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Aplicativo de cirurgia plástica para crianças? #EraSóOQueFaltava

Por Camila Araújo e Camila Leão.

Foi lançado recentemente no Reino Unido, um aplicativo para aparelhos eletrônicos, como smartphones e tablets chamado Plastic Surgery & Plastic Doctor & Plastic Hospital Office for Barbie, o qual foi desenvolvido em formato de joguinho para crianças a partir dos 9 anos de idade e que estava livre para download na Apple Store e no GooglePlay.

A descrição do aplicativo era a seguinte: “Esta infeliz menina está tão acima do peso que nenhuma dieta pode ajudá-la. Em nossa clínica, ela pode passar por uma cirurgia chamada lipoaspiração que vai deixá-la magra e bonita. Nós precisaremos fazer pequenos cortes em áreas problemáticas e sugar a gordura extra. Você vai operar ela, doutor(a)?”

BARBIE

Houve uma grande repercussão nas redes sociais, com inúmeras críticas quanto ao jogo infantil (OBVIAMENTE!) Selecionamos algumas delas, com as quais nós concordamos:

“Este é de longe o aplicativo mais nojento que eu já vi. São coisas assim que fazem com que meninas sintam-se inseguras com seus corpos e acreditem que precisam ‘ser perfeitas’ para se enquadrar.”

“Usem a inteligência para desenvolver um aplicativo que empodere e ensine as meninas a amarem a si mesmas como elas são, ao invés de cortar seus corpos para se adequar a visão de beleza de outras pessoas.”

screen640x640Após tantas manifestações de pessoas indignadas com o aplicativo, o mesmo foi tirado do ar. Contudo, outro jogo (bastante similar) foi lançado – chamado Plastic Surgery for Barbara.

No novo aplicativo, a descrição diz: “Barbara gosta de comer um monte de hambúrgueres e chocolates e um dia começou a achar que estava feia. Ela não pode seguir nessa situação mais nenhum segundo sequer. E hoje, o cirurgião plástico vai fazer uma operação em seu corpo e em seu rosto, a fim de tornar a Barbara bonita novamente. Ela tem medo de tudo isso”. Ou seja, a proposta desse novo aplicativo é idêntica ao anterior tirado do ar, sendo que o atual é recomendado para crianças maiores de 12 anos.

Enquanto estávamos escrevendo este post, o aplicativo Plastic Surgery for Barbara também foi retirado do ar (veja aqui). Isto prova que as manifestações populares, até mesmo as realizadas via redes sociais, são eficazes para gerar mudanças. Se você não concorda com alguma coisa, manifeste-se! 

BARBARA

Em um comunicado, o ex-presidente da Associação Britânica de Cirurgiões Plásticos e Estéticos (BAAPS), Nigel Mercer, descreveu o Plastic Surgery for Barbie como “sexista e perturbador”. Ele disse: “Este aplicativo descaradamente e despudoradamente utiliza marcas conhecidas [como a Barbie] para atingir as crianças, um público vulnerável, expondo-as a uma retórica sexista e perturbadora, através da crítica  que o jogo faz ao corpo de uma personagem que não está de acordo com um padrão de beleza inatingível”.

E quando achamos que os absurdos se limitam ao mundo virtual, relembramos o caso da mãe que presenteou sua filha de 7 anos com um “vale lipoaspiração”. Isso porque ela já tinha um voucher no valor de R$ 14,5 mil para colocar silicone nos seios. Tudo presente da mãe, Sarah Burge, conhecida como a Barbie Humana. A inglesa de 51 anos, é viciada em cirurgias plásticas e já gastou mais de um milhão de reais em procedimentos cirúrgicos. Leia mais aqui.

mulher barbie

Em tempos de tecnologia disponível para todos, de publicidade abusiva voltada para crianças e de culto a imagem corporal, precisamos estar cada vez mais atentos ao conteúdo que as crianças têm acesso.

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Dia das Crianças

Texto escrito por Grace Barbosa e retirado do Blog Mãezíssima (com adaptações). 

Outubro chegou e com ele o Dia das Crianças e a nossa vontade quase incontrolável de dar presentes aos nossos filhos. Presentear é tudo de bom, é gostoso ver os olhinhos brilharem diante de um pacote. Gostamos de saber que conseguimos comprar algo que eles vão gostar, gostamos de pensar que estamos fazendo nossos filhos felizes. Mas os tempos são outros e o não dá mais para ver essa cena sem pensar em consumo consciente e publicidade infantil.  

criança vendo TVA verdade é que hoje em dia não dá para ser inocente quando o assunto é consumo. Principalmente quando nossas crianças são bombardeadas por publicidade infantil. De repente é um querer por minuto e comprar aquele presente não satisfaz um desejo que a criança não sabe expressar. Nós pais acabamos incumbidos de proteger nossas crianças de uma indústria que não vende simplesmente brinquedos, mas valores, desejos e necessidades. E quem disse que estamos preparados para lidar com tudo isso? Se nem adultos conseguem passar ilesos por tantas propagandas, imagem uma criança que é muito mais vulnerável a esse tipo de investida.

Na geração das nossas mães não existia a preocupação com a educação para o consumo. Não existia acesso, facilidades, muito menos publicidade. Somos talvez a primeira geração de pais que precisa se preocupar com a publicidade que seu filho está sendo exposto. E mais do que isso, que tipo de consumidor estou criando. Estou mostrando o valor das coisas? Estou ensinando o uso e consumo consciente? Não tá fácil para as Mãezíssimas Paizíssimos.

Hoje em dia, existem muitos sites com informações esclarecedoras sobre os efeitos prejudiciais à infância da publicidade infantil brasileira. Os alertas remetem a erotização precoce, obesidade infantil, altos índice de violência, estresse familiar e tanta coisa ruim que a gente quer manter bem longe dos nossos filhos. Ler e se informar sobre esses temas é o primeiro passo para criar consumidores conscientes. Precisamos ensinar nossos filhos a entender o que eles realmente querem, e o que querem que eles queiram.

10 motivos

O documentário “Criança – A alma do negócio” mostra de forma muito interessante, como a publicidade influencia as escolhas e os comportamentos das crianças. Para aqueles que ainda tiverem tempo de assistir antes das comemorações e quiserem fazer uma boa reflexão a respeito do tema:

Então, o que fazer no Dia das Crianças?

É preciso exercitar a nossa criatividade para fugir do que está imposto! Que tal um programa diferente, como por exemplo, ensinar aos seus filhos algumas brincadeiras da sua época? É bacana pensar que cada família pode encontrar sua forma de ensinar sobre uso e consumo consciente. Sobre o valor das coisas e principalmente: coisas são coisas, gente é gente! O velho e super atual “ser é mais importante do que ter”.

Fato: Não está fácil par ninguém, mas precisamos fazer nosso papel de pais responsáveis e principalmente formadores de cidadãos conscientes. Buscar o equilíbrio nesse assunto é extremamente delicado, é tentador ir a qualquer um dos extremos: dar tudo ou zerar o consumo. A chave é achar um meio termo que funcione para você e sua família, lembrando que você é o adulto responsável, que pode se informar e deve saber fazer escolhas. Deixe que a criança seja criança.

troca de brinquedos

Dicas que podem ajudar:

– Lembre-se que nenhum brinquedo é mais legal do que ter o papai ou a mamãe ao lado.

– Restrinja o tempo de TV do seu filho. Outra opção é trocar por DVDs, youtube, Netflix.

– Participe de Feiras de Trocas de Brinquedos.

– Escolha brinquedos junto com seu filho para doação.

Vamos fazer um Dia das Crianças diferente do comum e com certeza, muito mais divertido e consciente!

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PL 5921/2001 – Regulamentação da publicidade infantil já!

Por Camila Leão.

O Projeto de Lei 5921/2001 foi apresentado há quase 12 anos, pelo deputado Luiz Carlos Hauly e visa regulamentar a publicidade voltada para crianças, através da proibição da publicidade/propaganda para a venda de produtos infantis. Durante todo esse período o Projeto tramitou na Câmara dos Deputados, e finalmente, no dia 11/9/2013, foi colocado na pauta para votação na Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara dos Deputados.

Como resultado dessa reunião, foi marcada uma votação para o dia 18/9/13, porém devido “ao lobby obscuro da indústria” o PL agora vai ter que passar pelo Plenário da Câmara. Isso é ruim pois no Plenário, o trabalho de aprovação dessa regulamentação que já se arrasta há tanto tempo, para novamente.

Imagem divulgada pelo Blog Infância Livre de Consumismo

Em entrevista para o blog Infância Livre de Consumismo, Raquel Fuzaro, mãe de Júlia (4) e Luiz Felipe (3), advogada, ativista social, defensora de uma infância livre e que esteve presente na reunião do dia 11/9 disse que: “Os parlamentares que representam os interesses dos anunciantes tentaram utilizar manobras para colocá-lo em mais uma subcomissão, para adiar a votação por mais 2 anos. Já os parlamentares mais sensíveis à proteção da infância solicitaram vistas em conjunto, para que o projeto de lei tenha a chance de ser votado e aprovado o mais rápido possível. A pressão exercida pelos lobistas do mercado era tão forte na sala que se fosse votado hoje corria o sério risco de ser rejeitado.”

Nosso papel, como população preocupada com a educação e desenvolvimento de nossas crianças, é fazer pressão para que os deputados que fazem parte dessa comissão saibam que nós estamos de olho e lutando por essa causa. Raquel sugeriu uma maneira prática para que essa cobrança seja realizada: mandar emails, cobrando atitudes, para os integrantes da comissão!

Relator do PL 5921/01- Salvador Zimbaldi: dep.salvadorzimbaldi@camara.gov.br 

Paulo Teixeira: dep.pauloteixeira@camara.gov.br

Luiza Erundina: dep.luizaerundina@camara.gov.br

Manteremos vocês atualizados a respeito de novas datas ou sobre qualquer outra novidade relacionada ao assunto. Por enquanto vamos fazer aquilo que está em nosso alcance: mandar os emails e mostrar que nós estamos de olho!

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Audiência Pública Debate Regulação da Publicidade de Alimentos Dirigida a Crianças

Por Camila Araújo e Camila Leão.

Aconteceu ontem, (29/08) às 10h, a Audiência Pública sobre regulação de publicidade de alimentos dirigida a crianças, em Brasília, promovida pela Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado Federal.

A Audiência foi iniciada com a fala da senadora Ana Rita (PT-ES), presidente da Comissão, apresentando dados sobre a vulnerabilidade do público infantil à publicidade, como por exemplo, o fato de que até os 8 anos de idade a criança não consegue distinguir a publicidade da programação televisiva e até os 12 anos ela não compreende o caráter persuasivo dos comerciais. Além disso, destacou que as crianças brasileiras são recordistas no tempo que se passa na frente da TV: aproximadamente 5h.

O professor Fernando Paulino, da Faculdade de Comunicação da UnB, ressaltou que a Comunicação transcende a ideia de um direito individual, visto que está diretamente relacionada a um direito político e que é preciso compreendê-la com um direito social, ou seja, é preciso que a publicidade respeite os direitos do outro. Citou ainda, a necessidade de acompanhar os seus impactos na sociedade.

Veet Vivarta, secretário-executivo da ANDI, discutiu bastante sobre a relação entre liberdade de expressão e censura. De acordo com Veet, reuniões como essa, não estão debatendo uma invenção que quer ferir a liberdade de expressão e, sim, estão seguindo uma tendência mundial em busca de proteger os direitos das crianças. Para ele, a regulação se diferencia da censura, visto que a primeira é um mecanismo democrático.

Em sua apresentação, ressaltou que na publicidade não existe um artista criando uma peça publicitária voltada apenas para as crianças; o que existe é uma equipe formada por diversos profissionais, como psicólogos e cientistas, tentando criar algo capaz de romper a mínima barreira de proteção das crianças.

Apresentação de Veet Vivarta.

A professora do Departamento de Nutrição da Universidade de Brasília (UnB) e coordenadora do PropagaNUT, Renata Monteiro, levantou a questão de que não estamos formando apenas consumidores, mas principalmente cidadãos. A publicidade cria um universo onde a criança é levada a acreditar que precisa ter para ser. Citou que 96% dos alimentos anunciados não são saudáveis, uma vez que contêm excesso de sal, açúcar ou gorduras prejudiciais ao organismo. Além disso, o que impressiona não é apenas o tipo de alimentos publicizados, mas como estes estão associados em seu contexto (a criança é levada a querer o produto não porque gosta do sabor, mas porque quer fazer parte daquele universo fantasioso). Sobre o fato de que as crianças passam muito tempo na frente da televisão, Renata afirmou que não podemos culpabilizar somente os pais; a responsabilidade não é só deles, mas também de toda a sociedade e principalmente do Estado. Ela informou que uma em cada três crianças brasileiras está com excesso de peso, índice que poderia ser melhorado caso fosse banida da TV esse tipo de publicidade.

Durante a Audiência, também foi realizado o lançamento do livro Publicidade de Alimentos e Crianças: Regulação no Brasil e no Mundo, o qual foi editado pelo Instituto Alana em parceria com a Andi e com o núcleo de pesquisa International Development Society, da Universidade de Harvard. A diretora de Defesa e Futuro do Instituto Alana, Isabella Henriques, iniciou sua fala destacando a ineficácia da auto regulação e sobre os altos índices de DCNTs no país, o que motivou a pesquisa sobre a regulação da publicidade em diversos países e que culminou na publicação do livro.

A coordenadora geral de Consultoria Técnica e Processos Administrativos da Senacom, Tamara Gonçalves, apresentou alguns aspectos jurídicos que já existem para “regular” a publicidade, como o Código de Defesa do Consumidor e o Estatuto da Criança e do Adolescente. Afirmou também que a publicidade deve ser verdadeira, ou seja, sem omissões ou mentiras, e que o consumidor deve ter o direito de saber que está diante de uma peça publicitária.

Encerrando a Audiência  a senadora Ana Rita comunicou que o tema voltará a ser debatido na comissão, desta vez com representantes das associações de anunciantes, das indústrias de refrigerantes e de alimentos, bem como das agências de propagandas.

Ao final , a coordenadora do PropagaNUT foi convidada a dar entrevistas para a TV Senado e para a EBC (Confira aqui).

2013-08-29 11.58.38

Entrevista da Profª. Drª. Renata Monteiro para a TV Senado.

Com informações do Portal de Notícias do Senado e da Empresa Brasil de Comunicação – EBC .

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Seminário Internacional Infância e Comunicação – Direitos, Democracia e Desenvolvimento

No começo do mês de março, dias 6, 7 e 8, aconteceu em Brasília o Seminário Internacional Infância e Comunicação – Direitos, Democracia e Desenvolvimento, promovido pela ANDI.

seminário internacional

Durante esses três dias, representantes de diversas partes do mundo (Europa, Américas, África e Oceania) trouxeram a tona questões que giraram em torno do acesso e da regulamentação dos meios de comunicação em prol da infância. A mídia avançou muito em pouquíssimo tempo, e o acesso a informação é algo fundamental para todos nós, porém as crianças precisam ser protegidas. O objetivo foi promover discussões e debates à respeito desse tema, trazer exemplos de outros países e traçar metas e planos sobre o que precisa ser feito e aprimorado no Brasil.

Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo.

Esse evento contou com a presença do Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que fez a abertura das atividades. Em seu discurso, o ministro manifestou clara preocupação em regulamentar os canais de comunicação. E o Secretário Nacional de Justiça, Paulo Abrão, ratificou o interesse do Ministério da Justiça na luta pela infância. A defesa da liberdade de expressão e a defesa de direitos, não só de crianças e adolescentes, mas de grupamentos humanos em geral, não se contradizem entre si. Quando há choque no exercício desses direitos, é necessário estabelecer limites para ambos, que, inclusive estão apoiados pela Constituição Federal.

A Classificação Indicativa foi um tema bastante abordado durante o segundo dia de Seminário. Paulo Abrão discursou sobre o que tem sido feito em relação a classificação e monitoramento dos programas televisivos pelo Ministério da Justiça. Ele salientou que a realidade das famílias brasileiras não permite, muitas vezes, que os pais fiscalizem o que seus filhos estão assistindo, e que é papel do Estado sim intervir nesse processo por meio da Classificação Indicativa. E foi mais longe nessa questão ao ressaltar a necessidade de regulamentação da mídia.

Susan Linn

O evento contou também com a presença de Susan Linn, professora de psiquiatria na Escola Médica de Harvard, em Boston, e autora do livro Crianças do consumo: a infância roubada. Em sua palestra, Susan ressaltou a extrema importância da proibição da publicidade direcionada ao público infantil: “A publiciade infantil deveria ser proibida. Não há nenhuma justificativa moral, ética ou social para isso. O marketing infantil afeta negativamente o desenvolvimento social e a saúde das crianças ao redor do mundo, nos dias de hoje. É um dos fatores que colabora para o aumento da obesidade, surgimento de distúrbios alimentares, sexualidade precoce e sexualização de meninas, violência entre os mais jovens, estresse familiar e a materialização de valores e de princípios, ou seja, a crença de que o consumo de determinado produto irá trazer felicidade”.

Foram debates riquíssimos que precisam ser promovidos e divulgados pela sociedade e, sem dúvida, não ficar apenas em palavras, mas produzirem frutos que trarão benefícios para todos, principalmente para as crianças.

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