e peru), para máximo aproveitamento industrial da carne animal. Em geral, se utilizam carnes de segunda e terceira, incluindo aparas e sobras dos cortes tradicionais (esses possuem maior valor e serão vendidos como peças ou filés); regiões pouco valorizadas do animal (como tendões e pele); miúdos comestíveis (estômago, coração, língua, rins, miolos, fígado); carne mecanicamente separada (CMS) – que é aquela que fica junto aos ossos; e, por fim, gordura. Além disso, a salsicha apresenta os ingredientes chamados extensores – amidos, gomas e proteínas de soja – que servem para auxiliar na ligação entre a carne a gordura. Completam a formulação aditivos como sal, especiarias, conservantes e corantes. Esses ingredientes são misturados, e a massa é cozida para destruir microorganismos patogênicos e desenvolver as características sensoriais desejadas. Já as tripas podem ser tanto naturais (provenientes de intestinos higienizados) ou sintéticas.

Algumas pessoas têm nojo do fato de se utilizarem miúdos na formulação, por isso é importante ressaltar que o fato de as carnes utilizadas não serem de primeira não quer dizer que apresentem algum risco para a saúde pública, já que toda a matéria-prima deve ser inspecionada pelo SIF e seguir a legislação regulatória do MAPA. As grandes empresas apresentam padrões rígidos de higiene e boas práticas de fabricação para garantir que os produtos sejam seguros ao consumo. Essa legislação, inclusive, define vários tipos de salsicha (exemplos: Viena, Frankfurt) e para cada um existe um limite máximo permitido para miúdos, CMS (regulado também através da quantidade de cálcio – já que contém traços de osso) e extensores.

Com informações daqui.

Contudo, o fato de ser um produto alimentício ser sanitariamente seguro (não apresentar riscos de contaminação por microorganismos e, consequentemente, pouco ou nenhum risco de intoxicação alimentar), não significa que o mesmo pode ser consumido sem causar riscos à saúde, pensando de forma mais ampla.

Um produto como esse, apesar de conter carne, contém inúmero aditivos alimentares artificiais (os famosos “antes”: corantes, espessantes, antioxidantes) que não trazem nenhum benefício – muito pelo contrário, já que podem aumentar os riscos de desenvolvimento de doenças como câncer, por exemplo.

Por isso, tenham muita moderação nesse período de festividades juninas!

1 comentário

Arquivado em Notícias

Novas regras para a rotulagem são propostas por Michelle Obama

Por Camila Araújo e Camila Leão.

Michelle Obama

A primeira dama dos EUA anunciou uma série de propostas para mudanças nas regras de rotulagem de alimentos do país. As mudanças foram salientadas ontem no site do The Guardian:

  1. Novas porções: serão mostradas quantas porções tem na embalagem inteira.
  2. Quantidade de calorias escrita em maior tamanho.
  3. Quantidade de calorias provenientes da gordura total não serão mais listadas separadamente.
  4. Acréscimo da informação sobre açúcares adicionados: separados dos açúcares naturalmente presentes no alimento.
  5. Acréscimo das informações sobre quantidade de vitamina D e Potássio.

bcb1b218-b041-4dd6-ae6f-1ebc336375bd-460x433

De acordo com a Primeira Dama, os pais merecem ter acesso à informação que eles precisam para fazer as melhores escolhas alimentares para seus filhos. Ela também comentou sobre o estudo publicado essa semana (falamos sobre isso aqui), ressaltando que a diminuição das taxas de obesidade em crianças é um sinal de que o esforço está dando resultados, mas que o país ainda está muito longe do fim dessa luta.

A proposta, que se for aceita pode custar até 2 bilhões de dólares para a indústria, ainda será avaliada e vai demorar alguns anos para ser colocada em prática, porém com certeza é imperativo que diretrizes como essa sejam atualizadas, tendo em vista o cenário do país com a obesidade crescendo em níveis epidêmicos.

1 comentário

Arquivado em Notícias

Chocolate ao leite saudável?!

Por Camila Araújo e Camila Leão (com contribuições de Letícia Medeiros).

Uma leitora do blog, nos mandou a seguinte foto essa semana:

IMG-20140224-WA0007

Seu relato: “Estava eu conscientemente enchendo a cara  de chocolate – porque comprei, no shopping, um fondue com morango, banana e chocolate ao leite -, quando vi o que estava escrito no potinho. Fiquei indignada! Vocês acreditam que estava escrito que esse produto é saudável? E DUAS vezes?”

Será que só o fato de um produto conter frutas, já é suficiente para considerá-lo saudável?  #EraSóOQueFaltava!

Atualmente, essa é uma das principais estratégias da indústria de alimentos: o nutriwashing.

E o que é o nutriwashing?

É uma estratégia de marketing que faz o consumidor acreditar que o produto é “saudável”, “natural”, “sem conservantes”, entre outros atributos, e, com isso, leva o indivíduo a consumí-lo sem nem se preocupar em ler o rótulo e conhecer melhor a composição nutricional do mesmo. Já falamos um pouco disso nesse post.

Mais uma vez lembramos: não acredite em tudo que vê! Existe muito mais nas “letrinhas pequenas” do que nos destaques da embalagem.

1 comentário

Arquivado em Notícias

Bolinho Bauducco “Roll Cake Brigadeiro”, será que é uma boa opção de lanche para seu filho?!

Por Camila Araújo e Camila Leão.

360x360_484674_1Tendo em vista o contexto atual de aumento nas prevalências de excesso de peso entre a população, em especial entre crianças e adolescentes, causada principalmente pelo consumo de alimentos ricos em gorduras trans e saturadas, sódio e açúcar, foi realizada a análise das informações nutricionais do bolinho Bauducco “Roll Cake Brigadeiro”.

Primeiro, vamos mostrar um pouco desse contexto:

A fase da vida que compreende a infância (5 a 9 anos) e a adolescência (10 a 19 anos) é um período de modificações fisiológicas, psicológicas e sociais (OPAS, 1998). Fatores hereditários, ambientais, psicológicos e nutricionais influenciam as diversas modificações desse período. Por ser uma fase marcada por transformações, acaba sendo também o período em que são construídos e consolidados os hábitos alimentares e o estilo de vida. Assim, fatores como auto-imagem, valores, necessidades fisiológicas, preferências pessoais, experiências e conhecimentos, busca por autonomia, questionamento dos padrões familiares, interação grupal e a mídia, especialmente a televisão, influenciam nas escolhas de crianças e adolescentes (Boccaletto & Mendes, 2009).

Pesquisas mostram que a publicidade tem como público-alvo as crianças, e não o decisor da compra, pois a linguagem e as imagens têm um apelo infantil, sendo as mensagens mais afetivas, apelando ao lúdico, o mundo sonhado pela criança, o super-herói, as brincadeiras com a turma, entre outros. Além disso, outra característica desse tipo de publicidade é a demora para que o produto em si seja apresentado, ressaltando que a conquista do público não está relacionada com o produto, mas sim, com o imaginário envolvido em seu consumo. Vale destacar ainda o fato de que, normalmente, nessas peças publicitárias, os atores infantis são sempre eutróficos (Pain & Reinert, 2013).

Estas características podem ser observadas na peça publicitária do bolinho Bauducco “Roll Cake Brigadeiro”, que apresenta um mundo ideal feito para as crianças, no qual tudo que ela deseja se realiza – por exemplo, bagunça no banho, muitas histórias antes de dormir, o cafuné da mãe, janelas que não quebram e, evidentemente, o produto anunciado.

Além disso, nenhuma informação nutricional, nem orientação para consumo relativo à saúde (por exemplo, que o consumo excessivo pode causar mal à saúde ou qual o limite diário a ser consumido) foi encontrada na peça publicitária em questão, assim como descrito no estudo de Pain & Reinert (2013). Também não foi encontrada nenhuma informação direcionada aos pais e estes, quando aparecem, participam apenas de maneira secundária no comercial (como a mãe fazendo cafuné ou a professora ministrando a aula).

Campanha da Bauducco – Reino das crianças

Descrição da campanha seguindo a produtora: Este filme faz parte da campanha criada para o lançamento dos bolinhos Roll e Duo, da Bauducco. Estreou no dia 14/9/11. O filme “Reino das Crianças”, começa a ser veiculado nos canais a cabo e, em seguida, na TV aberta, leva os espectadores ao mundo ideal das crianças, em que os banhos são brincadeiras que se estendem pelo chão do banheiro, os pais contam centenas de histórias na hora de dormir, todos têm direito a cafuné da mãe o dia todo e, na escola, a um lanchinho gostoso com os novos bolinhos da Bauducco.

Segundo Monteiro et al. (2008), 72% das propagandas de alimentos infantis no Brasil são de alimentos não saudáveis, e o impacto desses alimentos para os consumidores é facilmente sentido, visto que os casos de obesidade infantil têm aumentado no país e no mundo (Monteiro et al., 2008; Kelly et al., 2010).

De acordo com a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2008 e 2009, as prevalências de obesidade na população adulta são de 12,5% entre os homens e 16,9% entre as mulheres. Já entre as crianças, o excesso de peso abrange cerca de 33,5% na faixa etária de 5 a 9 anos de idade – quase o triplo do valor encontrado na Pesquisa Nacional de Saúde e Nutrição de 1989 (IBGE, 2010). Em 20 anos, as prevalências de casos de obesidade foram multiplicadas por quatro entre os meninos (4,1% para 16,6%) e por praticamente cinco entre as meninas (2,4% para 11,8%) (IBGE, 2010).

Agora vamos às informações sobre o bolinho:

INFORMAÇÃO NUTRICIONAL

Porção de 38 g (1 unidade) ***

Quantidade por porção

% VD *
Valor energético

154 kcal = 647 kJ

8%

Carboidratos

22g

7%

Proteínas

2g

3%

Gorduras totais

6,5g

12%

Gorduras saturadas

4,6g

21%

Gorduras trans

0g

**

Gorduras monoinsaturadas

1,2g

**

Gorduras poli-insaturadas

0,4g

**

Colesterol

23mg

8%

Fibra alimentar

0,8g

3%

Sódio

57mg

2%

Vitamina B1 (Tiamina)

0,07mg

6%

Vitamina B2 (Riboflavina)

0,08mg

6%

Niacina

0,92mg

6%

Vitamina B6

0,08mg

6%

Cálcio

57mg

6%

* % Valores Diários de referência com base em uma dieta de 2000 kcal ou 8400 kJ.** Valor Diário não estabelecido*** Porção de referência de 60g.

Ingredientes

Farinha de trigo enriquecida com ferro e ácido fólico, ovo integral, açúcar, cobertura sabor chocolate (20%) [açúcar, leite desnatado, soro de leite, cacau em pó e gordura vegetal], recheio sabor chocolate (16%) [gordura vegetal, açúcar, cacau em pó, glucose, aromatizantes, emulsificante: lecitina de soja (INS 322), conservador: ácido sórbico (INS 200) e umectante: glicerina (INS 422)], calda (16%) [açúcar, glucose, aromatizante e conservador: ácido sórbico (INS 200)], glucose, confeitos açucarados (5%), cacau em pó, leite integral, sal, gordura vegetal, fosfato tricálcico, vitaminas: B1, B2, niacina, B6 e A, umectante: sorbitol (INS 420), emulsificante: mono e diglicerídeos de ácidos graxos (INS 471), fermentos químicos: bicarbonato de sódio (INS 500ii) e pirofosfato ácido de sódio (INS 450i), conservadores: ácido sórbico (INS 200) e propionato de cálcio (INS 282) e acidulante: ácido cítrico (INS 330). Contém Glúten.

ft_prod_1_161_pPrimeiramente, vale destacar que as informações nutricionais presentes no bolinho Bauducco “Roll Cake Brigadeiro” são apresentadas de forma bastante confusa, o que pode levar o consumidor a interpretar de forma errada as quantidades de cada nutriente que está ingerindo ou oferecendo a seu filho. Uma unidade do produto contém 38g e esta informação é ressaltada na tabela nutricional. Porém, ao lado desta encontram-se 3 asteriscos que remetem a uma legenda com letras minúsculas as quais informam que os valores apresentados são compatíveis com 60g do produto, ou seja, aproximadamente 1e ½ unidades. Este valor se mostrou inadequado, visto que é muito difícil o consumo dessa quantidade apenas – ou a criança consome um bolinho inteiro, ou dois. O quadro 2 mostra os valores referentes a uma unidade do bolinho.

INFORMAÇÃO NUTRICIONAL

Porção de 38g

Quantidade por porção

% VD *
Valor energético

98 kcal

5%

Carboidratos

13,93g

4%

Proteínas

1,26g

2%

Gorduras totais

4,11g

8%

Gorduras saturadas

2,91g

13%

Gorduras trans

0g

**

* % Valores Diários de referência com base em uma dieta de 2000 kcal ou 8400 kJ.** Valor Diário não estabelecido

Quadro 2. Informações Nutricionais presentes em uma unidade (38g) do bolinho Bauducco “Roll Cake Brigadeiro”.

Com base nas informações do quadros 1 e 2, bem como da tabela 1, é possível perceber que as gorduras totais do bolinho Bauducco “Roll Cake Brigadeiro” encontram-se em teores classificados como médios, enquanto as gorduras saturadas estão presentes em teores classificados como altos.

Já com relação à quantidade de açúcar, não foi possível realizar uma classificação, uma vez que o rótulo não informa a quantidade de açúcar (em gramas) que foi adicionado no produto. As únicas informações disponíveis quanto ao açúcar, especificamente, é que ele se encontra como o terceiro[1] ingrediente presente na lista de ingredientes do bolinho e como ingrediente do recheio, da cobertura e da calda, presente em altos teores (como primeiro ou segundo ingrediente desses últimos), de forma que a quantidade de açúcar provavelmente representa grande parte dos carboidratos do alimento.

Tabela 1. Referências do Semáforo Nutricional (Food Standarts Agency, 2007) quanto aos teores de gorduras totais, gorduras saturadas, açúcares e sódio.

Nutriente

Bolinho Bauducco

Médio teor

Alto teor

Gorduras totais

10,8g/100g

> 3g e ≤ 20g/100g

> 20g/100g

Gorduras saturadas

7,6g/100g

> 1,5g a ≤ 5g/100g

> 5g/100g

Açúcares

36,6g/100g *

> 5g a ≤ 12,5g/100g

12,5g/100g

Sódio

0,09g/100g

> 0,30g a ≤ 1,50g/100g

1,5g/100g

* Quanto aos “açúcares” do bolinho, foi considerada a quantidade total de carboidratos para a realização do cálculo, uma vez que o fabricante não discrimina a quantidade de açúcar adicionado.

Segundo o Guia Alimentar para a População Brasileira (2005), o consumo de gorduras totais não deve ultrapassar os limites de 15% a 30% da energia total da alimentação diária de um indivíduo adulto. Além disso, o total de gordura saturada consumida não deve ultrapassar 10% do total da energia diária, enquanto o total de gordura trans deve ser menor que 1% do valor energético total diário (no máximo 2g/dia para uma dieta de 2.000 kcal).

Já a I Diretriz sobre o consumo de Gorduras e Saúde Cardiovascular (2013), da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), recomenda que, para crianças, a ingestão de gorduras deve estar entre 25% e 35% (VET).

Se levarmos em conta que a quantidade de gorduras totais presentes em uma unidade do bolinho corresponde a 7,6% do Valor Diário, o consumo de uma unidade já é suficiente para atingir mais da metade da quantidade de gorduras que deve ser consumida em um dia (com base na recomendação de 15% do Guia Alimentar), tendo em vista que o indivíduo ainda irá consumir, pelo menos, mais 2 ou 3 refeições ao longo do dia. Vale ressaltar ainda, que esse Valor Diário é referente a uma dieta de 2.000kcal, um valor de referência para adultos. Quando esse %VD é aplicado à dieta de uma criança, esses percentuais ficam ainda mais críticos e o risco à saúde é ainda maior.

Quando analisado de acordo com a Diretriz da SBC (2013), esse valor de gorduras totais não se mostra tão elevado. Contudo, é importante pensar na qualidade dessa gordura, uma vez que a gordura saturada presente em um bolinho representa 13,3% do Valor Diário para a mesma, ultrapassando a recomendação de 10%, tanto do Guia Alimentar quanto da Diretriz da SBC, com o consumo de apenas um bolinho. Além disso, a tabela de informações nutricionais declara haver 0g de gordura trans na porção – apesar da lista de ingredientes citar o uso de gordura vegetal no produto.

Gordura Trans

No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), regulamentou a indicação desta gordura nas informações nutricionais, através da resolução RDC nº 360 de 23 de dezembro de 2003, a qual preconiza que apenas os produtos que contenham ácidos graxos trans em quantidade menor ou igual a 0,2 g por porção sejam designados como zero trans.

É importante destacar que a indústria se baseia em porções estipuladas pela própria Anvisa; no entanto, o fato de a porção apresentar-se como isenta de trans não necessariamente assegura que o produto tenha sido produzido sem essa gordura (Santos et al., 2013).

Desta forma, observa-se que é exatamente este o artifício utilizado pelo fabricante: a declaração de que o produto voltado para crianças apresenta 0g de gordura trans (na porção), apesar de ter a presença de gordura vegetal entre os ingredientes do bolo.

Vale destacar ainda que, atualmente, os principais alimentos que contêm um significativo teor de ácidos graxos trans são: sorvetes, chocolates diet, barras achocolatadas, salgadinhos de pacote, bolos/tortas industrializados, biscoitos, bolachas recheadas, gorduras vegetais hidrogenadas, pães e produtos de panificação entre outros (Merçon, 2010).

Gordura Saturada

Para crianças maiores de dois anos e adolescentes de perfil lipídico normal, recomenda-se que a ingestão de gordura esteja entre 25% e 35% (VET) e < 10% de ácidos graxos saturados (Santos et al., 2013). Já para crianças maiores de dois anos e adolescentes com perfil lipídico alterado, a ingestão de gorduras deve se manter entre 25% e 35% para manutenção de ganho de peso e para crescimento normal. Contudo, a recomendação de ácidos graxos saturados, nesses casos, deve ser 7% do VET (Santos et al., 2013).

Tabela 2. Recomendação de ácidos graxos saturados (g) de acordo com o Valor Energético Total (VET) da dieta (kcal).

VET

Recomendação de gorduras saturadas

10% do VET

7% do VET

2000kcal

22g

16g

1800kcal

20g

14g

1500kcal

17g

12g

1200kcal

13g

9g

Em contrapartida, o bolinho Bauducco fornece cerca de 21% de gorduras saturadas (considerando que 22g é o máximo de gordura saturada que deve ser consumida) – tudo isso, tomando como base um indivíduo que consuma 2000kcal. Em geral, crianças consomem uma dieta com menor quantidade de calorias, o que representa uma quantidade bastante elevada de gordura saturada, aumentando os riscos à saúde, principalmente se a criança apresentar consumo excessivo/diário desse produto alimentício.

Açúcar

O Guia Alimentar (2005) também faz recomendações com relação ao consumo de açúcares simples. De acordo com o documento, o consumo de açúcares simples não deve ultrapassar 10% da energia total diária. Isso significa redução de, pelo menos, 33% (um terço) na média atual de consumo da população.

Como dito anteriormente, a tabela nutricional do bolinho Bauducco não apresenta a quantidade de açúcares adicionados, e sim os carboidratos totais do bolinho. Entretanto, em análise realizada no Laboratório Bromatológico Nacional – lbnanálises – no ano de 2011, foram apresentados resultados mais detalhados (figura 1). O laudo confirmou que 100g do produto continham 41,29g de açúcares (glicose e sacarose), ou seja, uma unidade do bolinho (38g) contém 15,69g destes açúcares.

Figura 1. Análise laboratorial da quantidade de açúcar presente no bolinho Bauducco “Roll Cake Brigadeiro”, realizada em 2011.

laudo roll cake

Classificando de acordo com o Semáforo Nutricional (Food Standarts Agency, 2007), este item ficaria na cor vermelha, indicando o alto teor de açúcar presente no produto. Quando comparado ao valor recomendado pelo Guia Alimentar, a quantidade de açúcar também é considerada alta, visto que 10% de uma dieta de 2000kcal representa 200kcal ou 50g de carboidratos, e uma única unidade do produto já representa cerca de 30% do valor recomendado pelo Guia.

É preciso que haja revisão da composição, da publicidade, e das informações nutricionais presentes na embalagem do produto, visto que estes encontram-se em desacordo com o que seria aceitável para a manutenção de um padrão alimentar saudável. Além disso, destaca-se que as informações presentes no rótulo, pelo fato de não serem claras, podem levar o consumidor à confusão no momento da compra e prejudicar a escolha do alimento.

Ao realizar a análise nutricional do bolinho Bauducco, conclui-se que este é um produto alimentício com elevados teores de açúcar e gorduras, principalmente gordura saturada. Este fato torna-o não recomendado para o consumo frequente por crianças.

Deixe um comentário

Arquivado em Notícias

Chocolate pode MESMO comer sem culpa?!

Por Camila Araújo e Camila Leão.

Vocês viram a revista Veja dessa semana?

veja chocolate

Chocolate pode MESMO comer sem culpa?!

É preciso ter cuidado e senso crítico ao ler esse tipo de informações! Uma revista de grande circulação, como é a Veja, não foi nada cuidadosa ao divulgar essa matéria.

Muitas vezes as pessoas não tem acesso à reportagem  e, ao ler apenas a capa, tomam isso como uma verdade absoluta – logo abaixo do título de capa, a revista ainda se respalda afirmando que essas informações foram trazidas pela “ciência”.

Ao ler a reportagem completa, verificamos que ela até traz alguns aspectos positivos ao longo do texto, citando vários alimentos fontes de flavonóides, além de citar que o chocolate  amargo é o “ideal”, por conter maior quantidade de flavonóides e maior concentração de cacau  (apesar de em outros momentos, dar a entender que qualquer chocolate possui essas qualidades).

Contudo, algumas informações podem ficar confusas, por exemplo, a recomendação de consumir rúcula com “parcimônia” ou a falta de uma ressalva na quantidade de castanha do pará que deve ser consumida por dia.

Além disso, o ponto que mais nos chamou atenção, foi o estudo citado como base para o principal tema da matéria, ou seja, o chocolate. Buscamos o artigo original para entender um pouco melhor o estudo, porém ele não encontra-se totalmente acessível, estando disponível apenas o seu resumo. E qual não foi a nossa surpresa ao ler que apenas homens faziam parte da pesquisa?! Ao apresentar esses dados, a revista afirmou que o consumo de 63g de chocolate por semana, reduzia em 20% as taxas de derrame em homens e mulheres. Como a Veja não citou o nome dos autores e nem o título do artigo, fica um pouco difícil ter certeza de qual estudo foi utilizado, mas no resumo que encontramos o número de homens que teria participado da pesquisa é exatamente igual ao apresentado na reportagem, nos levando a crer que este foi o estudo utilizado (outros textos sobre o artigo que encontramos aqui e aqui).

É preciso buscar fontes seguras, através de textos científicos e de bons profissionais de saúde. Além disso, destacamos a importância de ler os rótulos e no caso dos chocolates, preferir aqueles que possuem mais cacau e menos açúcar, ou seja, os famosos amargos – o primeiro ingrediente da lista de um bom chocolate deve ser cacau (ou massa de cacau)!

4 Comentários

Arquivado em Notícias

#EraSóOQueFaltava – “TempêLo” especial no Catchup!

Por Camila Araújo e Camila Leão.

Como se não bastasse ter que passar horas no supermercado lendo rótulos dos produtos alimentícios industrializados, buscando aqueles com melhores qualidades nutricionais, ainda precisamos “adivinhar” se durante o processo de fabricação as mínimas condições de higiene estão sendo cumpridas!

Saiu nos últimos dias a seguinte notícia:

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) detectou a presença de pelos de roedores em embalagens do Tomato Ketchup da marca Heinz após análise em laboratório. A Anvisa determinou que o lote 2K04 do produto seja retirado imediatamente de todas as lojas. O produto tem validade prevista para janeiro de 2014.

A Proteste (associação de defesa do consumidor) já havia detectado o problema no mesmo produto em fevereiro. A agência alegou, na época, que não poderia retirar o produto do mercado porque as análises haviam sido feitas em laboratório não oficial. Os novos testes foram feitos no Instituto Adolfo Lutz, em Santo André, na Grande São Paulo. A Proteste também solicitou uma inspeção imediata na Quero Alimentos, que importa e revende o catchup Heinz no Brasil.

A associação afirma que, em 2005, já havia avaliado 16 marcas de catchup, sendo cinco deles avaliados como impróprios para consumo. A empresa só foi autorizada pela Justiça para divulgar o teste cinco anos depois, quando os lotes dos produtos analisados indicaram presença de pelos de roedores, penas de ave e ácaros já haviam sido retiradas do mercado porque o prazo de validade já havia expirado.

OUTRO LADO

Em nota, a Heinz Brasil informou que os produtos trazidos para o Brasil são produzidos com a mais alta qualidade e com ingredientes naturais, de acordo com as normas sanitárias do país de origem, bem como normas internacionais. A empresa disse ainda que os lotes citados pela Anvisa e Proteste não estão mais em circulação.

A empresa afirmou também que “está levando a sério esta questão e está analisando os aspectos levantados”.

Fonte: Folha de S. Paulo

jhj

Com base nas informações dessa reportagem, somos levados a pensar: quantas pessoas já não devem ter consumido o tal lote contaminado? A Proteste encontrou o problema em fevereiro, porém só agora a ANVISA tomou providências a respeito. Muitas vezes, devido à burocracias dos órgãos de vigilância, quando as medidas práticas são tomadas, muitos consumidores já foram prejudicados com as consequências e a determinação de mudanças/correções não é mais eficaz.

A relação entre os consumidores e a indústria é baseada na confiança, visto que é muito difícil (na verdade quase impossível) conhecer e monitorar os detalhes sobre cada etapa do processo de fabricação dos produtos industrializados. Se uma marca tão famosa, reconhecida mundialmente, apresenta esse tipo de “inconveniente”, como confiar nas alegações de segurança e em todas as outras (por exemplo, a redução de nutrientes indesejados, como gordura trans; a própria composição dos alimentos apresentada na forma de lista de ingredientes nos rótulos)?

Apesar de a indústria oferecer cada vez mais opções, parece difícil encontrar UMA opção que se adeque minimamente a todas as exigências para o consumo de um alimento (ou melhor, produto alimentício) mais saudável e sanitariamente seguro.

Deixe um comentário

Arquivado em Notícias

Saiba o que você está comendo: Catchup

Por Camila Araújo, Camila Leão e Mariane Bandeira.

Ketchup packet

Aproveitando o tema do último post da série Saiba o que você está comendo: Molho de Tomateo PropagaNUT resolveu explicar um pouco sobre o catchup (ou ketchup). Uma das razões é por estarem enquadrados na mesma resolução da Anvisa (RDC no 276, de 22 de setembro de 2005) que fala sobre especiarias, temperos e molhos.

Screen Shot 2013-06-24 at 17.33.38

Henry John Heinz e sua “criação”.

Acredita-se que o condimento tem sua origem na cultura chinesa, chamado de ketsiap (que significa molho), utilizado para acompanhar peixes. Na Malásia, uma outra versão deste mesmo molho tem o nome de kechap, que significa gosto. O catchup moderno foi idealizado pelo norte-americano Henry J. Heinz, que teve a ideia de incluir molho de tomate à fórmula. Heinz comercializou pela primeira vez o catchup em 1876.

Hoje o molho é amplamente consumido por pessoas de todas as idades. Mas e aí, catchup pode ou não pode? Analisamos o rótulo de 5 marcas: Heinz, Hellmans, AriscoQuero e Etti. Cada uma delas nas versões tradicional e picante. Em todos, o que chama atenção é a quantidade elevada de açúcar. Na marca Heinz, por exemplo, a quantidade de açúcar em uma porção (12g ou uma colher de sopa) é de 3,5g. Em 100g desse catchup, a quantidade de açúcar seria de 30g – o que é elevado, segundo parâmetros do Semáforo Nutricional, que classifica como elevada a presença de mais de 12g do carboidrato em 100g do produto, ou seja, mais que o dobro! E vale ressaltar também a quantidade de sódio, mais de 100mg por porção. E esse padrão se repete em todas as outras marcas analisadas.

Outra questão preocupante são os ingredientes utilizados nesses produtos. Analisando os rótulos dessas 5 marcas, vimos que muitas vezes estão presentes diversos aditivos, como por exemplo, conservantes e corantes. Sabe-se que esses ingredientes normalmente são compostos químicos que não são encontrados na natureza e além disso, esses aditivos são ricos em sódio, aumentando consideravelmente a quantidade total no produto. Também chamam a atenção ingredientes como o amido modificado, que é uma forma de amido que passa por mudanças químicas com o objetivo de melhorar características de consistência e estabilidade ao produto. Porém essas modificações tornam o produto ainda mais industrializado.

quero1

Além disso, muitas propagandas passam a ideia de que o catchup é um alimento saudável, já que contém tomate na sua composição. O Ketchup Hellmann’s já veiculou propaganda (assista o vídeo) dizendo que uma embalagem (de 390g) do seu catchup continha 10 unidades de tomate e, para piorar, ainda finalizava com uma atriz comentando “Ah, mais saudável!”…

TOMATE E KETCHUP HELMANNS

Imagem postada na fun page do Ketchup Hellmann’s no Facebook, em abril, época em que o preço dos tomates estava bem alto.

E o pior é que muita gente acredita nisso… É fato que o tomate é um alimento nutritivo, rico em vitaminas A e E, com presença de sódio, magnésio, cálcio, folato e potássio, além de conter licopeno, um potente antioxidante (leia mais aqui).

O tomate e os produtos à base de tomate são as maiores fontes de licopeno, o qual ajuda a combater o estresse oxidativo* do organismo, prevenindo contra o desenvolvimento de certas doenças crônicas, como câncer e doenças cardiovasculares.

Para quem não sabe, o estresse oxidativo do organismo é provocado pelo excesso de radicais livres, que podem ser resultado de medicamentos, poluição, cigarro e até da dieta. Ou seja, alimentos não saudáveis, ricos em conservantes, açúcar, sódio, gordura (resumindo, os junk foods), contribuem bastante para aumentar esse estresse no nosso organismo, que está envolvido com o processo de envelhecimento, além de doenças como câncer, aterosclerose, diabetes, inflamações crônicas, doença de Alzheimer, doença de Parkinson, artrite reumatoide, doença intestinal inflamatória, entre diversas outras doenças.

licopeno-alim-procO processamento térmico dos tomates e de seus produtos, bem como a presença de gorduras alimentares (pelo fato de ser um composto lipossolúvel) melhora a biodisponibilidade do licopeno, ou seja, melhora a sua absorção. Logo, em alimentos processados, como molhos, purês e no próprio catchup, existe maior teor de licopeno (Shami & Moreira, 2004).

Contudo, o fato de o catchup conter um composto antioxidante, não o torna necessariamente saudável. É importante levar em consideração a totalidade de ingredientes que o compõem.

Levando tudo isso em conta, será que vale a pena mesmo consumir o catchup?

Referência – licopeno:

Shami, N.J.I.E. & Moreira, E.A.M. Licopeno como agente antioxidante. Rev. Nutr. [online]. 2004, vol.17, n.2, pp. 227-236. ISSN 1415-5273.

9 Comentários

Arquivado em Notícias

Refrigerante cancerígeno? O que o Direito tem a dizer sobre isso?

Por Mariana Ferraz.

refrigerantesdomal

“A Coca-Cola e a Pepsi decidiram mudar a fórmula, nos EUA, do corante caramelo que compõe os refrigerantes para não ter de colocar um alerta de risco de câncer em suas latas” (Folha.com, 9 de março de 2012).

Repercutiu na imprensa internacional e na nacional. Grandes empresas anunciam mudanças na composição de seus produtos em função dos riscos oferecidos à saúde do consumidor. Faltou, no entanto, o destaque: a mudança ocorrerá apenas nos produtos comercializados nos Estados Unidos. E no Brasil, e no resto do mundo? Como fica o dever de precaução dessas empresas fora dos EUA.

O Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) realizou um levantamento de alguns produtos da linha de refrigerantes e energéticos que possuem em sua composição o corante Caramelo IV (INS150d) e constatou que esse aditivo encontra-se muito mais presente no cotidiano do consumidor brasileiro do que ele imagina. Está também nos nacionalíssimos refrigerantes de Guaraná (Guaraná Antártica, Kuat, Dolly e outros) e na maioria dos energéticos (compostos líquido pronto para consumo à base de taurina e/ou cafeína). Não só em bebidas, o corante caramelo IV pode ser encontrado também em cereais matinais e granolas.

Ocorre que no Brasil o uso desse aditivo é permitido. Entretanto, no processo de elaboração do Caramelo IV, a utilização de amoníaco e sulfitos acaba gerando dois subprodutos: 2-metilimidazol e 4-metilimidazol, e conforme o estudo norte americano produzido pelo Programa Nacional de Toxicologia do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos divulgado em 2007, existe clara evidência de que estes subprodutos são cancerígenos em animais. Os compostos cancerígenos em animais são comumente proibidos para o consumo humano.

Conforme esclarecido por um grupo de diferentes órgãos de defesa do consumidor da América Latina, esse corante é um ingrediente que desempenha uma função puramente estética e pode ser substituído por outros corantes que não representem um risco à saúde, como o Caramelo I, já utilizado pela Pepsi no Brasil.

A manifestação de diversas entidades da sociedade civil e de especialistas em estudos de toxicologia fez com que a lei na Califórnia (EUA) passasse a exigir que as empresas dispusessem avisos de alerta em produtos que contêm esse aditivo. No Brasil, o Idec cobrou da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) um posicionamento concreto sobre o assunto. O Instituto questionou à agência reguladora a respeito do embasamento científico no qual a regulamentação brasileira se apoia para permitir o uso desse aditivo, ou seja, quais seriam os estudos que garantem a segurança do referido corante. Questionou-se também se há um monitoramento das quantidades de Caramelo IV, 2-metilimidazol e 4-metilimidazol presentes nos produtos comercializados no Brasil e se há limites máximos desses componentes previstos em regulamentação. Por fim, perguntou qual providência será adotada pelo órgão.

As empresas também foram questionadas pelo Instituto. Indagou se as mesmas farão voluntariamente a mudança na composição dos seus produtos no Brasil ou se agirão somente mediante disposição normativa.

O posicionamento do Direito é claro sobre o tema. O CDC (Código de Defesa do Consumidor), tendo em vista o princípio da prevenção, garante a proteção à vida, à saúde e à segurança (art. 6º, I), prevendo que os produtos e serviços colocados no mercado de consumo não acarretarão riscos aos consumidores (art. 8º). É previsto ainda que o fornecedor de produtos e serviços potencialmente nocivos ou perigosos à saúde ou segurança deverá informar de maneira ostensiva e adequada a respeito da nocividade ou periculosidade (art. 9º).

Há que se ter em conta também o princípio da precaução, ou seja, quando houver ameaça de danos sérios ou irreversíveis, a ausência de absoluta certeza científica não deve ser utilizada como razão para postergar medidas eficazes para prevenir o possível dano. Sendo assim, no caso aqui tratado, tanto empresas como o Estado são responsáveis em adotar as medidas necessárias.

Fonte: Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor – Idec.

5 Comentários

Arquivado em Notícias

Primeiro post da série: Era só o que faltava! Torrada MultiGrãos da Bauducco

Por Mariane Bandeira.

IMG_2592

Para dar início a nova série do PropagaNUT, vamos falar sobre o produto que inspirou a criação do Era só o que faltava!: Torrada MultiGrãos da Bauducco.

Na semana passada, estava no supermercado escolhendo uma torrada na seção de biscoitos e logo a embalagem me chamou atenção. Como nutricionista, tenho o hábito de procurar alimentos na versão integral, sempre. Nunca tinha experimentado esta torrada, e resolvi levar para casa a fim de analisar melhor os ingredientes e o rótulo.

No dia seguinte, acordei cedo, fiz um café, tirei a geléia da geladeira e a torrada da dispensa. Antes de comer, comecei a reparar e ler melhor a embalagem. Vamos falar a verdade, essas empresas capricham o quanto podem na embalagem. Fazem de tudo para chamar a atenção dos consumidores, inclusive, estudos e pesquisas são elaborados nessa área a fim de analisar qual é a melhor estratégia a ser aplicada na rotulagem. É isso mesmo, eles não dão nem um ponto sem nó! O objetivo deles é SEMPRE o lucro, querem vender, vender e vender e para isso nos farão consumir ao máximo. O que explica a grande importância do marketing – que é a alma do negócio!

Quando virei o produto para ler o outro lado, me deparei com o seguinte texto: “A Bauducco apresenta a nova torrada MultiGrãos. Feita com uma seleção de ingredientes ricos em fibras para você aproveitar no café da manhã ou no lanche da tarde. Leve, crocante, saborosa e com propriedades nutricionais que combinam com uma vida em equilíbrio, combina com tudo que é saudável. Saiba mais sobre cada um dos grãos a seguir”. Seguindo a leitura, conforme demonstrado nas figuras abaixo, a foto de cada um dos grãos com uma pequena descrição dos seus benefícios  para saúde.

IMG_2593

Torrada MultiGrãos da Bauducco

Screen Shot 2013-05-21 at 15.03.43

Descrição dos 7 grãos contidos na torrada com as respectivas alegações nutricionais: “Quinoa: não contém glúten, é pobre em gorduras e rica em fibras e proteína; Cevada: rica em proteínas, vitaminas, fibras e minerais; Centeio integral: poderosa fonte de fibras que aumentam a saciedade; Trigo integral: rico em fibras que melhoram o funcionamento do intestino; Linhaça: fonte de fibras e de gorduras benéficas à saúde; Aveia: fonte de fibras solúveis que ajudam nas dietas para baixar o colesterol; Gergelim: rico em fibras e em antioxidantes.”

Depois de ler tudo isso, confesso que até me empolguei para experimentar. Afinal, um produto integral composto por todos esses grãos só pode ser maravilhoso (!) – esse é exatamente o pensamento que eles querem passar. Mas havia um pequeno detalhe. E pequeno mesmo! Minúsculo… (Alguém tinha reparado?)

Screen Shot 2013-05-21 at 14.41.24

Texto em destaque: “As propriedades e benefícios nutricionais dos grãos citados são de caráter informativo. As quantidades de grãos agregados à Torrada MultiGrãos não garantem os benefícios acima citados.”

Bem na parte inferior do texto, com a menor letra possível – menor até do que nota de rodapé – estava escrito: “As propriedades e benefícios nutricionais dos grãos citados são de caráter informativo. As quantidades de grãos agregados à Torrada MultiGrãos não garantem os benefícios acima citados“. 

Era só o que faltava! 

Mas é óóóóbvio que eles se preocuparam em usar um lado inteiro da embalagem para dar informações de caráter relevante ao consumidor, afinal a intenção deles é colaborarem para que nós possamos entender mais sobre os grãos e passar a incluí-los em nossa dieta! É isso! (Não é??)

O que está claro nessa situação é a divulgação de informações de benefícios que NÃO são associados ao produto, mas que, ao ler a embalagem, o consumidor é induzido a acreditar e a vincular essas alegações à torrada em questão. Afinal, o nome é Torrada MultiGrãos, ou seja, fica subentendido que ela é composta de vários grãos. É um desrespeito ao  art. 6º, inciso IV, do Código do Consumidor, cujo texto diz que é um direito básico do consumidor “a proteção contra a publicidade enganosa e abusiva, métodos comerciais coercitivos ou desleais, bem como contra práticas e cláusulas abusivas ou impostas no fornecimento de produtos e serviços“.

E para revoltar ainda mais, ao analisar a composição, a farinha de trigo refinada é citada primeiro, logo, é o ingrediente adicionado em maior quantidade. Em seguida, vem a gordura vegetal (ou se preferir, gordura trans) e, finalmente, a farinha de trigo integral. Depois, é a vez do açúcar, e só a partir desse ponto são citados os outros grãos.

IMG_2594_2

Ingredientes da Torrada MultiGrãos

Porém, vamos ser justos e reconhecer que eles foram honestos em, pelo menos, uma informação: “as quantidades de grãos agregados à Torrada MultiGrãos não garantem os benefícios acima citados.

22 Comentários

Arquivado em Notícias