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Bolinho Bauducco “Roll Cake Brigadeiro”, será que é uma boa opção de lanche para seu filho?!

Por Camila Araújo e Camila Leão.

360x360_484674_1Tendo em vista o contexto atual de aumento nas prevalências de excesso de peso entre a população, em especial entre crianças e adolescentes, causada principalmente pelo consumo de alimentos ricos em gorduras trans e saturadas, sódio e açúcar, foi realizada a análise das informações nutricionais do bolinho Bauducco “Roll Cake Brigadeiro”.

Primeiro, vamos mostrar um pouco desse contexto:

A fase da vida que compreende a infância (5 a 9 anos) e a adolescência (10 a 19 anos) é um período de modificações fisiológicas, psicológicas e sociais (OPAS, 1998). Fatores hereditários, ambientais, psicológicos e nutricionais influenciam as diversas modificações desse período. Por ser uma fase marcada por transformações, acaba sendo também o período em que são construídos e consolidados os hábitos alimentares e o estilo de vida. Assim, fatores como auto-imagem, valores, necessidades fisiológicas, preferências pessoais, experiências e conhecimentos, busca por autonomia, questionamento dos padrões familiares, interação grupal e a mídia, especialmente a televisão, influenciam nas escolhas de crianças e adolescentes (Boccaletto & Mendes, 2009).

Pesquisas mostram que a publicidade tem como público-alvo as crianças, e não o decisor da compra, pois a linguagem e as imagens têm um apelo infantil, sendo as mensagens mais afetivas, apelando ao lúdico, o mundo sonhado pela criança, o super-herói, as brincadeiras com a turma, entre outros. Além disso, outra característica desse tipo de publicidade é a demora para que o produto em si seja apresentado, ressaltando que a conquista do público não está relacionada com o produto, mas sim, com o imaginário envolvido em seu consumo. Vale destacar ainda o fato de que, normalmente, nessas peças publicitárias, os atores infantis são sempre eutróficos (Pain & Reinert, 2013).

Estas características podem ser observadas na peça publicitária do bolinho Bauducco “Roll Cake Brigadeiro”, que apresenta um mundo ideal feito para as crianças, no qual tudo que ela deseja se realiza – por exemplo, bagunça no banho, muitas histórias antes de dormir, o cafuné da mãe, janelas que não quebram e, evidentemente, o produto anunciado.

Além disso, nenhuma informação nutricional, nem orientação para consumo relativo à saúde (por exemplo, que o consumo excessivo pode causar mal à saúde ou qual o limite diário a ser consumido) foi encontrada na peça publicitária em questão, assim como descrito no estudo de Pain & Reinert (2013). Também não foi encontrada nenhuma informação direcionada aos pais e estes, quando aparecem, participam apenas de maneira secundária no comercial (como a mãe fazendo cafuné ou a professora ministrando a aula).

Campanha da Bauducco – Reino das crianças

Descrição da campanha seguindo a produtora: Este filme faz parte da campanha criada para o lançamento dos bolinhos Roll e Duo, da Bauducco. Estreou no dia 14/9/11. O filme “Reino das Crianças”, começa a ser veiculado nos canais a cabo e, em seguida, na TV aberta, leva os espectadores ao mundo ideal das crianças, em que os banhos são brincadeiras que se estendem pelo chão do banheiro, os pais contam centenas de histórias na hora de dormir, todos têm direito a cafuné da mãe o dia todo e, na escola, a um lanchinho gostoso com os novos bolinhos da Bauducco.

Segundo Monteiro et al. (2008), 72% das propagandas de alimentos infantis no Brasil são de alimentos não saudáveis, e o impacto desses alimentos para os consumidores é facilmente sentido, visto que os casos de obesidade infantil têm aumentado no país e no mundo (Monteiro et al., 2008; Kelly et al., 2010).

De acordo com a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2008 e 2009, as prevalências de obesidade na população adulta são de 12,5% entre os homens e 16,9% entre as mulheres. Já entre as crianças, o excesso de peso abrange cerca de 33,5% na faixa etária de 5 a 9 anos de idade – quase o triplo do valor encontrado na Pesquisa Nacional de Saúde e Nutrição de 1989 (IBGE, 2010). Em 20 anos, as prevalências de casos de obesidade foram multiplicadas por quatro entre os meninos (4,1% para 16,6%) e por praticamente cinco entre as meninas (2,4% para 11,8%) (IBGE, 2010).

Agora vamos às informações sobre o bolinho:

INFORMAÇÃO NUTRICIONAL

Porção de 38 g (1 unidade) ***

Quantidade por porção

% VD *
Valor energético

154 kcal = 647 kJ

8%

Carboidratos

22g

7%

Proteínas

2g

3%

Gorduras totais

6,5g

12%

Gorduras saturadas

4,6g

21%

Gorduras trans

0g

**

Gorduras monoinsaturadas

1,2g

**

Gorduras poli-insaturadas

0,4g

**

Colesterol

23mg

8%

Fibra alimentar

0,8g

3%

Sódio

57mg

2%

Vitamina B1 (Tiamina)

0,07mg

6%

Vitamina B2 (Riboflavina)

0,08mg

6%

Niacina

0,92mg

6%

Vitamina B6

0,08mg

6%

Cálcio

57mg

6%

* % Valores Diários de referência com base em uma dieta de 2000 kcal ou 8400 kJ.** Valor Diário não estabelecido*** Porção de referência de 60g.

Ingredientes

Farinha de trigo enriquecida com ferro e ácido fólico, ovo integral, açúcar, cobertura sabor chocolate (20%) [açúcar, leite desnatado, soro de leite, cacau em pó e gordura vegetal], recheio sabor chocolate (16%) [gordura vegetal, açúcar, cacau em pó, glucose, aromatizantes, emulsificante: lecitina de soja (INS 322), conservador: ácido sórbico (INS 200) e umectante: glicerina (INS 422)], calda (16%) [açúcar, glucose, aromatizante e conservador: ácido sórbico (INS 200)], glucose, confeitos açucarados (5%), cacau em pó, leite integral, sal, gordura vegetal, fosfato tricálcico, vitaminas: B1, B2, niacina, B6 e A, umectante: sorbitol (INS 420), emulsificante: mono e diglicerídeos de ácidos graxos (INS 471), fermentos químicos: bicarbonato de sódio (INS 500ii) e pirofosfato ácido de sódio (INS 450i), conservadores: ácido sórbico (INS 200) e propionato de cálcio (INS 282) e acidulante: ácido cítrico (INS 330). Contém Glúten.

ft_prod_1_161_pPrimeiramente, vale destacar que as informações nutricionais presentes no bolinho Bauducco “Roll Cake Brigadeiro” são apresentadas de forma bastante confusa, o que pode levar o consumidor a interpretar de forma errada as quantidades de cada nutriente que está ingerindo ou oferecendo a seu filho. Uma unidade do produto contém 38g e esta informação é ressaltada na tabela nutricional. Porém, ao lado desta encontram-se 3 asteriscos que remetem a uma legenda com letras minúsculas as quais informam que os valores apresentados são compatíveis com 60g do produto, ou seja, aproximadamente 1e ½ unidades. Este valor se mostrou inadequado, visto que é muito difícil o consumo dessa quantidade apenas – ou a criança consome um bolinho inteiro, ou dois. O quadro 2 mostra os valores referentes a uma unidade do bolinho.

INFORMAÇÃO NUTRICIONAL

Porção de 38g

Quantidade por porção

% VD *
Valor energético

98 kcal

5%

Carboidratos

13,93g

4%

Proteínas

1,26g

2%

Gorduras totais

4,11g

8%

Gorduras saturadas

2,91g

13%

Gorduras trans

0g

**

* % Valores Diários de referência com base em uma dieta de 2000 kcal ou 8400 kJ.** Valor Diário não estabelecido

Quadro 2. Informações Nutricionais presentes em uma unidade (38g) do bolinho Bauducco “Roll Cake Brigadeiro”.

Com base nas informações do quadros 1 e 2, bem como da tabela 1, é possível perceber que as gorduras totais do bolinho Bauducco “Roll Cake Brigadeiro” encontram-se em teores classificados como médios, enquanto as gorduras saturadas estão presentes em teores classificados como altos.

Já com relação à quantidade de açúcar, não foi possível realizar uma classificação, uma vez que o rótulo não informa a quantidade de açúcar (em gramas) que foi adicionado no produto. As únicas informações disponíveis quanto ao açúcar, especificamente, é que ele se encontra como o terceiro[1] ingrediente presente na lista de ingredientes do bolinho e como ingrediente do recheio, da cobertura e da calda, presente em altos teores (como primeiro ou segundo ingrediente desses últimos), de forma que a quantidade de açúcar provavelmente representa grande parte dos carboidratos do alimento.

Tabela 1. Referências do Semáforo Nutricional (Food Standarts Agency, 2007) quanto aos teores de gorduras totais, gorduras saturadas, açúcares e sódio.

Nutriente

Bolinho Bauducco

Médio teor

Alto teor

Gorduras totais

10,8g/100g

> 3g e ≤ 20g/100g

> 20g/100g

Gorduras saturadas

7,6g/100g

> 1,5g a ≤ 5g/100g

> 5g/100g

Açúcares

36,6g/100g *

> 5g a ≤ 12,5g/100g

12,5g/100g

Sódio

0,09g/100g

> 0,30g a ≤ 1,50g/100g

1,5g/100g

* Quanto aos “açúcares” do bolinho, foi considerada a quantidade total de carboidratos para a realização do cálculo, uma vez que o fabricante não discrimina a quantidade de açúcar adicionado.

Segundo o Guia Alimentar para a População Brasileira (2005), o consumo de gorduras totais não deve ultrapassar os limites de 15% a 30% da energia total da alimentação diária de um indivíduo adulto. Além disso, o total de gordura saturada consumida não deve ultrapassar 10% do total da energia diária, enquanto o total de gordura trans deve ser menor que 1% do valor energético total diário (no máximo 2g/dia para uma dieta de 2.000 kcal).

Já a I Diretriz sobre o consumo de Gorduras e Saúde Cardiovascular (2013), da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), recomenda que, para crianças, a ingestão de gorduras deve estar entre 25% e 35% (VET).

Se levarmos em conta que a quantidade de gorduras totais presentes em uma unidade do bolinho corresponde a 7,6% do Valor Diário, o consumo de uma unidade já é suficiente para atingir mais da metade da quantidade de gorduras que deve ser consumida em um dia (com base na recomendação de 15% do Guia Alimentar), tendo em vista que o indivíduo ainda irá consumir, pelo menos, mais 2 ou 3 refeições ao longo do dia. Vale ressaltar ainda, que esse Valor Diário é referente a uma dieta de 2.000kcal, um valor de referência para adultos. Quando esse %VD é aplicado à dieta de uma criança, esses percentuais ficam ainda mais críticos e o risco à saúde é ainda maior.

Quando analisado de acordo com a Diretriz da SBC (2013), esse valor de gorduras totais não se mostra tão elevado. Contudo, é importante pensar na qualidade dessa gordura, uma vez que a gordura saturada presente em um bolinho representa 13,3% do Valor Diário para a mesma, ultrapassando a recomendação de 10%, tanto do Guia Alimentar quanto da Diretriz da SBC, com o consumo de apenas um bolinho. Além disso, a tabela de informações nutricionais declara haver 0g de gordura trans na porção – apesar da lista de ingredientes citar o uso de gordura vegetal no produto.

Gordura Trans

No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), regulamentou a indicação desta gordura nas informações nutricionais, através da resolução RDC nº 360 de 23 de dezembro de 2003, a qual preconiza que apenas os produtos que contenham ácidos graxos trans em quantidade menor ou igual a 0,2 g por porção sejam designados como zero trans.

É importante destacar que a indústria se baseia em porções estipuladas pela própria Anvisa; no entanto, o fato de a porção apresentar-se como isenta de trans não necessariamente assegura que o produto tenha sido produzido sem essa gordura (Santos et al., 2013).

Desta forma, observa-se que é exatamente este o artifício utilizado pelo fabricante: a declaração de que o produto voltado para crianças apresenta 0g de gordura trans (na porção), apesar de ter a presença de gordura vegetal entre os ingredientes do bolo.

Vale destacar ainda que, atualmente, os principais alimentos que contêm um significativo teor de ácidos graxos trans são: sorvetes, chocolates diet, barras achocolatadas, salgadinhos de pacote, bolos/tortas industrializados, biscoitos, bolachas recheadas, gorduras vegetais hidrogenadas, pães e produtos de panificação entre outros (Merçon, 2010).

Gordura Saturada

Para crianças maiores de dois anos e adolescentes de perfil lipídico normal, recomenda-se que a ingestão de gordura esteja entre 25% e 35% (VET) e < 10% de ácidos graxos saturados (Santos et al., 2013). Já para crianças maiores de dois anos e adolescentes com perfil lipídico alterado, a ingestão de gorduras deve se manter entre 25% e 35% para manutenção de ganho de peso e para crescimento normal. Contudo, a recomendação de ácidos graxos saturados, nesses casos, deve ser 7% do VET (Santos et al., 2013).

Tabela 2. Recomendação de ácidos graxos saturados (g) de acordo com o Valor Energético Total (VET) da dieta (kcal).

VET

Recomendação de gorduras saturadas

10% do VET

7% do VET

2000kcal

22g

16g

1800kcal

20g

14g

1500kcal

17g

12g

1200kcal

13g

9g

Em contrapartida, o bolinho Bauducco fornece cerca de 21% de gorduras saturadas (considerando que 22g é o máximo de gordura saturada que deve ser consumida) – tudo isso, tomando como base um indivíduo que consuma 2000kcal. Em geral, crianças consomem uma dieta com menor quantidade de calorias, o que representa uma quantidade bastante elevada de gordura saturada, aumentando os riscos à saúde, principalmente se a criança apresentar consumo excessivo/diário desse produto alimentício.

Açúcar

O Guia Alimentar (2005) também faz recomendações com relação ao consumo de açúcares simples. De acordo com o documento, o consumo de açúcares simples não deve ultrapassar 10% da energia total diária. Isso significa redução de, pelo menos, 33% (um terço) na média atual de consumo da população.

Como dito anteriormente, a tabela nutricional do bolinho Bauducco não apresenta a quantidade de açúcares adicionados, e sim os carboidratos totais do bolinho. Entretanto, em análise realizada no Laboratório Bromatológico Nacional – lbnanálises – no ano de 2011, foram apresentados resultados mais detalhados (figura 1). O laudo confirmou que 100g do produto continham 41,29g de açúcares (glicose e sacarose), ou seja, uma unidade do bolinho (38g) contém 15,69g destes açúcares.

Figura 1. Análise laboratorial da quantidade de açúcar presente no bolinho Bauducco “Roll Cake Brigadeiro”, realizada em 2011.

laudo roll cake

Classificando de acordo com o Semáforo Nutricional (Food Standarts Agency, 2007), este item ficaria na cor vermelha, indicando o alto teor de açúcar presente no produto. Quando comparado ao valor recomendado pelo Guia Alimentar, a quantidade de açúcar também é considerada alta, visto que 10% de uma dieta de 2000kcal representa 200kcal ou 50g de carboidratos, e uma única unidade do produto já representa cerca de 30% do valor recomendado pelo Guia.

É preciso que haja revisão da composição, da publicidade, e das informações nutricionais presentes na embalagem do produto, visto que estes encontram-se em desacordo com o que seria aceitável para a manutenção de um padrão alimentar saudável. Além disso, destaca-se que as informações presentes no rótulo, pelo fato de não serem claras, podem levar o consumidor à confusão no momento da compra e prejudicar a escolha do alimento.

Ao realizar a análise nutricional do bolinho Bauducco, conclui-se que este é um produto alimentício com elevados teores de açúcar e gorduras, principalmente gordura saturada. Este fato torna-o não recomendado para o consumo frequente por crianças.

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Chocolate pode MESMO comer sem culpa?!

Por Camila Araújo e Camila Leão.

Vocês viram a revista Veja dessa semana?

veja chocolate

Chocolate pode MESMO comer sem culpa?!

É preciso ter cuidado e senso crítico ao ler esse tipo de informações! Uma revista de grande circulação, como é a Veja, não foi nada cuidadosa ao divulgar essa matéria.

Muitas vezes as pessoas não tem acesso à reportagem  e, ao ler apenas a capa, tomam isso como uma verdade absoluta – logo abaixo do título de capa, a revista ainda se respalda afirmando que essas informações foram trazidas pela “ciência”.

Ao ler a reportagem completa, verificamos que ela até traz alguns aspectos positivos ao longo do texto, citando vários alimentos fontes de flavonóides, além de citar que o chocolate  amargo é o “ideal”, por conter maior quantidade de flavonóides e maior concentração de cacau  (apesar de em outros momentos, dar a entender que qualquer chocolate possui essas qualidades).

Contudo, algumas informações podem ficar confusas, por exemplo, a recomendação de consumir rúcula com “parcimônia” ou a falta de uma ressalva na quantidade de castanha do pará que deve ser consumida por dia.

Além disso, o ponto que mais nos chamou atenção, foi o estudo citado como base para o principal tema da matéria, ou seja, o chocolate. Buscamos o artigo original para entender um pouco melhor o estudo, porém ele não encontra-se totalmente acessível, estando disponível apenas o seu resumo. E qual não foi a nossa surpresa ao ler que apenas homens faziam parte da pesquisa?! Ao apresentar esses dados, a revista afirmou que o consumo de 63g de chocolate por semana, reduzia em 20% as taxas de derrame em homens e mulheres. Como a Veja não citou o nome dos autores e nem o título do artigo, fica um pouco difícil ter certeza de qual estudo foi utilizado, mas no resumo que encontramos o número de homens que teria participado da pesquisa é exatamente igual ao apresentado na reportagem, nos levando a crer que este foi o estudo utilizado (outros textos sobre o artigo que encontramos aqui e aqui).

É preciso buscar fontes seguras, através de textos científicos e de bons profissionais de saúde. Além disso, destacamos a importância de ler os rótulos e no caso dos chocolates, preferir aqueles que possuem mais cacau e menos açúcar, ou seja, os famosos amargos – o primeiro ingrediente da lista de um bom chocolate deve ser cacau (ou massa de cacau)!

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Pesquisa Nacional do México sobre Obesidade

Por Camila Araújo e Camila Leão. 

Foi realizado no México a entrega dos primeiros resultados da Pesquisa Nacional Sobre Obesidade. A pesquisa foi realizada com 1500 indivíduos, pessoalmente, no período de 19 a 23 de julho de 2013, coletando dados como peso e altura de todos os participantes, com o objetivo de cruzar essas informações com a percepção de cada um a respeito de seu estado nutricional. Como resultados, apenas 11% das pessoas que estão obesas, se reconheceram como tal, e 49% das pessoas com sobrepeso consideraram que estavam com um peso normal. Entre todos os entrevistados, somente 17% declararam ter sido diagnosticados com sobrepeso ou obesidade. Apesar disso, 90% dos participantes considera que o sobrepeso representa um risco para a saúde e 83% dos participantes considera que a obesidade é um problema muito grave, sendo que 94% acham que aumenta o risco para diabetes, 92% acham que aumenta o risco para hipertensão, 90% acham que aumenta o risco para doenças cardiovasculares e 64% para câncer. 

Além disso, também foram realizados questionamentos a respeito de publicidade de alimentos direcionados ao público infantil, alimentação escolar, rotulagem de alimentos industrializados. Entre alguns dos resultados encontrados, destacamos os seguintes:

encuesta-mexico-etiquetado

encuesta-mexico-proibicao

encuesta-mexico-publ

encuesta-mexico-publicidad

Além destes, também foi observado que 85% dos entrevistados é favor da instalação de bebedouros nas escolas e acha que os rótulos de alimentos deveriam conter o semáforo nutricional como advertência a respeito da composição e, consequentemente, do quão saudável o produto é. Quanto à questão da publicidade voltada para crianças, 77% acredita que os brinquedos e brindes promocionais associados a alimentos não saudáveis também deveriam ser proibidos e 87% acreditam que o uso de personagens infantis na publicidade de alimentos influenciam as crianças.

A população mexicana considera que:

  • Os rótulos dos produtos industrializados não ajudam a fazer escolhas saudáveis;
  • ​​A publicidade dirigida às crianças é enganosa e promove alimentos e bebidas não saudáveis​​;
  • Os alimentos disponíveis nas escolas também não são saudáveis ​​e que uma grande percentagem de crianças não têm acesso à água potável nas escolas.

Ainda concorda que sejam tomadas medidas para regulamentar a rotulagem, a publicidade de alimentos e bebidas dirigida às crianças, bem como melhorar a qualidade dos alimentos e a disponibilidade de bebedouros nas escolas.

Saiba mais acessando a pesquisa: Encuesta Nacional sobre Obesidad – Alianza por la Salud Alimentaria.

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Saiba o que você está comendo: Barrinhas de Cereal

Por Camila Leão e Camila Araújo.

barra_cereal

Sabe aquela barrinha de cereal, que você acredita ter mil qualidades? O PropagaNUT avaliou o rótulo de três diferentes marcas, Nutry, Trio e Nestlé, e concluiu que não é bem assim…

Analisando a lista de ingredientes das barrinhas Nutry e Trio, vimos que o primeiro ingrediente, e portanto, o que está presente em maior quantidade é a glicose, ou seja, açúcar. No caso da barrinha da Nestlé, o primeiro ingrediente é a aveia em flocos e o xarope de glicose só aparece como terceiro da lista. Mas será que o açúcar só está presente nesta forma? NÃO!! Encontramos também maltodextrina, mel, açúcar propriamente dito, açúcar mascavo e açúcar invertido.  Na barra da marca Nutry, todos esses ingredientes aparecem juntos, e nas outras duas, pelos menos 2 deles encontram-se na lista.

nutry3

Informações retiradas do site. Em destaque, os açúcares e a quantidade de fibras presentes na barra de cereal Nutry.

trio5

Informações retiradas do site. Em destaque, os açúcares e a quantidade de fibras presentes na barra de cereal Trio.

nestlé3

Informações retiradas do site. Em destaque, o primeiro ingrediente presente na barra de cereal Nestlé – a aveia – e a quantidade de fibras.

Outro detalhe bem importante, é que quando comemos uma barrinha de CEREAL, imaginamos que estaremos consumindo um quantidade significativa de fibras, certo? ERRADO! Entre essas três marcas, a que tem a maior quantidade de fibras é a da Nestlé que possui 4,4g, equivalente a 18% do recomendado por dia. Porém, as outras duas barrinhas possuem 0,4g de fibras, ou seja, praticamente NADA!barra de cereal 2

Quanto às gorduras, vimos que todas as barrinhas possuem óleo/gordura de palma, um tipo de gordura que é composta por cerca de 50% de gordura saturada, aquela que quando consumida em excesso pode provocar doenças cardiovasculares e obesidade.

Assim, dentre as 3 marcas de barrinhas que comparamos, a da Nestlé se mostrou a melhor opção, ou a “menos pior”, por conter mais fibras (algo que se espera em uma barrinha de cereal) e um menor teor de açúcar.

Outro pequeno detalhe que vale a pena ser dito: você já parou pra olhar os sites de divulgação de algumas dessas barrinhas? O site da própria Nutry se chama “Eu quero viver bem”, dando dicas sobre como conquistar a paz interior, fazer o bem, cultivar relacionamentos e cuidar do corpo, além de dicas sobre atividade física e alimentação. Ah, e falando também como ela tem um alto teor de fibras (oi?). Já o site da Trio mostra imagens fantásticas de frutas, castanhas e cereais que participam (ou deveriam participar como ingredientes principais, e não como coadjuvantes) da composição de suas barrinhas.

Mas pera aí, como uma barra de cereal cheia de açúcar quer passar a ideia de saúde e de que pode me ajudar a “viver bem”? Não faz muito sentido…

E aí? Você ainda acha que essas barrinhas realmente são saudáveis e cheias de qualidade?? Com certeza é um lanche prático e não podemos ignorar essa vantagem na correria do dia a dia, porém é preciso ter moderação e bastante cuidado na escolha da melhor opção!

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Hambúrguer 100% de carne “in vitro”

Por Mariane Bandeira.

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Justo nessa semana, em que comemoramos o Food Revolution Day (Dia da Revolução Alimentar, tradução livre), um movimento que incentiva as pessoas a cozinharem e comerem comidas frescas e saudáveis (veja esse post), o jornal The New York Times divulga a reportagem sobre um cientista da Universidade de Maastricht, Países Baixos, que desenvolveu hambúrguer em laboratório e quer financiamento para produzir a iguaria em larga escala.

O hambúrguer foi montado a partir de pequenos pedaços de tecido muscular de carne cultivada em laboratório. A carne é produzida a partir de materiais como soro fetal de vitelo, usado como meio no qual se crescem as células. O líquido pode ser substituído por outro produto semelhante de origem não animal. Contudo, para levar seu projeto adiante, o cientista irá precisar de financiamento, mas garante que o projeto funciona e irá comprovar isso.

Ele pretende levar o hambúrguer artificial para ser servido durante um evento público, em Londres. O pesquisador, inclusive, fez testes de sabor e garante que, mesmo sem qualquer gordura, o tecido tem um gosto “razoavelmente bom”. O objetivo é mostrar ao mundo – e às potenciais fontes de financiamento em pesquisa – que a chamada carne in vitro, ou carne cultivada, pode virar uma realidade.

Como se já não bastassem a avalanche de alimentos industrializados, a utilização desenfreada de agrotóxicos e a criação de animais em abatedouros, com os hormônios e tudo mais, agora querem produzir carne em laboratório. E aqueles que defendem essa ideia, se baseiam na questão ambiental, pois, afinal de contas, a população está crescendo, precisamos de mais comida, etc.

Porém, se ao invés de investirem tanto no processo de industrialização, passarem a investir no desenvolvimento de técnicas mais eficientes e sustentáveis de produção e distribuição de alimentos, com certeza haveria uma solução para essas questões. Além disso, é preciso investir em programas de combate ao desperdício de alimentos, um problema sério que enfrentamos a muito tempo.

Para encerrar, vale a seguinte reflexão: será que é seguro para nós o consumo de tantos alimentos processados? Quais são as consequências reais a longo prazo?

Só o tempo irá dizer…

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Lucro x Saúde

Em artigo publicado este ano na revista The Lancet, com participação do pesquisador em nutrição e saúde pública Carlos Monteiro, da USP, são abordados vários aspectos sobre o conflito de interesses entre a indústria – com sua busca desenfreada por lucro – e a saúde pública – com suas políticas de promoção à saúde e prevenção de doenças.

O artigo introduz a discussão sobre o tema, falando acerca dos desdobramentos ocorridos a partir da reunião de alto nível da ONU, que ocorreu em 2011, sobre Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT – como obesidade, diabetes e hipertensão), que convocou ações multissetoriais, incluindo o setor privado e a indústria, com o intuito de prevenir o aumento de DCNT nos países de baixa e média renda.

Entretanto, as corporações transnacionais são as principais responsáveis pela epidemia global de DCNT, através da venda e promoção de tabaco, álcool e alimentos e bebidas ultra processados, lucrando bastante com o aumento do consumo desses produtos não saudáveis nos países de baixa e média renda – uma vez que o mercado dos países desenvolvidos já encontra-se bastante saturado. Então, qual seria o papel que essas indústrias deveriam ter no controle e na prevenção das DCNT? A interação com essas indústrias pode realmente promover a saúde e proteger o público do conflito de interesses?

Para ilustrar e refletir sobre o tema:

Ministro Padilha e McDonalds

Ministro Alexandre Padilha se reúne com Marcelo Rabach, Presidente da McDonald’s na América Latina, um dos parceiros da saúde. Fonte: Vi o Mundo.

O artigo cita que, para escapar das críticas, as corporações promovem ações fora da sua área de atuação. Corporações de alimentos ultra processados, como as junk foods, enfatizam o problema da inatividade física. Na foto, o presidente do McDonald’s mostra cartaz da rede de alimentos “incentivando” a atividade física, com o “aval” do Ministro da Saúde.

Apesar de atualmente existir consenso de que o conflito de interesse entre a indústria do tabaco e a saúde pública seja irreconciliável, ainda é debatido se o conflito de interesse da indústria de álcool, alimentos e bebidas são igualmente irreconciliáveis. Contudo, vale ressaltar que as indústrias de álcool e de alimentos e bebidas ultra processados usam estratégias similares à indústria de tabaco para enfraquecer a efetividade de políticas e programas de saúde pública. Entre essas estratégias estão, por exemplo:

  • Enviesar os resultados de pesquisas – como a indústria do tabaco fazia ao contratar médicos que mostrassem pesquisas negando a ligação entre fumo e malefícios à saúde;
  • Pressionar políticos e oficiais públicos a expressar oposição quanto à regulação – através do lobby;
  • Incentivar os eleitores a se opor à regulação dos produtos – como as campanhas de responsabilização do indivíduo sobre o consumo do produto, não cabendo ao Estado intervir sobre a publicidade e o marketing.

Assim, os pesquisadores defendem que a indústria não deveria ter nenhum papel na formação das políticas nacionais e internacionais sobre DCNT.

Outro ponto abordado no artigo foi sobre a confiança na autorregulação da indústria e nas parcerias público-privadas para melhorar a saúde pública: os autores destacam que não existe evidência que demonstre sua eficácia ou segurança e, tendo em vista a atual epidemia das DCNT, a regulação pública e intervenção no mercado são os únicos mecanismos baseados em evidência que podem prevenir os danos causados ​​pelas indústrias de produtos não saudáveis.

Confira o artigo na íntegra aqui. Leitura super recomendada pelo PropagaNUT!

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A percepção do consumidor sobre os apelos nas embalagens

Uma pesquisa de opinião realizada pelo Instituto Market Analysis em parceria com o Idec constatou que somente um quarto dos consumidores identifica ativamente indicações sobre as características dos produtos e seus fabricantes por meio de selos e símbolos nos rótulos dos produtos.

rotulagem-ilustracao

Os brasileiros se dividem em três grupos distintos:

  • Um em cada quatro consumidores (24%) percebe ativamente as mensagens divulgadas pelas empresas nas embalagens dos produtos;
  • Um grupo com pouco menos de um terço da população (30%) que pouco sabe sobre a existência dessas mensagens;
  • E a grande parcela (46%) que não conhece ou não lembra ter visto essas indicações.
Os apelos ambientais chamam mais a atenção dos consumidores. Segundo a pesquisa, a proteção ao meio ambiente prevalece como a mensagem mais vista pelos consumidores nas embalagens dos produtos, totalizando pouco mais de metade das abordagens (53%).
A outra metade é composta por temas variados, como a condição saudável dos produtos, a economia que proporcionam, além da durabilidade e da qualidade. Mensagens sobre a preservação do meio ambiente de forma geral também são percebidas pelos consumidores, e também a presença de informações sobre como eles próprios poderiam contribuir com o meio ambiente.
Para ver o resultado completo da pesquisa clique aqui.
Fonte: Idec.

O jornal O Globo também publicou nota sobre a pesquisa, confira:

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