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Medida Certa. Ou seria Medida totalmente incerta e inadequada?

Por Camila Araújo.

Vocês viram o Medida Certa do último domingo no Fantástico? Bom, as pérolas já começaram a surgir…

Os participantes – Gaby Amarantos, César Menotti, Fábio Porchat e Preta Gil – foram avaliados por médicos e terão acompanhamento de educador físico e chef de cozinha. E nutricionista… Cadê? A má alimentação dos participantes, assim como o sedentarismo, foram problemas mais que frequentes relatados por todos. Logo, se a alimentação é fundamental para que eles apresentem melhoras na saúde e resultados na “medida certa”, onde entra o nutricionista para auxiliar no acompanhamento? Vamos ficar aguardando…

O Marcio Atalla, que “comanda a disputa”, é professor de educação física com especialização em nutrição. Logo, especialização é DIFERENTE de graduação (o conhecimento é, no mínimo, diferente de um profissional que é nutricionista de fato).

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Além disso, para nós nutricionistas (e educadores físicos também) que aprendemos a realizar uma avaliação física decente, nos decepcionamos (e muito!) ao ver a tal série. 

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As dobras cutâneas, medidas com adipômetro, não devem ser aferidas nem com o indivíduo deitado e, muito menos, sobre a roupa! Isso com certeza prejudicou todo o resultado de percentual de gordura corporal dos participantes.

Segundo algumas pessoas que assistiram a série, o profissional que estava realizando a avaliação física ainda comentou “vou ter que usar um maior porque aquele aparelho é pequeno para a coxa dela”. Para esclarecimento: os adipômetros são aparelhos padrões, e não precisam de tamanhos maiores ou menores para se adequar às medidas dos indivíduos.

Como circulou nas redes sociais: “o nome do programa é o mais inadequado que existe”…

Para quem quiser conferir o episódio da série:

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Conflito de interesses no SBAN

Recebemos esse relato sobre o XII Congresso Nacional da Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição (SBAN), que ocorreu entre os dias 13 e 16 de agosto deste ano. Compartilhamos da mesma indignação…

Por Bruna Nunes*.

A minha (infeliz) experiência no XII Congresso Nacional da Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição

Sou uma nutricionista recém-formada. Durante a graduação, escutei vários relatos sobre o Congresso Nacional da SBAN. Mas, por incrível que pareça, a minha primeira experiência só aconteceu este ano – depois que eu já estava com meu diploma na mão. Como eu tinha condições e curiosidade, resolvi ir para o tal do congresso que a Coca-Cola patrocinava.

Eu ouvi vários alertas quando mencionei minha viagem e já cheguei ao evento bem desconfiada, mas, acredite, o Congresso da SBAN conseguiu me surpreender – negativamente.

Stands lindos, enormes e modernos da Coca-Cola (é claro!), da Herbalife, da SupraSoy, da Nestlé, da Danone. Se alguém tivesse me contado eu não acreditaria, mas eu vi com meus próprios olhos: distribuição gratuita de shakes para serem substituídos pelas refeições principais e um freezer liberado com os produtos da Coca-cola.

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IMG_0003 (3)Além de todo esse absurdo, eu tive o desprazer de assistir a palestras financiadas por essas indústrias, nas quais os seus produtos eram enaltecidos e amplamente elogiados, respaldados por pesquisas, projetos e grandes nomes.

E, pior do que tudo isso, eu vi nutricionistas mais do que orgulhosos por terem organizado, participado e realizado esse belíssimo evento.

Desde o último semestre da faculdade tenho tido excelentes experiências em relação à minha profissão. Desenvolvi o meu senso crítico e aprendi a enxergar a Nutrição sob uma perspectiva bem diferente daquela que a Universidade insistia em nos ensinar.

Por isso, me peguei diversas vezes me perguntando durante este evento… E se eu não tivesse tido essas experiências, eu teria esse olhar crítico em relação a este Congresso? Fiquei sinceramente preocupada quando vi estudantes do 2º, 3º semestre. Pode ser que tudo tenha sido absorvido por eles ou pode ser (eu espero!) que não.

De tudo, fica o meu relato e minha reflexão. Afinal, pelo que, nós, nutricionistas, lutamos? Não somos nutricionistas sociais ou clínicos ou de produção… Somos nutricionistas. E precisamos nos unir para lutar por um mundo com uma alimentação adequada para todos. Todos.

*Bruna Nunes é nutricionista e atua no Núcleo de Segurança Alimentar e Nutricional do Centro-Oeste (NUSAN/CO) e no Observatório de Políticas de Segurança Alimentar e Nutrição (OPSAN/UnB).

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O que o nutricionista faz na área clínica? #MêsDoNutricionista

Por Camila Araújo, Camila Leão e Mariane Bandeira. 

Na verdade o Nutricionista da Área Clínica atua tanto em ambientes hospitalares (falamos disso nesse post) como em ambulatórios, consultórios e em atendimento domiciliar.

Essa área de atuação é a mais conhecida – tanto que muita gente acha que nutricionista monta dieta e, “claro”, dieta para emagrecer.

Só por curiosidade, algumas das definições de dieta no dicionário são:

1. regime alimentar que satisfaz as necessidades particulares de uma pessoa;

2. regime especial de alimentação que restringe a ingestão de certos alimentos e/ou reduz a sua quantidade, com o objetivo de perder peso ou por razões de saúde;

3. privação total ou parcial de certos alimentos por motivos religiosos; jejum;

4. prato em que a comida é, em geral, pouco temperada, pobre em gorduras e em calorias e de digestão fácil.

Fonte: Infopédia.

Se levarmos em conta a maioria dessas definições, podemos chegar à seguinte conclusão: como dieta é uma coisa sem graça, não?! É claro que muitas pessoas precisam restringir o consumo de determinados alimentos por conta de algum problema de saúde associado, mas isso não se aplica a TODO MUNDO, como muitos pensam. Por isso, preferimos utilizar aqui o termo plano alimentar, já que tem um sentido mais global, em que o nutricionista ajuda o indivíduo a planejar a sua alimentação, mantendo a autonomia na escolha dos alimentos.

Então além de montar dietas planos alimentares, o nutricionista dessa área também realiza o diagnóstico nutricional e a educação alimentar e nutricional dos pacientes, visando recuperar o estado nutricional e promover uma prática autônoma e voluntária de hábitos alimentares saudáveis, aplicados e relacionados à complicação de saúde que o indivíduo apresente. A figura abaixo explica um pouco sobre os termos destacados:

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Fonte: Eu sou nutricionista

Atualmente, algumas vertentes da Nutrição Clínica têm feito bastante sucesso com o interesse do público, podendo ser citadas, por exemplo, a Nutrição Esportiva, Nutrição Funcional e Nutrição em Estética.

A Nutrição Esportiva, diferente do que a maioria das pessoas pensa, não é voltada somente para atletas de alta performance e nem baseada no consumo abusivo de suplementos alimentares. Qualquer praticante de atividade física, pode (e deve) procurar um nutricionista para realizar o acompanhamento nutricional, facilitar o cumprimento de seus objetivos e melhorar a performance durante a realização do exercício. Esses profissionais normalmente trabalham com a prescrição de suplementos alimentares, porém com a cautela necessária para que as doses sejam as ideais, para que o suplemento utilizado seja o melhor para o perfil de cada paciente e para que sua utilização seja feita da maneira correta!

A Nutrição Funcional, por sua vez, não é voltada para um público específico; é uma vertente da nutrição que trabalha com conceitos chamados “funcionais”, ou seja, busca utilizar as “funcionalidades” ou “compostos funcionais” dos alimentos (nutrientes, antioxidantes, fitoquímicos, etc), aplicando-os às necessidades de cada pessoa. Assim, defende a individualidade bioquímica, através de um rastreamento bioquímico e metabólico, bem como um rastreamento dos sinais, sintomas e características de cada paciente, com o intuito de investigar possíveis carências ou excesso de determinados nutrientes e saber quais são os alimentos que funcionam para aquele indivíduo ou que podem, por exemplo, estar provocando ou vir a provocar doenças – de forma que a generalização de uma “dieta/alimentação saudável” e apenas a contagem de calorias pode não ser aplicável a todo mundo para manter um equilíbrio no funcionamento do organismo. 

Já a Nutrição em Estética, normalmente está associada com a perda de peso, mas isso não quer dizer que um nutricionista dessa área só trabalhe com essa meta! Na verdade, a Nutrição em Estética busca nutrir o corpo de maneira adequada para poder proporcionar, além de saúde, uma melhora dos diversos problemas da área estética – suprindo as necessidades nutricionais da pessoa, o que acaba refletindo numa melhor aparência das unhas e cabelos, fim ou melhora da acne, redução do envelhecimento e da celulite, entre outros. As mulheres são o maior público alvo dessa vertente, já que a maioria está numa “busca eterna” pela boa forma, beleza, peso ideal e juventude. É comum encontrar profissionais dessa área trabalhando em estúdios fitness e spas, promovendo uma alimentação equilibrada para o público que deseja manter a forma, melhorar a saúde, ou ainda para realizar algum trabalho (por exemplo, um ensaio fotográfico).

 

A verdade é que apesar das diferentes áreas/modelos de atuação, o nutricionista clínico é aquele que vai trabalhar priorizando a individualidade (em todos os aspectos – bioquímicos, físicos e emocionais) de seus pacientes, com o principal objetivo de garantir uma alimentação adequada que favoreça uma boa qualidade de vida!

Ao contrário do nutricionista que atua no hospital, em que a prioridade é a recuperação/acompanhamento do estado nutricional do paciente durante a internação, o profissional que atua em consultório atende muitos indivíduos saudáveis. Esse é um fato positivo, visto que dá margem para o nutricionista trabalhar diferentes estratégias para atingir aos mais diversos objetivos, além de promover a saúde e prevenir o desenvolvimento de doenças.

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