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#EraSóOQueFaltava – Frango “grelhado”

Por Camila Araújo e Camila Leão. 

Os congelados vendidos por aí não são saudáveis – isso é uma coisa que a maioria das pessoas já sabe.

Entretanto, muitos deles tentam vender uma promessa que não é cumprida. Vejam só o que uma seguidora do blog encontrou no supermercado:

Olá, meninas!

Vi essa embalagem de frango congelado no Pão de Açúcar e lembrei de vocês na hora. Olha que horror: diz “filezinho de frango – grelhado”, uma recomendação para qualquer um que está de dieta, não é mesmo? Aí você lê a descrição do produto e descobre que ele é frito! Para completar, diz ser sem gordura trans, mas usa gordura vegetal, tem muuuuito sódio e a lista de ingredientes é uma beleza… Argh!
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Comentário e imagens falam mais do que mil palavras…
Frango frito que se diz grelhado? #EraSóOQueFaltava, não é mesmo?!
É por essas e outras que reforçamos: não acredite em tudo que a propaganda e/ou a embalagem te fala. O maior objetivo dela é chamar a sua atenção, visando a venda. E a saúde do consumidor, como fica? Essa só o próprio indivíduo pode garantir se informando melhor sobre o que consome…

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Web Série Ninho: “Saber tudo que tem, faz bem”

Por Ada Bento, Camila Araújo e Camila Leão.

NINHO-SABER-TUDO-QUE-TEM-FAZ-BEMA Nestlé desenvolveu uma web série de 4 episódios no YouTube que fala sobre o processo de produção do Leite Ninho. Cada episódio conta com a participação de uma mãe que trabalha na empresa atuando no processo de desenvolvimento do produto e outra que é consumidora. A ideia do projeto é que a empresa explique para o consumidor como o produto é feito, de forma que a mãe possa confiar nele como sendo uma boa opção para seu filho. Se você ainda não assistiu à série, seguem os vídeos:

Essa estratégia de marketing é bastante eficiente, visto que leva as mães consumidoras a acreditarem que o produto é o melhor para seus filhos, já que outras mães, que tem as mesmas preocupações e cuidados e que conhecem de perto o processo de fabricação do produto, também fazem essa escolha.

Uma técnica utilizada durante essa web série, é o Green/Health Washing – todo o processo de produção apresentado, leva em consideração o bem estar dos animais e o cuidado com a natureza. No caso específico do Leite Ninho, não temos como afirmar se as coisas acontecem realmente como são apresentadas nos comerciais, porém de maneira geral, o que sabemos (principalmente através de documentários e textos sobre o tema) é que para as grandes empresas a única coisa que importa é maior produção e consequentemente, maior lucro.

Os vídeos abaixo ilustram bem esse tema:

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Clique para assistir ao vídeo.

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Clique para assistir ao vídeo.

 

OBS: O segundo vídeo contém imagens chocantes sobre o tratamento de animais nessas grandes empresas. Além disso, apresenta um discurso voltado para o vegetarianismo. Nosso objetivo não é convencer ninguém de que essa é a melhor opção, mas sim gerar uma reflexão sobre nosso sistema alimentar e sobre o cuidado com os animais.

O Leite Ninho

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Pensando no produto e nas qualidade que ele alega: é mesmo necessário o consumo de um leite fortificado, como é o caso do Leite Ninho?

Se os nutrientes não estiverem em uma forma biodisponível, ou seja, que garantam uma boa absorção pelo intestino, de nada adianta essa fortificação. O ferro presente, por exemplo, está na forma de pirofosfato férrico, que apresenta biodisponibilidade inferior à do sulfato ferroso (uma outra forma de suplemento de ferro, usualmente recomendada por médicos, e que ainda não é a mais biodisponível).

Além disso, o leite não fará milagre. Se a criança não tem uma alimentação saudável, esses nutrientes adicionados não irão suprir a necessidade.

Outro ponto que vale ressaltar é que a adição desses micronutrientes no leite pode induzir as mães a acreditarem que a criança já estará consumindo a quantidade suficiente de micronutrientes e não incetivar o consumo de frutas e hortaliças.

Desta forma, é possível utilizar um leite comum – o de caixinha, pasteurizado, ou o de saquinho, por exemplo – e incentivar hábitos alimentares saudáveis.

Vale lembrar que o Leite Ninho é recomendado apenas para crianças a partir de 6 meses. É importante que a criança seja amamentada exclusivamente pelo menos até os 6 meses de vida e, caso seja possível, de forma complementar até os 2 anos ou mais. Mas sempre converse com seu nutricionista e seu pediatra para avaliar qual é a melhor opção para seu filho.

 

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Pé de Danio?

Por Camila Araújo e Camila Leão.

Já viram a nova publicidade do iogurte Danio da Danone?

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O que você pensa quando vê um anúncio assim? Iogurtes crescendo em árvores?

Esse tipo de publicidade leva o consumidor a acreditar que o produto em questão é natural, pois se o iogurte está na árvore, ele possui ingredientes naturais ou até a mesma naturalidade de uma fruta, certo? ERRADO!

Primeiramente, vale ressaltar que o iogurte (como já é de conhecimento de todos, mas não custa nada lembrar) é um alimento preparado a base de leite, ou seja, a imagem já pode ser confusa ao associá-lo a uma árvore.

Depois, as versões do produto que “são de fruta”, provavelmente tem muito pouco de fruta mesmo – a fruta está presente no formato de calda, e apesar de ser o primeiro ingrediente da lista dessa “calda” ainda assim acreditamos que não esteja presente em quantidades muito significativas para oferecer algum benefício.

No caso dos Danios com sabores de frutas, estes estão muito longe do conceito de natural! Vamos dar uma olhada na lista de ingredientes:

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Clique na imagem para ampliar.

São 22 ingredientes, sendo vários deles aditivos alimentares, como corantes, espessantes e conservantes.

Já a versão tradicional, possui menos ingredientes em sua lista, quando comparado à versão com fruta:

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Clique na imagem para ampliar.

Entretanto, ainda possui açúcar e alguns aditivos que poderiam ser evitados. Como já dissemos inúmeras vezes, quanto mais natural um produto for e a menor a sua lista de ingredientes, melhor! Encontramos uma opção industrializada mais interessante – os iogurtes naturais. Compare as listas de ingredientes abaixo com a do Danio.

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A lista de ingredientes dos iogurtes naturais é bem menor, perceberam? Para muitas pessoas, o sabor desta versão pode não ser muito agradável (normalmente eles são bem azedinhos), porém uma ótima opção é batê-los com frutas e se ainda assim sentir necessidade, adoçar com um pouquinho de mel ou açúcar mascavo (lembrando da grande vantagem que é poder escolher as  quantidades).

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Outra opção que pode ser interessante é preparar o iogurte em casa! Além de retomar a importância de “ir para a cozinha”, esse momento pode ser de integração com a família, por exemplo, com a participação das crianças no processo. Ah, e vale lembrar que preparar em casa custa bem menos do que já comprar pronto.

– Confira uma receita no Blog da Mimis.

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Ovo de chocolate mofado?! #EraSóOQueFaltava de Páscoa!

A Páscoa já passou, mas gostaríamos de divulgar o que aconteceu com a coordenadora do PropagaNUT durante os festejos:

“Prezados, cuidado com os filhos de vocês!! A lembrancinha do ovo de Páscoa que minha filha ganhou de uma amiga… Ainda bem que ela estava sendo supervisionada ao abrir! Eca! Validade? Junho/2014! Tão revoltada, mas tão revoltada!!! Por isso e por outras que o consumismo precisa ser combatido!!! Por isso que, há anos, não compro ovo de Páscoa!”

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Com o aumento da demanda pelos ovos de chocolate durante esse período, muitas vezes a qualidade fica de lado – seja por parte do fabricante ou do lojista que estoca o produto. Como o consumidor não pode controlar essas variáveis, fiquem atentos à qualidade dos produtos, principalmente, quando o consumidor for uma criança.

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Manifesto: por um mundo com mais comida de verdade e menos derivados do Whey

Por Ada Bento, Camila Araújo e Camila Leão.

Na era da globalização, em que a informação está acessível para praticamente toda a população, através dos mais diversos meios de comunicação – rádio, televisão, propagandas, jornais, revistas, internet, redes sociais – todos os dias surgem novidades, sobre tudo que pudermos imaginar, atingindo milhares de pessoas. Entre tudo o que é apresentado nesses meios, um tópico é muito recorrente: a preocupação com a saúde e com o corpo.

Se por um lado isso é bom, pois provavelmente essas pessoas buscarão ter hábitos de vida saudáveis, por outro elas podem “perder a medida” e se deixar ser influenciadas por informações que, muitas vezes, não são confiáveis.

Um ponto comum entre o cuidado com a saúde e a aparência é a alimentação. Principalmente através das redes sociais, todos os dias são compartilhadas informações, opiniões ou receitas estimulando a adoção de uma alimentação mais saudável. Entretanto, se formos acompanhar os grupos “fitness” e suas respectivas receitas, veremos que muitas vezes o foco é a hipertrofia ou a perda de peso a qualquer custo – sem se preocupar com os outros aspectos relacionados ao ato de comer, como por exemplo, o prazer de se alimentar, a cultura, a interação social e até mesmo com carências nutricionais devido a falta de micronutrientes, provenientes de uma alimentação variada e balanceada.

Um aspecto que é comum a quase todas as receitas sugeridas por esses grupos, é o uso excessivo de suplementos protéicos, em especial o Whey Protein, como ingredientes principais, que podem ser adicionados em todo tipo de preparação: bolos, brigadeiro, sorvete, panqueca, pão, e o que a imaginação sugerir.

Entendendo melhor sobre os suplementos alimentares

Qual a indicação dos alimentos para atletas?

Os alimentos para atletas são indicados para indivíduos com necessidades nutricionais específicas em decorrência de exercícios físicos.

Por que os praticantes de atividade física não foram contemplados na norma da ANVISA?

Uma dieta balanceada e diversificada é suficiente para atender as necessidades nutricionais de praticantes de exercício físico, visto se tratar dos indivíduos que praticam atividade física de forma regular ou esporádica com objetivo de promoção da saúde, recreação, estética, aptidão física, condicionamento físico, inserção social, desenvolvimento de habilidades motoras ou reabilitação orgânico-funcional.

Fonte: ANVISA.

RDC nº 18/2010

A grande tendência no consumo ocorre de tal forma, que o mercado lançou até mesmo um ovo de páscoa com Whey Protein.

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Imagem das redes sociais.

 

#EraSóOqueFaltava!

Será que todo brasileiro precisa suplementar proteínas? De acordo com a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF 2008-2009) o consumo de proteínas pela população brasileira  é ligeiramente superior à recomendação do Guia Alimentar (de 10% a 15%), em especial nos adultos e idosos.

No que diz respeito à participação calórica das proteínas nas regiões do Brasil, a região Centro-Oeste obteve a segunda maior média do país, ficando atrás apenas da região Norte.

E será que o consumo dos suplementos, da forma exagerada que esses grupos “pregam”, não acarretaria problemas à saúde, visto que a maioria de nós já consome uma quantidade adequada de proteínas? Aguardem um post sobre esse tema, em breve!

Como já falamos neste post, existem opções mais saudáveis e baratas do que os convencionais ovos de páscoa industrializados! E vale ressaltar que essas opções são preparadas com comida de verdade!!!

É preciso cuidar do corpo e da saúde, mas devemos fazer isso da forma mais natural, equilibrada e sem exageros – preferindo sempre que possível os alimentos, ao invés de suplementos ou produtos alimentícios ultra processados, que de comida de verdade não têm quase nada!

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Danoninho: leite e fruta?

Por Camila Araújo e Camila Leão. 

Vocês já viram a nova propaganda do Danoninho?

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Clique na imagem para ver o vídeo.

Ela fala que o Danoninho possui “o cálcio do leite”, “a vitamina e a fruta”, além da “energia pra brincar”. Olhando assim, não parece nada demais – “Ah, então o Danoninho e os petit suisses em geral são uma mistura de leite e fruta”. Mas não é bem por aí. De onde vem aquela consistência e o sabor docinho, já pararam pra pensar? Então vamos observar a sua lista de ingredientes para analisar melhor:

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Clique na imagem para ampliar

“Mas espera aí, não era só leite e morango?”

Na verdade, não. Basta observar essa lista com 30 ingredientes – e não apenas 2, como somos levamos a pensar com um tipo de propaganda como essa. Além do fato de a propaganda ser direcionada ao público infantil (que pode usar a desculpa de que o produto é saudável e ficar pedindo aos pais insistentemente, porque viu “passando na TV”), ela ainda a passa uma mensagem enganosa para os pais desavisados, que não conferem as informações ali passadas com as informações dos rótulos.

Além disso, na propaganda a criança diz que o danoninho tem “a vitamina e a fruta”, porém quando prestamos atenção na lista de ingredientes, vemos que de morango só tem a polpa – provavelmente em uma pequena quantidade. Quanto às vitaminas, todas são adicionadas artificialmente.

Aí os pais se perguntam: “Nossa, mas meu filho gosta tanto de danoninho, o que eu faço?”

Para ajudá-los nesse momento, o pessoal do Fechando o Zíper e a Thais Ventura, responsável pelo blog As delícias do Dudu, fizeram o vídeo abaixo, que além de ensinar uma receita de Petit Suisse caseiro, ainda compara essa versão com a industrializada:

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Clique na imagem para ver o vídeo.

Então fica mais uma vez o lembrete: não confie nas propagandas e sempre confira os rótulos dos produtos que você deseja consumir. E melhor ainda para sua saúde e de seus filhos, se puder preparar receitas em casa, com ingredientes que você teria na sua cozinha, prepare!

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Chocolate ao leite saudável?!

Por Camila Araújo e Camila Leão (com contribuições de Letícia Medeiros).

Uma leitora do blog, nos mandou a seguinte foto essa semana:

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Seu relato: “Estava eu conscientemente enchendo a cara  de chocolate – porque comprei, no shopping, um fondue com morango, banana e chocolate ao leite -, quando vi o que estava escrito no potinho. Fiquei indignada! Vocês acreditam que estava escrito que esse produto é saudável? E DUAS vezes?”

Será que só o fato de um produto conter frutas, já é suficiente para considerá-lo saudável?  #EraSóOQueFaltava!

Atualmente, essa é uma das principais estratégias da indústria de alimentos: o nutriwashing.

E o que é o nutriwashing?

É uma estratégia de marketing que faz o consumidor acreditar que o produto é “saudável”, “natural”, “sem conservantes”, entre outros atributos, e, com isso, leva o indivíduo a consumí-lo sem nem se preocupar em ler o rótulo e conhecer melhor a composição nutricional do mesmo. Já falamos um pouco disso nesse post.

Mais uma vez lembramos: não acredite em tudo que vê! Existe muito mais nas “letrinhas pequenas” do que nos destaques da embalagem.

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Aplicativo de cirurgia plástica para crianças? #EraSóOQueFaltava

Por Camila Araújo e Camila Leão.

Foi lançado recentemente no Reino Unido, um aplicativo para aparelhos eletrônicos, como smartphones e tablets chamado Plastic Surgery & Plastic Doctor & Plastic Hospital Office for Barbie, o qual foi desenvolvido em formato de joguinho para crianças a partir dos 9 anos de idade e que estava livre para download na Apple Store e no GooglePlay.

A descrição do aplicativo era a seguinte: “Esta infeliz menina está tão acima do peso que nenhuma dieta pode ajudá-la. Em nossa clínica, ela pode passar por uma cirurgia chamada lipoaspiração que vai deixá-la magra e bonita. Nós precisaremos fazer pequenos cortes em áreas problemáticas e sugar a gordura extra. Você vai operar ela, doutor(a)?”

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Houve uma grande repercussão nas redes sociais, com inúmeras críticas quanto ao jogo infantil (OBVIAMENTE!) Selecionamos algumas delas, com as quais nós concordamos:

“Este é de longe o aplicativo mais nojento que eu já vi. São coisas assim que fazem com que meninas sintam-se inseguras com seus corpos e acreditem que precisam ‘ser perfeitas’ para se enquadrar.”

“Usem a inteligência para desenvolver um aplicativo que empodere e ensine as meninas a amarem a si mesmas como elas são, ao invés de cortar seus corpos para se adequar a visão de beleza de outras pessoas.”

screen640x640Após tantas manifestações de pessoas indignadas com o aplicativo, o mesmo foi tirado do ar. Contudo, outro jogo (bastante similar) foi lançado – chamado Plastic Surgery for Barbara.

No novo aplicativo, a descrição diz: “Barbara gosta de comer um monte de hambúrgueres e chocolates e um dia começou a achar que estava feia. Ela não pode seguir nessa situação mais nenhum segundo sequer. E hoje, o cirurgião plástico vai fazer uma operação em seu corpo e em seu rosto, a fim de tornar a Barbara bonita novamente. Ela tem medo de tudo isso”. Ou seja, a proposta desse novo aplicativo é idêntica ao anterior tirado do ar, sendo que o atual é recomendado para crianças maiores de 12 anos.

Enquanto estávamos escrevendo este post, o aplicativo Plastic Surgery for Barbara também foi retirado do ar (veja aqui). Isto prova que as manifestações populares, até mesmo as realizadas via redes sociais, são eficazes para gerar mudanças. Se você não concorda com alguma coisa, manifeste-se! 

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Em um comunicado, o ex-presidente da Associação Britânica de Cirurgiões Plásticos e Estéticos (BAAPS), Nigel Mercer, descreveu o Plastic Surgery for Barbie como “sexista e perturbador”. Ele disse: “Este aplicativo descaradamente e despudoradamente utiliza marcas conhecidas [como a Barbie] para atingir as crianças, um público vulnerável, expondo-as a uma retórica sexista e perturbadora, através da crítica  que o jogo faz ao corpo de uma personagem que não está de acordo com um padrão de beleza inatingível”.

E quando achamos que os absurdos se limitam ao mundo virtual, relembramos o caso da mãe que presenteou sua filha de 7 anos com um “vale lipoaspiração”. Isso porque ela já tinha um voucher no valor de R$ 14,5 mil para colocar silicone nos seios. Tudo presente da mãe, Sarah Burge, conhecida como a Barbie Humana. A inglesa de 51 anos, é viciada em cirurgias plásticas e já gastou mais de um milhão de reais em procedimentos cirúrgicos. Leia mais aqui.

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Em tempos de tecnologia disponível para todos, de publicidade abusiva voltada para crianças e de culto a imagem corporal, precisamos estar cada vez mais atentos ao conteúdo que as crianças têm acesso.

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Campanha Del Valle Kapo #EraSóOQueFaltava

Por Camila Araújo, Camila Leão e Maína Pereira.

 
del_valle_kapo_campanhaA nova campanha publicitária do refresco Del Valle Kapo no canal GNT está utilizando uma estratégia de marketing bastante dúbia: mães famosas estão dando dicas de como fazer os filhos consumirem frutas. As três peças da campanha ressaltam a relação da criança com a família e a alimentação por meio do incentivo a adoção de uma abordagem parental que foque na diversão em consumir alimentos saudáveis ao invés da imposição.

Outros aspectos destacados são: o papel das mães em ser o exemplo de alimentação saudável para os filhos, a utilização de atividades lúdicas que proporcionem interesse em experimentar frutas diferentes e a abordagem do sistema alimentar ao incentivar a produção e contato com alimentos que podem ser cultivados em casa.

carinho kappoVale ressaltar ainda que, como já dissemos em outro post, relacionar o consumo de alimentos com aspectos afetivos também é uma estratégia de marketing que vem sendo bastante explorada pelas empresas. “O segredo é carinho”, reforçado pela campanha, retrata isso muito bem.

Outro grande problema é associar o consumo deste refresco, com altos teores de açúcar e com aditivos, como substituto do consumo de frutas e como uma opção mais divertida para as refeições.

Na verdade, em nenhum momento fala-se do suco; apenas no final, ao usar “seu filho vai curtir as frutas com Del Valle Kapo”. Depois de dar dicas super saudáveis, a publicidade termina dando a entender que: “toda essa diversão só acontece se for com o Kapo”…

Além disso, vale ressaltar que em nenhuma das peças foram utilizadas as crianças como personagens principais da campanha; elas apenas a integram como “coadjuvantes”, com a participação por meio de fotos que as identifiquem como “filho” da Astrid, da Cynthia ou da Diana. Será que isso foi proposital? Pensando em toda essa discussão da regulamentação da publicidade, em que existe a ideia de defender a publicidade direcionada aos pais e não às crianças, fica a dúvida: o fato de não existirem crianças propriamente ditas no vídeo poderia ser uma estratégia da marca/empresa para transmitir uma imagem de “politicamente correta” já que a campanha é claramente direcionada aos pais e não à criança (mesmo que seja um produto para crianças)?

Vamos à resposta: em maio 2013 a Coca-Cola se comprometeu a fazer um “marketing responsável” e assumiu publicamente que não faria mais propagandas voltadas para crianças com menos de 12 anos de idade. Entretanto, de acordo com informações divulgadas sobre esta campanha, a mesma teria começado em junho, com a exibição da peça “uva em apuros”, a qual é certamente direcionada para o público infantil.

Outro aspecto que merece destaque é o fato de que na campanha com as apresentadoras do canal GNT, o marketing realizado através da televisão foi voltado para os pais, porém a embalagem (outra importante forma de marketing – apesar de não ser reconhecida pela ANVISA como tal) é direcionada para a criança.

Avaliação Nutricional do Kapo

Ao consultar o site da marca, verifica-se que a linha Del Valle Kapo conta com duas opções de bebida: as bebidas de frutas (refrescos) e os néctares. Como já foi dito aqui, existe uma diferença entre esses dois tipos de bebidas. Uma das principais diferenças entre elas é o teor mínimo de polpa (isto é, da fruta em si) que cada uma precisa ter. O suco é o que tem a maior concentração. Em seguida vem o néctar e, por último, o refresco. Entretanto, esses percentuais mínimos variam caso a caso, já que cada fruta tem uma particularidade.

Sabe-se que a presença de alguns ingredientes utilizados neste tipo de produto mascaram o verdadeiro sabor da fruta. Ou seja, consumir o refresco Kapo não incentiva as crianças a consumirem frutas in natura. Muito pelo contrário: podem até fazer com que elas tenham mais dificuldade em consumí-las, visto que não serão tão doces quanto a bebida.

Para agravar ainda mais o problema dessa publicidade, as bebidas apresentadas são os refrescos – com os maiores teores de açúcar e menores teores da fruta em si.

A figura abaixo ilustra a composição de uma dessas bebidas de fruta:

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Ao observar a lista de ingredientes, é possível perceber que o produto conta com açúcar (em maior quantidade) e sucos de maçã, laranja, uva, abacaxi e maracujá, além dos nutrientes artificialmente presentes – já que “colocar” as frutas dentro da caixinha faz elas perderem a maioria de seus nutrientes.

Ora, se isso é uma bebida mista, que conta com essa variedade de sabores de suco, por que defini-lo como “sabor abacaxi”, se ele é um dos últimos da lista de ingredientes? Por conta do “aroma sintético idêntico ao natural”?

Esse fato reforça ainda mais que a bebida Kapo NÃO substitui uma fruta. Sendo que a propaganda traz, portanto, uma informação confusa e enganosa, tanto para as crianças quanto para as mães.

O consumo de frutas por crianças é extremamente importante para a saúde, porém é algo pouco incentivado. Propagandas como esta, ao invés de ajudar, com certeza só atrapalham no estímulo ao consumo de frutas e à adoção de uma boa alimentação.

 

Se você ainda não viu a campanha, seguem os vídeos abaixo:

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A “moda” do aleitamento materno

Por Camila Araújo e Camila Leão.

O aleitamento materno não é uma “moda” atual para a alimentação infantil. Na verdade, o leite em pó industrializado é que virou moda, transmitindo paras as mães (e para muitos pediatras também) a noção de que é uma opção muito melhor ao leite materno. Ora, desde o início dos tempos todos os seres humanos foram amamentados com o leite materno, cresceram e se desenvolveram excelentemente bem – que o diga a evolução humana. Já é um consenso (um tanto quanto óbvio) que o leite materno é um alimento completo para o bebê.

O leite artificial é importante somente para os casos em que a mãe não pode amamentar. Para os outros casos, o aleitamento materno exclusivo e em livre demanda é recomendação da Organização Mundial da Saúde, Ministério da Saúde e Sociedade Brasileira de Pediatria (que não costumam se pautar pelos modismos, mas pela ciência).

Contudo, a indústria das fórmulas infantis não está nada satisfeita com essa nova “moda” de re-conscientização da população sobre a importância do aleitamento materno, afinal, eles é quem param de lucrar…

Vejam a reportagem que encontramos:

Há um ano: Leite em pó

A tal moda de amamentar está me dando fome… E todos os adultos achando que tô chorando por cólica
Por Margarida – 26.11.2013

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Estou deixando minha mãe meio apavorada. É porque eu choro muito. E ela continua não entendendo. Vou contar a verdade: Minha mãe está com pouco leite… Acontece nas melhores famílias. Mas como eu nasci no século 21 – em uma família que pode ir ao supermercado – existe uma solução incrível chamada LEITE EM PÓ. Os cientistas – são os homens que inventam as coisas novas – conseguiram inventar um leite bem parecido ao leite da minha mãe, é uma maravilha.

O problema é o de sempre: minha mãe não me ouve. Ela fica achando que eu tô chorando de cólica, e eu tô chorando de fome! Cólica é uma coisa que eles dizem para todos os problemas que a gente tem. Quando não sabe o que é, é só dizer que é cólica! Mas pra vocês entenderem a cólica e o leite em pó vou ter que falar de outro assunto.

Aqui na Terra tem uma coisa chamada “moda”. Todo mundo se influencia por ela. A moda faz as pessoas mudarem de ideia e acreditarem no extremo oposto do que acreditavam antes. É assim, dependendo da moda você logo muda de idéia. A moda depende do lugar, da época e não sei mais do quê, mas serve pra tudo: eu já vi para comida, roupa, educação. Isso só em três semanas, então é seguro que sirva pra mais coisa.

Tô dizendo isso porque aqui onde nasci, no Brasil, está super na moda amamentar! Então a maravilhosa invenção do leite em pó anda malvista… E nem passa pela cabeça da minha mãe – que, infelizmente, se influencia pelo o que pensa a maioria – que eu seria muito mais feliz se ganhasse, depois do peito, um pouquinho de leite em pó.

Tem uma senhora muito simpática que vem quase todo dia aqui em casa. Ainda não entendi porque ela passa tanto tempo aqui – e ninguém me explicou. O nome dela é Maria. Uma visita diferente porque as outras visitam costumam ficar paradas e ela fica de um lado pro outro levando coisas, arrumando, limpando. De vez em quando, ela fala para alguém: “Ah, se a mãe dela saísse um pouquinho, eu bem que dava uma mamadeira bem grande, aposto que esse bebê está chorando de fome”. A Maria, que não liga pra moda, tem boa intuição. Mas nada da minha mamãe sair de casa…

É o problema de sempre… Os adultos basicamente só entendem as palavras. No resto da comunicação eles não vão muito bem.

Ai que fome, quero mais leite e o da minha mãe já acabou… É difícil mesmo essa vida na Terra…

Reparem que o texto foi publicado numa revista voltada para pais! Que tipo de informações estão sendo passadas, afinal?! Serviço de desinformação maior, impossível…

milnutri-pefAh, vale ressaltar ainda que na página em que o texto foi publicado existe uma  publicidade da fórmula Milnutri, da Danone. Coincidência?! Claro que não…

Matérias como essa perpetuam a ideia de que o leite materno é “fraco” e que não está atendendo às necessidades da criança.

O recado que gostaríamos de deixar: Pais, fiquem atentos ao conteúdo que acessam e analisem criticamente as informações!

nestle-boycott-twins“A menos que você já tenha visto essa imagem antes, vai se chocar quando souber que esses bebês são gêmeos.  A mãe foi levada a acreditar que ela não teria leite suficiente para os dois. Então ela alimentou o menino no seio, enquanto a avó alimentou a menina na mamadeira. A menina morreu dias depois da foto.” Fonte: Jemjabella Imagem tirada pela UNICEF

Texto interessante sobre esse assunto: MANUAL DIGITAL DA MATERNIDADE RADICAL: FORMULA FIX – Super Duper.

Em resposta ao texto publicado, gostaríamos de deixar um dos comentários da página, que ensina bem a “pobre Margarida” sobre a realidade:

Oi, Margarida

Eu não sou bebê, já fui, faz muito tempo. Tive um bebê como você, mas ela também já está grandinha. Ela e eu passamos pela fase da amamentação. Sim, olha como essa moda já existia. Eu mamei na década de 70 e minha filha nos anos 2000. Aliás, querida Margarida, um dia você também pode ser mãe e amamentar seu filhote, sabe como? Com os peitos. Os seios que você terá quando começar a ficar “mocinha”. É para isso que eles estão ali, para amamentar.

Existem algumas mulheres que realmente não conseguem amamentar, o que é uma pena, porque a amamentação é a alimentação perfeita para bebês como você. Para estas mulheres sim, estes homens que inventam as coisas novas criaram o leite em pó, a fórmula . Para o resto das mulheres que pode amamentar, o leite em pó é algo completamente desnecessário. Infelizmente, algumas pessoas, como a sua mãe, estão desinformadas sobre a amamentação. E você, Margarida, poderia ensiná-la. Leite fraco é uma lenda, não acredite nisso não. E achar que amamentação é moda é muito feio. Parece até que ninguém frequentou direito as aulas de ciências quando o professor ensinou que o ser humano é mamífero.

A Maria, que parece ser bem legal, não tem boa intuição não. Maria está errada. Mas não culpe Maria, ela deve ter lido alguns textos em revistas e sites voltados para pais onde se encontram algumas grandes besteiras escritas. Mas eu entendo você, não deve ser fácil aprender sobre amamentação numa página com o patrocínio de uma fórmula.
Porque o legal mesmo é assim, cada um tem a sua opinião e faz o que bem entender com a sua vida, mas quando essa nossa opinião pode influenciar outras pessoas, ela precisar ser verdadeira.

Boa sorte, Margarida.

Por Chelly Cardoso.

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