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Publicidade de Alimentos e obesidade infantil: uma ligação nem sempre visível

Por Esther Radaelli e Maíra Mendonça.

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O excesso de publicidade de alimentos voltada para o público infantil é um dos fatores que contribuem para o aumento da obesidade infantil. Especialistas acreditam que uma das saídas para este problema é a regulamentação deste setor.

Como explicar para as crianças e até mesmo para os próprios pais que um determinado alimento pode ser prejudicial à saúde, mesmo com toda a produção publicitária dizendo o contrário? Esse foi um dos principais questionamentos levantados ao longo do V Seminário de Saúde Alimentar e Nutricional de Vitória, cujo tema foi “Publicidade de alimentos e o seu impacto social”. O evento, realizado no dia 09 de agosto na Prefeitura Municipal de Vitória, reuniu pesquisadores e estudantes das áreas de Nutrição, Comunicação e Direito para discutir a influência das estratégias publicitárias sobre o consumo das crianças e os consequentes prejuízos causados à saúde, entre eles, a obesidade.

A publicidade estimula o consumo. Até aí, nada de novo. O problema é quando tal estímulo está associado a ideias enganosas ou fantasiosas e tem como foco um público certo: o público infantil. De acordo com informações do Observatório de Políticas de Segurança Alimentar e Nutrição, somando canais de televisão abertos e fechados, 44% do total de propagandas alimentícias destina-se a crianças. Salgadinhos, sucos de caixinha e todos os tipos de guloseimas tornaram-se rotina na dieta alimentar dos pequenos, sempre estimulados por belas propagandas. O consumo de alimentos, especialmente nesta faixa etária, é, além de tudo, uma forma de as crianças se integrarem nos grupos. Quando ela passa a interagir com as demais, que consomem determinados produtos, também irá querer adotar o mesmo hábito.

De acordo com os dados da Pesquisa Nacional de Saúde e Nutrição (PNSN – 2000), estima-se que no Brasil cerca de 20% das crianças apresentam algum grau de excesso de peso. “Como as crianças estão expostas por muito tempo aos estímulos da publicidade, sua influência sobre a alimentação é direta. Ainda mais porque as indústrias usam de mecanismos que tocam diretamente o consciente e o inconsciente delas. O uso de personagens do universo infantil, os efeitos visuais e sonoros e o falso discurso de consumo saudável são perversos. A indústria sabe muito bem disso, tanto que investe cada vez mais em estudos e práticas de como influenciar as crianças para o consumismo”, critica o professor de Comunicação Social da Ufes e Coordenador do Observatório da Mídia: direitos humanos, políticas e sistemas, Edgard Rebouças. Desde 2011, o Observatório, em parceria com o Instituto Alana, desenvolve a pesquisa “Monitoramento da publicidade de produtos e serviços destinada a crianças”. Trata-se de um estudo longitudinal no qual os pesquisadores monitoram a publicidade de produtos e serviços destinados às crianças em programações de 15 canais, durante as semanas que antecedem datas comemorativas como Páscoa, Dia das Crianças e Natal.

A gerente de segurança alimentar e nutricional de Vitória, Laydiane Silote Barbosa, é também uma das organizadoras do evento. Ela explica que uma das principais consequências do consumo diário de alimentos hipercalóricos pelas crianças é a obesidade infantil, que traz consigo outras complicações, tais como o colesterol alto e o diabetes, podendo aumentar, inclusive, o risco de problemas cardiovasculares. “O que vemos atualmente é uma moldura de criança num corpo de idoso”, esclarece Laydiane. A nutricionista acredita que a importância de seminários como este reside na possibilidade de reunir diferentes áreas na discussão sobre este tema, somando forças para combatê-lo.

Já o professor Edgard acrescenta que um grave problema que vem ocorrendo é que empresas do setor de alimentos e a mídia têm feito campanhas alegando que o simples fato de discutir esse assunto é uma tentativa de censurar suas atividades. “Censura é impedir que haja debate. E as pressões sobre os órgãos públicos são muito grandes, por isso, toda iniciativa como esta merece aplausos. O fato de a Prefeitura de Vitória resgatar esse tema pode incentivar a que outras prefeituras se interessem também por isso”, analisa ele. Outro questionamento levantado por Edgard durante o seminário é a tentativa da publicidade de ocupar o lugar de autoridade em alimentos e saúde, enquanto esse lugar é, de fato, dos nutricionistas. A questão é que muitos dos nutricionistas, quando vão trabalhar nessas indústrias, acabam adotando ou cedendo ao mesmo discurso.

Em sua tese de doutorado concluída em 2009, a professora de Nutrição da Universidade de Brasília (UnB), Renata Monteiro, buscou verificar como os aspectos psicossociais e situacionais influenciam no consumo e alimentação das crianças. Para tanto, o estudo teve como principal objeto as atitudes e os comportamentos das crianças diante de alimentos saudáveis e não saudáveis. Foram analisadas 290 peças publicitárias de alimentos que apresentaram mensagens destinadas ao publico infantil. Estas peças foram apresentadas na televisão 6.183 vezes, representando 77,2 % do total de exposições de peças publicitárias de alimentos no período de um ano. Destas exposições, Renata constatou que 3,3% eram referentes a produtos saudáveis, enquanto 96,7% eram referentes a alimentos não saudáveis.

Durante sua palestra no seminário, Renata evidenciou algumas das estratégias, muitas vezes enganosas, utilizadas pela publicidade para atrair cada vez mais a atenção do público infantil. Estratégias estas que vão muito além da confecção de embalagens atraentes ou da utilização de recursos lúdicos. As estratégias de marketing estão em todos os lugares, às vezes de maneira tão sutil que passam despercebidas aos olhos dos consumidores menos atentos. Esse é o caso, por exemplo, da disposição das mercadorias nas prateleiras do supermercado e da presença de stands, que deixam os produtos na altura dos olhos das crianças e também próximos aos caixas, estimulando o seu consumo.

Além disso, elas estão migrando para novos espaços, como é o caso da internet. Já é possível observar uma gama de produtos que contêm em sua embalagem o endereço de sites, em que as crianças encontram uma série de jogos e outras atividades. Segundo a professora Renata, mais uma forma de deixá-las por mais tempo em contato com as marcas dos alimentos. Para a professora, um fator também agravante é o surgimento e a difusão do chamado “marketing nutricional”, em que os fabricantes focam nas qualidades de seus produtos, enquanto omitem as informações negativas. Outra variação do marketing nutricional é a associação indireta dos produtos a uma alimentação saudável por meio de propagandas e ações que visam dar dicas de saúde. “É importante destacar que o problema da publicidade não é só o que está sendo anunciado, mas também a forma como ele é apresentado, a importância que é dada a ele e como ele é associado a um comer dos dias de hoje”, evidencia Renata.

Regulamentação

Mariana Ferraz, advogada, mestranda em Direitos Humanos pela Universidade de São Paulo (USP), é integrante do Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor). Como ela mesma explica, o Idec é uma organização não governamental, mantida por associados, e tem uma natureza de reivindicação e proposição de políticas públicas. Um dos temas centrais para os órgãos que defendem o consumidor é a publicidade. A advogada explica que esta é uma preocupação internacional. O que acontece, é que a regulação da área pouco existe aqui em nosso país. “O Brasil está muito aquém do que a gente gostaria. E podemos até comparar com outros países, que possuem iniciativas que inspirariam o Brasil a ter uma regulação mais avançada nesse sentido. Só para citar um exemplo recente: o Peru, este ano, aprovou uma lei que regula a publicidade, proibindo anúncios direcionados para crianças e também a publicidade realizada dentro das escolas. Além de colocar vários critérios para a publicidade de alimento, de forma que o consumidor seja informado sobre a sua natureza. É o que tentamos aprovar no Brasil há muito tempo, mas enfrentamos uma resistência muito grande do setor da indústria e publicitário”, explica.

Segundo Mariana, no Peru também houve uma forte resistência, porém a lei conseguiu ser aprovada. Para ela, com vontade política as coisas podem acontecer. Mas ela já percebe uma mudança no cenário brasileiro que é fundamental neste processo: a apropriação do tema por parte da sociedade civil – por mais que dificilmente a mídia trate do assunto, por ser um tema que pode “ferir” os interesses dos anunciantes. Mariana garante que esta é a melhor maneira de pressionar o poder público para que alguma medida seja tomada, através da informação. A produção de documentários que abordem e debatam sobre o tema são essenciais neste processo, como o “Muito além do Peso”, exibido no evento.

A advogada informa que existem tentativas de regulamentação do setor. Uma delas é a RDC 24, proposta pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Essa resolução teve uma ampla consulta pública e, como explica Mariana, continha as seguintes proposições: regulação do horário das publicidades de alimentos de forma a proteger as criança e o alerta em publicidades televisivas, avisando sobre alimentos que possuem altos teores de substâncias como sódio e açúcar. Mas quando a Anvisa publicou a resolução, a primeira disposição mencionada havia sido retirada. Mesmo assim, ainda tinha sido um avanço. Porém, logo depois da publicação vieram inúmeras reclamações da indústria e de setores publicitários de que a Anvisa não tinha competência para lidar com este assunto. “O Brasil se encontra hoje no limbo, essa resolução está publicada, mas está suspensa. O governo está aguardando pra resolver esse imbróglio…”, lamenta Mariana.

Então, enquanto não existe um progresso substancial nessa área, o setor continua sendo autorregulado, não dando conta de atender as demandas necessárias. Para Mariana, o Conar (Conselho Nacional de Auto-regulamentação Publicitária) consegue resolver as questões de concorrência entre marcas, mas afirma que não é possível designar um órgão que não é governamental para cuidar de interesses públicos. “Há um conflito de interesses patente aí”, ressalta.

Ainda sobre a regulamentação do setor, o professor Edgard afirma que o poder público precisa tomar a iniciativa de defender o interesse público, e não somente os privados. “O problema da obesidade já é classificado pela Organização Mundial da Saúde como uma pandemia, que tende a se agravar nos próximos anos. Se medidas de políticas públicas não forem adotadas urgentemente, os resultados para a saúde coletiva serão enormes a médio e longo prazo. Sou favorável que haja medidas em âmbito municipal, estadual e federal, não apenas sobre a publicidade, mas no estimulo à mudança dos hábitos alimentares”, conclui.

Fonte: Universo.UFES

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Estudos Comprovam a Influência das Marcas e da Publicidade na Alimentação das Crianças

Por Camila Araújo e Camila Leão.

Sabe-se que o público infantil está cada vez mais exposto às mídias sociais, devido a inúmeros fatores, entre eles a maior carga horária de trabalho dos pais, a falta de segurança para brincar nas ruas, o maior acesso às tecnologias, etc. Tal exposição associada à enorme quantidade de publicidade direcionada a esse público, torna as crianças potenciais consumidores. Porém, o principal problema de se igualar as crianças aos adultos nessa lógica consumista, consiste na falta de capacidade de as crianças reconhecerem o caráter promocional e de julgamento entre uma propaganda e as características reais dos produtos, ao menos antes dos 6 anos de idade. A utilização de um mundo de diversão, aprendizado e entretenimento, associados a propagandas repletas de personagens infantis, cores e imagens, torna-se um atrativo praticamente irresistível para o público infantil.

Aliado a isso tem-se ainda a associação entre o consumo alimentar e entretenimento, estratégia frequentemente utilizada pela indústria conceituada como eaterteinment (comida + diversão), que influencia diretamente às crianças e consequentemente os pais. As indústrias de alimentos fazem muitos investimentos na divulgação de refrigerantes, doces, salgadinhos, cereais matinais, fast food, ou seja, alimentos os quais tendem a ser ricos em gorduras, açúcar e sal, bem como pobre em nutrientes.

Dadas as crescentes taxas globais de obesidade e doenças crônicas não transmissíveis, muitos especialistas têm sugerido que a propaganda e a publicidade de tais alimentos contribuem para um ambiente “obesogênico” que torna as escolhas saudáveis mais difíceis, especialmente para crianças.

Muitos restaurantes fast food contam com alternativas, teoricamente, saudáveis no menu (por exemplo, maçãs como alternativa às batatas fritas), contudo, essas opções são pouco selecionadas para consumo – afinal, quem vai em um restaurante fast food, em geral, busca fast food!…

Um estudo realizado por Wansink et al. (2012) [2] investigou se 2 táticas de priming – o priming do modelo admirável e o priming dos alimentos saudáveis – poderiam influenciar crianças a realizarem escolhas mais saudáveis em restaurantes fast food.

O que é o priming?

O estudo define priming como “uma ativação não proposital de uma estrutura de conhecimento”. Ou seja, o priming seria a ativação de um processo cognitivo, em que informações do cérebro são ativadas. Assim, o indivíduo desencadeia um comportamento sem pensar conscientemente nele, de forma “automática”. É o que acontece quando dirigimos um carro, trancamos a porta de casa mas logo em seguida não lembramos se de fato fechamos, ou subimos escadas de um edifício, por exemplo.

O estudo foi realizado com crianças durante um acampamento de férias. O acampamento durou 4 semanas, sendo que todas as quartas feiras as crianças tinham a opção de escolher entre maçãs ou batatas fritas. Na condição controle as crianças eram questionadas sobre sua preferência, sem nenhuma interferência (priming). No priming do modelo admirável foram apresentadas 12 fotos, sendo 6 de personagens considerados “admirados” (como o Batman) e 6 dos “menos admirados” (como o Pinguim) pelas crianças, envolvendo um componente afetivo. Já no priming dos alimentos saudáveis foram utilizadas também 12 fotos, sendo 6 de alimentos saudáveis e 6 de não saudáveis, envolvendo um componente cognitivo.

Quando submetidas ao priming dos modelos admirados, 10 crianças de um total de 22 (45,5%) selecionaram as fatias de maçã ao invés da batata frita. No caso do componente cognitivo, apenas 4 optaram pela maçã e na condição controle, apenas 2 crianças. Assim, como resultado, o componente afetivo teve influência na escolha das crianças por alimentos mais saudáveis, ao contrário do componente cognitivo, que não influenciou suas escolhas.

O estudo sugere que talvez a estratégia de perguntar a uma criança “o que você acha que o Batman comeria?” seria uma boa opção para influenciar uma escolha mais saudável, principalmente em restaurantes fast food. Contudo vale lembrar que muitos restaurantes fast foods utilizam esses personagens do universo infantil para a divulgação de seus produtos não saudáveis, o que talvez possa confundir a criança quanto ao discernimento do que seria um exemplo a ser seguido.

Outro estudo que pesquisou sobre as influências na alimentação infantil, nesse caso, através da marca, foi realizado em 2007 por Robinson et al. O estudo teve como objetivo analisar se a presença de marcas nas embalagens influencia ou não a percepção das crianças a respeito dos alimentos. Foram apresentados alimentos iguais, porém alguns em embalagens do Mc Donald’s e outros em embalagens semelhantes, mas sem a marca estampada.

batata fritaParticiparam do experimento, crianças com idade entre 3 e 5 anos. Os resultados mostraram que a presença da marca nas embalagens influenciou as crianças, sendo que elas consideraram os alimentos ofertados nessas condições, como mais saborosos. Além disso também concluiu-se que aquelas crianças que assistiam mais televisão (mais submetidas ao marketing da empresa) e que consumiam lanches do Mc Donald’s com mais frequência foram as que mais preferiram os lanches com a marca. A pesquisa ainda ressaltou que as crianças que mais frequentam essa rede de fast food, podem ter preferido os alimentos com a marca, pois confiam, sabem da aprovação dos pais e conhecem a origem dos produtos.

Vale ressaltar que mesmo no caso de alimentos que não existiam no menu do Mc Donald’s, como por exemplo, as cenouras (na época ainda não estavam disponíveis no cardápio) foram escolhidas como mais saborosas quando apresentadas com a marca.

O estudo considerou que seria uma boa opção para essas marcas conhecidas ofertar alimentos saudáveis como forma de influenciar o consumo dos mesmos. Porém, no estudo anterior, vimos que quando isso foi feito as crianças continuaram optando pelos não saudáveis.

Relacionado a esse tema o PropagaNUT realizou um estudo em 2011 [1] que avaliou a influência da marca e da presença de personagens nas embalagens de alimentos voltados para o público infantil. O experimento foi realizado em duas escolas particulares do DF, sendo que as crianças tinham em média 5 anos. Foram apresentados alimentos (cereais matinais da marca Nestlé e suco de uva da marca Kapo) iguais, porém em embalagens diferentes. Foram oferecidas 24 pequenas amostras codificadas de produtos alimentícios, que compreenderam 12 pares de produtos: os seis primeiros pares corresponderam a cereais matinais, e os outros seis de suco artificial de fruta, sendo que foram constituídos de alimentos idênticos, porém expostos em embalagens distintas, previamente confeccionadas:

METODOLOGIA ANA DESENHADA

Cereal Matinal: exemplo de combinações utilizadas na metodologia para avaliar a influência da marca, do personagem e da ausência destes nas embalagens de alimentos industrializados.

Como resultado, o estudo mostrou que presença do personagem infantil na embalagem é um fator determinante na escolha dos alimentos, sendo que em alguns casos os participantes relataram diferenças específicas nas características, por exemplo, a crocância e a doçura dos alimentos que possuíam os personagens associados. Nesse caso a marca e outras variáveis sócio demográficas, como a idade, a presença da criança no momento das compras e a quantidade de TVs em casa (tempo de exposição a TV) não foram significativamente relevantes para influenciar a escolha. Isso pode ter ocorrido, devido ao tamanho da amostra ser pequeno e muito similar.

Destaca-se que no estudo de Robinson (2007) [3] foi comprovado que a marca é um fator que influencia a escolha entre os alimentos, o que não foi encontrado no estudo do PropagaNUT. Porém a diferença entre os dois pode ser explicada pelo fato de que a marca utilizado no primeiro foi o Mc Donald’s, amplamente conhecida e difundida, de fácil associação devido ao símbolo e as cores características, o que não acontece com as marcas utilizadas pelo estudo do PropagaNUT.

tumblr_inline_mpqlbvngCr1qz4rgpA partir dos resultados apresentados nos estudos citados, pôde-se perceber que a escolha e o estabelecimento da preferência alimentar infantil são influenciados pela presença da marca e, principalmente, pela presença de personagens infantis nas embalagens de produtos alimentícios. Esses resultados comprovam que o público infantil está suscetível a riscos com relação a sua formação e saúde. Isso leva ao questionamento da não regulamentação da publicidade dirigida a criança, em vista dos prejuízos por ela trazidos e maximizados, como é o caso do quadro da obesidade entre crianças e adolescentes brasileiros, que abrange proporções cada vez maiores. Assim, nota-se a visível necessidade do publico infantil ser protegido com relação as estratégias publicitárias utilizadas, e que sua regulamentação deve ser buscada incansavelmente, de modo que seja direcionada somente aqueles indivíduos capazes de discernir entre o caráter promocional de venda e as características reais do produto.

Fontes:

  1. Influência de Estratégias Persuasivas no Consumo Alimentar Infantil (Estudo do PropagaNUT, 2011)
  2. Wansink B., Shimizu M., Campas G. What would Batman eat?: priming children to make healthier fast food choices, Pediatric Obesity 7, 121–123, 2012.
  3. Robinson T. N.; Borzekowski D. L. G.; Matheson D. M.; Kraemer H. C. Effects of Fast Food Branding on Young Children’s Taste Preferences. Arch Pediatr Adolesc Med. 2007.

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Publicidade Infantil no Programa Cidadania – TV Senado

Em entrevista  ao Programa Cidadania, a Professora e Coordenadora do PropagaNUT Renata Monteiro fala sobre as consequências da publicidade na formação dos valores e do comportamento das crianças.

 

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McDia Infeliz

Por Camila Araújo e Camila Leão.

Desde 1949 quando foi criada a primeira Associação Brasileira de Nutricionistas no dia 31 de agosto, é comemorado o dia do nutricionista. Neste ano de 2013, nessa mesma data, coincidentemente irá ocorrer o McDia Feliz, ação promovida pela rede de Fast Food McDonald’s.

Aqui em Brasília, está sendo organizado o “Ato em Comemoração ao Dia do Nutricionista e Por uma Vida Menos Fast-Food“, que propõe conscientizar a população sobre os efeitos que podem ser causados pelo consumo de alimentos tipo Fast Food. Entre as estratégias utilizadas estão a distribuição de panfletos, o bazar anti-câncer (que contará com café da manhã  e almoço saudável, venda de produtos naturais), exibição de dois vídeos relacionados ao tema e encenação artística sobre “O Julgamento do Ronald McDonald”.

Ao divulgar essas informações nas redes sociais, recebemos alguns comentários de leitores a favor da campanha. Respeitamos o ponto de vista de cada um, mas ressaltamos que o intuito do PropagaNUT em divulgar esse ato e levantar a crítica contra o McDia Feliz, foi levar as pessoas a pensar e questionar se uma empresa que vende produtos que estão relacionados com o aumento dos riscos de desenvolvimento de câncer, deveria promover uma campanha em prol de crianças e adolescentes com a doença (será que o McDonald’s não contribuiu de alguma forma, para que uma criança tenha câncer atualmente?).
Além disso devemos repensar se essa é uma estratégia realmente assistencial ou se, assim como em outros casos já mostrados no PropagaNUT ( veja mais aqui e aqui), a empresa está apenas fazendo um marketing disfarçado, sem assumir que tem boa parte da culpa pelo real problema de saúde pública atualmente – não só o câncer, mas também obesidade, diabetes, hipertensão entre outros.
Para quem ainda acha que esses alimentos não fazem tão mal assim, vale a pena conferir a vídeo aula do Nutricionista e Professor Henrique Freire, que discute alguns aspectos importantes sobre esse tema.

Clique na imagem para ser direcionado à página do vídeo.

Acreditamos que  quanto mais informação as pessoas têm, melhor é o seu julgamento sobre determinado assunto e, portanto, esse vídeo torna-se fundamental para embasar discussões a respeito dos efeitos e das reais intenções do McDia Feliz.

O que é o McDia Feliz (segundo o Mc Donald’s):

Coordenado pelo Instituto Ronald McDonald, o McDia Feliz é o principal evento comunitário brasileiro e se tornou a maior e mais reconhecida campanha do país pela cura do câncer infantojuvenil, com a participação de milhares de voluntários, instituições de atendimento a crianças e adolescentes com câncer e de todo o Sistema McDonald’s – Funcionários, Franqueados e Fornecedores.

O evento garante o dia de maior movimento em mais de 600 restaurantes McDonald’s, contando com uma mobilização de mais de 30 mil voluntários. Ao longo de 24 anos de realização da campanha, os recursos obtidos com o McDia Feliz contribuíram para o expressivo crescimento do índice de cura da doença no Brasil: de 15%, no final da década de 80, podendo chegar a 85% atualmente caso diagnosticado nos estágios iniciais.

Fica claro que nesse dia de “celebração” contra o câncer, as redes da lanchonete ficam super lotadas, aumentando bastante o faturamento – pois não é vendido SOMENTE o sanduíche Big Mac; com certeza outros produtos estão sendo comercializados, em especial, a “caixinha feliz” com brinquedo. E quando eles explicam como o Dia Feliz contribuiu para a cura do câncer? Não teria sido o avanço da medicina? Talvez não… Não sem a ajuda do McDonald’s! #ironia

Para aqueles que comem pensando em contribuir para a causa do câncer, existem outras formas de ajudar, não só essas instituições, mas diversas outras; não precisamos que uma “segunda pessoa” repasse a nossa doação, podemos fazer isso diretamente. E também vale ressaltar que quando você mesmo faz a doação, é possível doar mais do que bens materiais! Você pode doar carinho, atenção, uma parte do seu dia para alegrar a vida das pessoas que são ajudadas por essas instituições! E no caso dos que comem porque gostam do lanche: vejam o vídeo, conheçam mais a respeito do que vocês estão comendo e repensem!

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Saiba o que você está comendo: Catchup

Por Camila Araújo, Camila Leão e Mariane Bandeira.

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Aproveitando o tema do último post da série Saiba o que você está comendo: Molho de Tomateo PropagaNUT resolveu explicar um pouco sobre o catchup (ou ketchup). Uma das razões é por estarem enquadrados na mesma resolução da Anvisa (RDC no 276, de 22 de setembro de 2005) que fala sobre especiarias, temperos e molhos.

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Henry John Heinz e sua “criação”.

Acredita-se que o condimento tem sua origem na cultura chinesa, chamado de ketsiap (que significa molho), utilizado para acompanhar peixes. Na Malásia, uma outra versão deste mesmo molho tem o nome de kechap, que significa gosto. O catchup moderno foi idealizado pelo norte-americano Henry J. Heinz, que teve a ideia de incluir molho de tomate à fórmula. Heinz comercializou pela primeira vez o catchup em 1876.

Hoje o molho é amplamente consumido por pessoas de todas as idades. Mas e aí, catchup pode ou não pode? Analisamos o rótulo de 5 marcas: Heinz, Hellmans, AriscoQuero e Etti. Cada uma delas nas versões tradicional e picante. Em todos, o que chama atenção é a quantidade elevada de açúcar. Na marca Heinz, por exemplo, a quantidade de açúcar em uma porção (12g ou uma colher de sopa) é de 3,5g. Em 100g desse catchup, a quantidade de açúcar seria de 30g – o que é elevado, segundo parâmetros do Semáforo Nutricional, que classifica como elevada a presença de mais de 12g do carboidrato em 100g do produto, ou seja, mais que o dobro! E vale ressaltar também a quantidade de sódio, mais de 100mg por porção. E esse padrão se repete em todas as outras marcas analisadas.

Outra questão preocupante são os ingredientes utilizados nesses produtos. Analisando os rótulos dessas 5 marcas, vimos que muitas vezes estão presentes diversos aditivos, como por exemplo, conservantes e corantes. Sabe-se que esses ingredientes normalmente são compostos químicos que não são encontrados na natureza e além disso, esses aditivos são ricos em sódio, aumentando consideravelmente a quantidade total no produto. Também chamam a atenção ingredientes como o amido modificado, que é uma forma de amido que passa por mudanças químicas com o objetivo de melhorar características de consistência e estabilidade ao produto. Porém essas modificações tornam o produto ainda mais industrializado.

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Além disso, muitas propagandas passam a ideia de que o catchup é um alimento saudável, já que contém tomate na sua composição. O Ketchup Hellmann’s já veiculou propaganda (assista o vídeo) dizendo que uma embalagem (de 390g) do seu catchup continha 10 unidades de tomate e, para piorar, ainda finalizava com uma atriz comentando “Ah, mais saudável!”…

TOMATE E KETCHUP HELMANNS

Imagem postada na fun page do Ketchup Hellmann’s no Facebook, em abril, época em que o preço dos tomates estava bem alto.

E o pior é que muita gente acredita nisso… É fato que o tomate é um alimento nutritivo, rico em vitaminas A e E, com presença de sódio, magnésio, cálcio, folato e potássio, além de conter licopeno, um potente antioxidante (leia mais aqui).

O tomate e os produtos à base de tomate são as maiores fontes de licopeno, o qual ajuda a combater o estresse oxidativo* do organismo, prevenindo contra o desenvolvimento de certas doenças crônicas, como câncer e doenças cardiovasculares.

Para quem não sabe, o estresse oxidativo do organismo é provocado pelo excesso de radicais livres, que podem ser resultado de medicamentos, poluição, cigarro e até da dieta. Ou seja, alimentos não saudáveis, ricos em conservantes, açúcar, sódio, gordura (resumindo, os junk foods), contribuem bastante para aumentar esse estresse no nosso organismo, que está envolvido com o processo de envelhecimento, além de doenças como câncer, aterosclerose, diabetes, inflamações crônicas, doença de Alzheimer, doença de Parkinson, artrite reumatoide, doença intestinal inflamatória, entre diversas outras doenças.

licopeno-alim-procO processamento térmico dos tomates e de seus produtos, bem como a presença de gorduras alimentares (pelo fato de ser um composto lipossolúvel) melhora a biodisponibilidade do licopeno, ou seja, melhora a sua absorção. Logo, em alimentos processados, como molhos, purês e no próprio catchup, existe maior teor de licopeno (Shami & Moreira, 2004).

Contudo, o fato de o catchup conter um composto antioxidante, não o torna necessariamente saudável. É importante levar em consideração a totalidade de ingredientes que o compõem.

Levando tudo isso em conta, será que vale a pena mesmo consumir o catchup?

Referência – licopeno:

Shami, N.J.I.E. & Moreira, E.A.M. Licopeno como agente antioxidante. Rev. Nutr. [online]. 2004, vol.17, n.2, pp. 227-236. ISSN 1415-5273.

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Exibição do documentário Muito Além do Peso foi um sucesso!

Por Camila Araújo e Mariane Bandeira.

A exibição do documentário Muito Além do Peso, promovida pelo PropagaNUT na noite da última segunda-feira (8/7) na Livraria Cultura, foi um sucesso!

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Mesa Redonda – Renata Monteiro, Raquel Fuzaro, Eduardo Damasceno e Elisabetta Recine.

Renata Monteiro: professora do Departamento de Nutrição da Universidade de Brasília e coordenadora do PropagaNUT – moderadora da discussão.
Raquel Fuzaro: advogada, ativista social e mãe, membro do Movimento infância Livre de Consumismo.
Eduardo Damasceno: publicitário, sócio e diretor de criação da agência de comunicação Albergue Criativo e sócio e designer da empresa de objetos criativos dZáin.
Elisabetta Recine: professora do Departamento de Nutrição da Universidade de Brasília, conselheira do Consea e também uma das entrevistadas no documentário.

O evento contou com convidados especiais de diversas áreas, o que enriqueceu o debate, já que trouxe argumentos do ponto de vista acadêmico e da sociedade civil. Foi falado sobre políticas públicas e ações de Educação Alimentar e Nutricional nas escolas e de como elas têm um papel importante na formação e ensino de hábitos alimentares – mas como isso ainda é pouco explorado nas disciplinas e atividades escolares. Além disso, foi discutido também sobre as experiências de cada um em diferentes papéis – como mãe ou como indivíduo influenciado pela mídia, por exemplo -, sobre como os alimentos industrializados estão “arraigados” no nosso dia a dia e de como existe uma dependência do seu consumo na sociedade atual.

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Renata Monteiro – coordenadora do PropagaNUT.

A discussão contou ainda com a participação da plateia debatendo o seu ponto de vista sobre o tema, os impactos que o filme gerou, bem como a sua experiência com os filhos em relação ao contexto atual e a alimentação.

A equipe do PropagaNUT agradece a presença de todos que participaram dessa noite conosco. Esperamos ter contribuído um pouco mais para despertar a reflexão e conscientização a respeito dos problemas relacionados a má alimentação, com o consumo excessivo de alimentos industrializados, a influência da publicidade na formação dos hábitos alimentares e como tudo isso culmina no crescimento  da epidemia atual de obesidade.

equipe

Equipe do PropagaNUT e convidados: Camila Leão, Renata Monteiro, Raquel Fuzaro, Eduardo Damasceno, Elisabetta Recine, Camila Araújo e Mariane Bandeira.

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PropagaNUT promove exibição do documentário Muito Além do Peso em Brasília

No dia 8 de julho (segunda-feira) às 19h, o PropagaNUT irá promover a exibição gratuita do documentário Muito Além do Peso no Teatro Eva Herz, da Livraria Cultura – Shopping Iguatemi de Brasília. A sessão será seguida de um debate moderado por Renata Monteiro (professora da Universidade de Brasília e coordenadora do PropagaNUT), com a presença de Elisabetta Recine (professora da Universidade de Brasília, conselheira do Consea e uma das entrevistadas no documentário), Raquel Fuzaro (advogada, ativista social e mãe, membro do Movimento infância Livre de Consumismo) e Eduardo Henrique Damasceno (publicitário, sócio e diretor de criação da agência de comunicação Albergue Criativo e sócio e designer da empresa de objetos criativos dZáin).

O documentário aborda sobre um problema crescente:

Pela primeira vez na história da raça humana, crianças apresentam doenças de adultos: problemas de coração, respiração, depressão e diabetes tipo 2. Todos têm em sua base a obesidade. O documentário, com direção de Estela Rener e produção de Marcos Nisti, discute por que 33% das crianças brasileiras pesam mais do que deviam. As respostas envolvem a indústria, o governo, os pais, as escolas e a publicidade. Com histórias reais e alarmantes, o filme promove uma discussão sobre a obesidade infantil no Brasil e no mundo.

 Diante da epidemia global de obesidade infantil, levando em conta a influência da publicidade e das mídias na infância e nos hábitos alimentares, é importante expor essa realidade para pais, educadores, crianças, estudantes, enfim, para o público em geral, com o intuito de informar, conscientizar e discutir sobre o problema.

Participe dessa discussão conosco! Divulgue para seus pais, amigos e familiares. Contamos com a presença de vocês!

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