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Nutricionista aponta a interferência dos pais na obesidade infantil

A Revista do Conselho Federal de Nutrição, na edição de janeiro-abril de 2013, entrevistou a nutricionista Dra. Isa Maria de Gouveia Jorge que investigou, pela primeira vez no Brasil, os hábitos e preferências alimentares de crianças pré-escolares. O estudo, intitulado Aceitação de alimentos por pré-escolares e atitudes e práticas alimentares exercidas pelos pais, resultou na tese de doutorado  da nutricionista, defendida na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP) em 2011. Em entrevista à Revista CFN, Isa fala sobre a relação do comportamento de pais e filhos com a obesidade infantil.

“Nas últimas décadas, o excesso de peso tem aumentado, inclusive, entre as crianças de 4 a 6 anos. É na infância que os hábitos alimentares são formados e, dependendo da disponibilidade e do acesso aos alimentos, assim como das interações entre pais e filhos no contexto alimentar, as preferências e o padrão de consumo das crianças podem influenciar no seu estado nutricional.”

Confira a entrevista na íntegra!*

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Fonte: Revista – Conselho Federal de Nutrição – páginas 12 e 13.

Confira também, neste link, um resumo do estudo.

*Clique na imagem ou no link da fonte e busque as páginas 12 e 13 da revista.

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Michael Pollan: Nós ensinamos as crianças sobre sexo, por que não sobre como cozinhar?

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Em seu novo livro, Cooked: A Natural History of Transformation (Cozido: A História Natural da Transformação, tradução livre), Michael Pollan, que se aventurou bastante explorando o funcionamento interno da cadeia alimentar, optou por passar um tempo na cozinha – incluindo a sua própria, no norte de Berkeley.

Ao conhecer uma sucessão de chefes de cozinha, Pollan, Professor da Escola de Jornalismo da Universidade de Berkeley além de ser um autor bastante conceituado, aprendeu como grelhar com fogo, cozinhar com líquidos, fazer pão e fermentar tudo, desde queijo a cerveja.

No curso de sua jornada, ele descobriu que cozinhar ocupa um lugar especial no mundo, com papel fundamental no relacionamento entre natureza e cultura. Sua educação o levou a concluir que voltar à cozinha pode ser uma das coisas mais importantes que qualquer um pode fazer para ajudar a construir um sistema alimentar mais seguro e sustentável.

O jornal Berkeleyside conseguiu uma entrevista com Pollan, para questioná-lo um pouco mais sobre a sua “instrução culinária” e sobre os seus próximos passos.

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Michael Pollan: “Nós já ensinamos nas escolas sobre álcool, drogas e sexo seguro, por que não ensinar também sobre como cozinhar?”

Você investiu tempo e esforço para aprender muitas habilidades culinárias. Qual dessas habilidades tem sido a mais valiosa? O que você sugere para um cozinheiro iniciante aprender primeiro?

Talvez a habilidade mais importante não seja uma única habilidade em si, mas uma abordagem, ou habilidade mental, que eu aprendi com a Samin Nosrat, minha professora. Ela me disse que a chave para cozinhar bem era: paciência, prática e presença – nenhum desses atributos eu tinha antes. Aprender a realmente estar na cozinha, sem combatê-la – e sem pensar em todas as outras coisas urgentes que você possa estar fazendo ao mesmo tempo – não só me torna um melhor cozinheiro, disposto a deixar as cebolas cozinharem tempo suficiente para caramelizar – mas me permitiu apreciar o trabalho ainda mais.

Berkeley é abençoada com um número desproporcional de maravilhosos restaurantes e cafés. O que te motiva a entrar em sua própria cozinha para cozinhar ao invés de sair para comer?

Bem, nós somos igualmente abençoados com grandes feiras de agricultores e lojas que oferecem ingredientes incríveis, que você só pode apreciar se for cozinhar. Eu odeio andar pela feira sabendo que eu não deveria comprar nada, pois vou comer fora naquela noite. Eu amo comer fora de vez em quando, mas em ocasiões especiais – e eu tento manter isso dessa maneira.

A chefe Samin Nosrat passou muitos domingos com você te ensinando a cozinhar. Por que você escolheu Samin para ser sua professora?

Eu sabia que Samin não era apenas uma excelente cozinheira, mas também uma professora espetacular. Ela imediatamente compreendeu as lições que eu precisava e nós compartilhamos algumas práticas fundamentais na cozinha. Mesmo já tendo sido cozinheira em restaurante, Samin não se deslumbrou com a carreira de chefe de cozinha e ama cozinhar em casa. Como ela mesma diz: “é a vovó que cozinha aqui”.

A mensagem do livro é que o segredo para uma boa nutrição é saber quem cozinha o alimento que você come – e ele deve ser uma pessoa e não uma corporação. Como fazer a América entender essa questão? Você acha que o governo deveria se empenhar mais no sentido de encorajar as pessoas a cozinharem e a comerem juntas? Como isso seria possível?

Acredito que, por mais que possa não parecer uma mensagem de saúde pública, é importante incentivar campanhas educativas de saúde que promovam o valor da comida caseira e das refeições em família. A Edible Schoolyard (um colégio local) provou o valor de ensinar as crianças a crescer, cozinhar e comer na escola. Nas escolas existem aulas que orientam sobre drogas, álcool e sexo seguro, inclusive ensinamos os nossos filhos a dirigir. Logo, é coerente para mim que cozinhar também seja algo importante a ser ensinado.

Você escreveu vários livros sobre a cadeia alimentar. Você encerrou esse ciclo? O que vem por aí em sua carreira?

Não faço ideia do que vem agora. Com este livro, eu concluí a investigação da cadeia alimentar, desde a terra até o corpo, que venho trabalhando há mais de uma década – o cozimento e o processamento de alimentos foi o último ponto. Eu ainda não escrevi sobre a história alimentar global e posso querer fazer isso. Meu próximo projeto será uma exploração do microbioma intestinal humano para o New York Times, olhando para a fermentação “de dentro”. Essa ideia surdiu quando eu estava aprendendo sobre fermentação para Cooked.

Fonte: Berkeleyside (com adaptações).

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Infância e Consumo – Entrevista com Susan Linn

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Susan Linn é psicóloga, escritora, produtora, cofundadora e diretora da Campaign for a Commercial Free Childhood (Campanha por uma Infância Sem Comerciais), além de ser instrutora em Psiquiatria na Harvard Medical School. Já escreveu extensivamente sobre  o efeito da mídia e do Marketing nas crianças, inclusive o livro Consuminhg Kids(Crianças do consumo), o qual recebeu boas críticas de publicações como The Wall Street Jornal e Mother Jones.

Dentro da Campanha por uma Infância Livre de Comerciais, surgiu a proposta chamada: “Screen Free week”(http://www.screenfree.org/) – que tem como objetivo incentivar as crianças a ficarem uma semana desconectadas de qualquer aparelho eletrônico, estimulando a vivência com a família, amigos e a natureza – uma semana totalmente “desligado”. Neste ano, a celebração aconteceu na semana de 29 de abril à 05 de maio e algumas iniciativas no Brasil apoiaram esta causa.

Com exclusividade para a rede Ideias na Mesa, Susan Linn participa desta entrevista sobre a propaganda de alimentos direcionada para o público infantil. Confira:

1) Você mencionou no Seminário Internacional Infância e Comunicação, ocorrido em março em Brasília, que existe uma diferença entre as crianças serem expostas à publicidade nessa geração em comparação às gerações anteriores, assim como o tipo de publicidade utilizada. Qual é a diferença?

Resposta: A publicidade que as crianças experimentam nos dias de hoje não pode ser comparada com a publicidade experimentada pelas gerações anteriores. Fazendo uma retrospectiva, em 1983, empresas americanas gastaram 100 milhões de dólares anuais em propagandas direcionadas para as crianças, e atualmente essas empresas estão gastando 17 bilhões de dólares. É um grande aumento, e isso apenas nos EUA. Antes, a influência das crianças no gasto total de dinheiro era por volta dos bilhões, hoje, já está na casa dos trilhões. Somando-se a isso, ainda temos o desenvolvimento tecnológico das mídias, como por exemplo, ostablets e ipads, que promovem maior contato das crianças com a publicidade existente e divulgada nesses veículos. Então, o que temos é um marketing infantil bastante abrangente e não regulamentado o suficiente para proteger as crianças.

2) O que isso implica na saúde e no desenvolvimento dessas crianças?

Resposta: O marketing infantil afeta negativamente o desenvolvimento social e a saúde das crianças ao redor do mundo, nos dias de hoje. É um dos fatores que colabora para o aumento da obesidade, surgimento de distúrbios alimentares, sexualidade precoce e sexualização de meninas, violência entre os mais jovens, estresse familiar e a materialização de valores e de princípios, ou seja, a crença de que o consumo de determinado produto irá trazer felicidade. Além disso, prejudica as brincadeiras criativas, que são essenciais para o desenvolvimento cognitivo da criança, para promover a solução de problemas, a habilidade de autocontrole e iniciativas de novos projetos. Tudo isso é possibilitado com as brincadeiras criativas, e as propagandas e o marketing prejudicam esse processo. Eu sei que há várias discussões em torno da obesidade infantil ao redor do mundo, e essa questão é muito importante, mas não se trata apenas de publicidade de alimentos.

3) Qual é o papel das novas mídias e da indústria de alimentos nos hábitos alimentares das crianças?

Resposta: As indústrias de alimentos estão tendo mais acesso às crianças por meios dos websites promovidos pelas marcas. E essas companhias gostam muito desse tipo de publicidade, pois duram bem mais do que os quinze segundos de propaganda. Logo, é ainda mais poderoso e eficaz. Não sei se vocês já brincaram nesses sites, mas uma vez eu pude experimentar o de uma marca conhecida de chocolates, e, no final, eu estava morrendo de vontade de comer chocolate! É impressionante o poder exercido por eles!

4) Qual é o papel dos pais em relação à superexposição das crianças às propagandas?

Respostas: É muito difícil para os pais lutarem contra companhias que possuem milhões e milhões de dólares, que trabalham com auxílio de psicólogos e antropólogos na elaboração de métodos efetivos para alcançarem às crianças. Nós precisamos educar os pais, mas isso não é suficiente, nós precisamos de uma sociedade e de um mundo que colaborem para a criação das crianças, e não que prejudiquem esse processo. Nós precisamos educar os pais e, particularmente, nós precisamos de educação para lidar com as novas mídias. Pesquisas mostram que muito tempo diante da TV é prejudicial à saúde da criança. Nós precisamos ajudar os pais a realizarem outras atividades com seus filhos, que não seja apenas a de assistir TV. Mas isso também não é o bastante. É preciso regulamentar a publicidade infantil. Os pais precisam sim dizer não à seus filhos, mas eles também precisam de ajuda governamental, pois não é uma luta justa. É uma luta contra empresas que gastam 17 bilhões de dólares anuais em investimentos para promover a marketing infantil.

5) Você acredita que é possível educar as crianças de modo que elas não sejam influenciadas pela publicidade?

Resposta: Todos nós somos vulneráveis à propagandas. Mas as crianças são ainda mais vulneráveis, pois o seu cérebro está em processo de desenvolvimento e elas não possuem o mesmo senso crítico dos adultos. Pesquisas mostram que crianças muito pequenas não diferenciam a publicidade dos programas de TV. Então, quando as empresas utilizam personagens para fazer publicidade, a criança não entende que aquilo é um produto, ela encara o produto como parte do personagem. Além disso, as crianças menores de 8 anos não conseguem discernir o caráter persuasivo da publicidade. Elas simplesmente não entendem a intenção de venda do marketing. Porém, nós precisamos conversar com as crianças a respeito das propagandas. É importante manter esse tipo de diálogo com elas, mas nós não podemos esperar que crianças conseguirão resistir ao apelo do marketing da mesma forma que nós adultos, uma vez que são elaborados por profissionais competentes permeados de pesquisas e dinheiro. Eu possuo muito conhecimento sobre marketing, e mesmo assim sou vulnerável à ele!

6) O que o governo pode fazer em relação à propaganda de alimentos direcionados para as crianças?

Resposta: A publicidade infantil deveria ser proibida. Não há nenhuma justificativa moral, ética ou social para isso. As crianças têm o direito de crescer e os pais têm o direito de criar seus filhos sem que sua saúde e desenvolvimento sejam comprometidos por causa de interesses financeiros. Se as companhias estão dizendo que os pais são os responsáveis, então porque elas não direcionam seu marketing para os pais? As companhias estão agindo de uma maneira dúbia: os pais são os responsáveis, mas elas utilizam ajuda de psicólogos para conseguir driblar o controle dos pais.

Fonte: Ideias na Mesa

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Susan Linn – “Por que deveríamos sujeitar as crianças à publicidade que diz a elas para comerem coisas que não são boas?!”

Em entrevista concedida durante um bate-papo no Instituto Alana, em 11 de março de 2013, Susan Linn falou sobre os impactos do marketing de alimentos e brinquedos direcionado ao público infantil.

livro susan linnSusan Linn é professora de psiquiatria na Escola Médica de Harvard, além de co-fundadora e diretora da Campanha por uma Infância Sem Comerciais (CCFC), tendo escrito diversas pesquisas acerca dos efeitos da mídia e do marketing em crianças. Ela também é a autora do livro Crianças do Consumo: A Infância Roubada.

Durante a entrevista Susan discute sobre a problemática de exposição das crianças à publicidade, em especial a publicidade de alimentos não-saudáveis, além da importância da regulamentação dessa publicidade.

“É fundamental que haja uma pressão no Brasil e em outros países para acabar com a publicidade infantil de alimentos não-saudáveis. Também é importante entender que se nós pensarmos no que é realmente bom para as crianças não deveria haver nenhum marketing de alimentos direcionado a elas. O marketing treina as crianças a escolherem os alimentos baseadas na embalagem, ou em qual personagem está no rótulo, ou se elas ganham alguma recompensa (um brinquedo, por exemplo). Nós queremos que as crianças construam um relacionamento saudável com a comida. Um maneira saudável de interagir com a comida, de escolher a comida. E o marketing de alimentos para crianças atrapalha isso.”

Confira a entrevista:

Clique no link do YouTube na opção legendas/captions para ativar a legenda em português.

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