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Dia das Crianças

Texto escrito por Grace Barbosa e retirado do Blog Mãezíssima (com adaptações). 

Outubro chegou e com ele o Dia das Crianças e a nossa vontade quase incontrolável de dar presentes aos nossos filhos. Presentear é tudo de bom, é gostoso ver os olhinhos brilharem diante de um pacote. Gostamos de saber que conseguimos comprar algo que eles vão gostar, gostamos de pensar que estamos fazendo nossos filhos felizes. Mas os tempos são outros e o não dá mais para ver essa cena sem pensar em consumo consciente e publicidade infantil.  

criança vendo TVA verdade é que hoje em dia não dá para ser inocente quando o assunto é consumo. Principalmente quando nossas crianças são bombardeadas por publicidade infantil. De repente é um querer por minuto e comprar aquele presente não satisfaz um desejo que a criança não sabe expressar. Nós pais acabamos incumbidos de proteger nossas crianças de uma indústria que não vende simplesmente brinquedos, mas valores, desejos e necessidades. E quem disse que estamos preparados para lidar com tudo isso? Se nem adultos conseguem passar ilesos por tantas propagandas, imagem uma criança que é muito mais vulnerável a esse tipo de investida.

Na geração das nossas mães não existia a preocupação com a educação para o consumo. Não existia acesso, facilidades, muito menos publicidade. Somos talvez a primeira geração de pais que precisa se preocupar com a publicidade que seu filho está sendo exposto. E mais do que isso, que tipo de consumidor estou criando. Estou mostrando o valor das coisas? Estou ensinando o uso e consumo consciente? Não tá fácil para as Mãezíssimas Paizíssimos.

Hoje em dia, existem muitos sites com informações esclarecedoras sobre os efeitos prejudiciais à infância da publicidade infantil brasileira. Os alertas remetem a erotização precoce, obesidade infantil, altos índice de violência, estresse familiar e tanta coisa ruim que a gente quer manter bem longe dos nossos filhos. Ler e se informar sobre esses temas é o primeiro passo para criar consumidores conscientes. Precisamos ensinar nossos filhos a entender o que eles realmente querem, e o que querem que eles queiram.

10 motivos

O documentário “Criança – A alma do negócio” mostra de forma muito interessante, como a publicidade influencia as escolhas e os comportamentos das crianças. Para aqueles que ainda tiverem tempo de assistir antes das comemorações e quiserem fazer uma boa reflexão a respeito do tema:

Então, o que fazer no Dia das Crianças?

É preciso exercitar a nossa criatividade para fugir do que está imposto! Que tal um programa diferente, como por exemplo, ensinar aos seus filhos algumas brincadeiras da sua época? É bacana pensar que cada família pode encontrar sua forma de ensinar sobre uso e consumo consciente. Sobre o valor das coisas e principalmente: coisas são coisas, gente é gente! O velho e super atual “ser é mais importante do que ter”.

Fato: Não está fácil par ninguém, mas precisamos fazer nosso papel de pais responsáveis e principalmente formadores de cidadãos conscientes. Buscar o equilíbrio nesse assunto é extremamente delicado, é tentador ir a qualquer um dos extremos: dar tudo ou zerar o consumo. A chave é achar um meio termo que funcione para você e sua família, lembrando que você é o adulto responsável, que pode se informar e deve saber fazer escolhas. Deixe que a criança seja criança.

troca de brinquedos

Dicas que podem ajudar:

– Lembre-se que nenhum brinquedo é mais legal do que ter o papai ou a mamãe ao lado.

– Restrinja o tempo de TV do seu filho. Outra opção é trocar por DVDs, youtube, Netflix.

– Participe de Feiras de Trocas de Brinquedos.

– Escolha brinquedos junto com seu filho para doação.

Vamos fazer um Dia das Crianças diferente do comum e com certeza, muito mais divertido e consciente!

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Opinião do âmbito jurídico sobre a publicidade infantil

Sabe-se que embalagens muito bem elaboradas, semelhantes às de presentes e contendo brindes de super-heróis e cinderelas, fazem com que as crianças não se alimentem porque têm fome, mas sim para atender o seu desejo de recompensa pela embalagem ou pelo brinquedo nela contido.

No que diz respeito à estratégia de comunicação publicitária adotada pelas indústrias, os alimentos e suas qualidades nutricionais estão em último plano. Em verdade a maioria não são sequer mencionadas, pois o que se anuncia com grande ênfase é a promoção e a possibilidade de participação em viagens junto a personagens infantis ou brindes desejados pelas crianças. O fato de os produtos anunciados como prêmios tornarem-se a verdadeira razão da compra dos produtos alimentícios denota a estratégia abusiva de comunicação mercadológica desenvolvida pelas empresas de alimentos, explorando as crianças como verdadeiros grupos de consumistas, para induzir o consumo excessivo dos alimentos que comercializam.

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Para os profissionais da publicidade, o fundamental é buscar argumentos que convençam as crianças a adquirirem o produto. A pretensão de vender alimentos industrializados destinados ao público infantil incentiva as crianças a comer não uma vez apenas, mas inúmeras, até estarem fidelizadas ao produto. Porém, do outro lado desse enfoque publicitário, costumam agregar às campanhas publicitárias frases como: “Faça exercícios físicos diários”, ou então, “Acompanhe a ingestão deste alimento com exercícios físicos diários para manter um hábito saudável”. É uma tentativa de atribuir o problema da obesidade somente à falta de atividade física, ou de então tentar forjar uma preocupação da obesidade. Apesar dessa tentativa, as empresas de alimentos considerados ricos em gorduras e açúcares maléficos à saúde já estão há tempos sendo autuadas pelos órgãos especializados na defesa do consumidor, em razão de suas estratégias de comunicação dirigidas ao público infantil.  Isto decorre porque percebe-se que a obesidade se vincula às chamadas DCNT – Doenças Crônicas Não Transmissíveis e que essas doenças estão cada vez mais difundidas na sociedade e sua importância como questão de saúde pública é crescente.

A questão da obesidade infantil e sua ligação com a mídia e estratégias de comunicação publicitária tem sido objeto de diversos estudos. Segundo a Associação Dietética Americana, a exposição das crianças por apenas 30 segundos aos comerciais de alimentos é capaz de influenciar suas escolhas alimentares. Como exemplo, podemos observar as imagens dos produtos industrializados abaixo, que possuem como objetivo a venda de seus produtos destinados para o público infantil:

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Desse modo, não surpreende o fato de o mercado alimentício ciente da influência que as crianças possuem na hora das compras da família, gerar uma grande quantidade de promoções dirigidas ao público infantil para vender seus produtos, seja visando atingir as próprias crianças ou seus familiares.

Este exacerbado conjunto de elementos que influencia o consumo exagerado de alimentos gordurosos implica necessariamente em conseqüências jurídicas para as práticas ilícitas de um ambiente carregado de impactos maléficos sobre a criança. Quando se fala que a publicidade é uma forma ou meio de comunicação, deve-se ressaltar que esta não atinge qualquer atividade que tenha intuito de levar informação, mas sim as atividades que tenham por finalidade uma atividade econômica.

Trechos do Texto: Opinião do âmbito jurídico sobre a publicidade infantil.

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Banana já descascada!? #EraSóOQueFaltava

Por Camila Araújo e Camila Leão.

É cada vez mais comum ouvirmos pessoas reclamando sobre a correria do dia a dia e a falta de tempo. Adultos, jovens e até crianças, todos estão sempre cheios de tarefas e sem tempo para nada! Esses fatores levam à uma busca incessante por tecnologias ou produtos “práticos”, que já estejam prontos ou semi prontos para o nosso consumo.

Porém, será que existe um limite para essa “praticidade”? Até quando esses produtos são benéficos?

Já mostramos aqui no Blog, alguns exemplos de produtos na série “Saiba o que você está comendo”, comprovando que muitas vezes esses alimentos prontos, possuem tantos aditivos (conservantes, corantes, estabilizantes, etc.) que COM CERTEZA  sua “praticidade” não compensa seus possíveis efeitos nocivos.

Nos últimos dias, navegando nas Redes Sociais encontramos o seguinte:

era so o que faltava - banana descascada

Banana descascada vendida em bandejas.

Agora como se não bastasse a enorme oferta de alimentos processados, a indústria está querendo tirar de nós até o “trabalho” de descascar uma banana! #EraSóOQueFaltava!

Buscando mais informações sobre esse “viral”, descobrimos o seguinte: Uma rede de supermercados da Alemanha, chamada Billa, causou a maior polêmica na internet, ao publicar essa foto e fazer propaganda de seu novo produto: bananas descascadas em bandejas de plástico. A empresa foi muito criticada, tanto por consumidores que frequentavam esse supermercado, quanto por representantes de movimentos sociais, como o Greenpeace. A empresa se desculpou, disse que havia cometido um erro e que não iria mais comercializar o produto.

Porém, a foto continuou gerando polêmica e atingiu diversos países, chegando inclusive ao Brasil. Vimos nos comentários dos brasileiros, muitas pessoas que ficaram indignadas com a ideia, mas por outro lado muita gente comentou achar interessante e útil para consumir na correria do dia a dia.

Mas, sinceramente, qual é vantagem de comprar uma banana já descascada? Além de perder a característica de “fresquinha” (uma das melhores coisas de se consumir um alimento in natura), ainda estamos sujeitos a comprar uma fruta que já perdeu sua barreira de proteção, ou seja, sua casca, e que portanto tem mais riscos de estar contaminada e que, para manter-se com uma boa aparência (com a cor de uma banana fresquinha, recém descascada), provavelmente teve que ser adicionada de algum conservante químico!

Está passando da hora de pararmos para refletir sobre o que é mais importante: a praticidade ou a saúde?!

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“Mãe, eu quero!”

Por Camila Araújo e Mariane Bandeira. 
mae eu quero

Qual mãe ou pai nunca ouviu um pedido desses de seus filhos? É claro que a família é responsável pela formação dos hábitos alimentares e os pais têm um papel fundamental na educação alimentar de seus filhos. Mas não há dúvidas de que as crianças exercem grande influência nas decisões de compra de toda família, inclusive em relação aos alimentos.

Aproveitando-se dessa situação, as empresas têm investindo cada vez mais na publicidade direcionada às crianças, com o intuito de incentivá-las a pedir pelo produto aos seus pais e a insistir até que eles comprem. Assim, as estratégias de persuasão na mídia voltada para o consumo têm se apresentado cada vez mais sofisticadas e eficazes. Além disso, com o avanço da tecnologia, surgiram mais fontes acessíveis para propagar a informação, o que gera um maior alcance de consumidores de todas as classes.

Desta forma, a criança se tornou um potencial consumidor para o marketing, já que ela influencia nas decisões de compra da família com o uso de estratégias emocionais e persuasivas, além de se tornarem fiéis à marca desde a infância até a idade adulta.

Estudos revelam que o publico infantil está, especialmente, vulnerável ao marketing por sua dificuldade em perceber a intenção persuasiva que motiva a propaganda. Crianças de até 6 anos têm dificuldades para distinguir um programa de televisão de um filme publicitário, e a maioria das crianças com até os 12 anos não são capazes de compreender com clareza o objetivo de uma propaganda, nem de perceber sua estratégia de persuasão para o consumo.

Uma pesquisa realizada em 2011, investigou o uso e a percepção de estratégias persuasivas voltadas para o consumo infantil. O objetivo desse trabalho foi investigar estratégias de influência social de propagandas na mídia e a percepção de pais sobre o efeito persuasivo do marketing infantil, a fim de capacitá-los a resistir ao consumismo e seus efeitos negativos. Para isso, dois estudos foram feitos: o primeiro, analisou 182 filmes publicitários veiculados nos intervalos comerciais de um programa infantil de elevada audiência; o segundo, entrevistou, por meio de um questionário on line, 691 pais e responsáveis de crianças com até 12 anos de diferentes cidades brasileiras, com o objetivo de avaliar a maneira como percebem a influência da TV em crianças e seus hábitos de consumo.

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Os resultados do primeiro indicaram uma grande diferença no uso de táticas de persuasão entre as diferentes empresas anunciantes, o que sugere que essas companhias possuem estratégias próprias e sofisticadas para a promoção de seus produtos. A frequência elevada de táticas persuasivas é uma evidência de exposição de crianças a mensagens sutis, contra as quais não têm ainda muita capacidade de resistência. Todo marketing persuasivo é intencional, por isso é importante a presença de regulação externa do marketing voltado para crianças.

Já as análises das entrevistas realizadas no segundo estudo revelaram que os pais percebem que seus filhos são mais imunes à publicidade do que os filhos dos outros. Esse fenômeno é chamado de efeito da terceira pessoa e pode representar um maior risco de exposição à publicidade.

Essa pesquisa evidencia a necessidade de regulação da mídia, uma vez que os publicitário utilizam um grande número de estratégias persuasivas direcionadas ao público infantil.

Em 2012, foi realizado um estudo a fim de identificar quais estratégias são mais comumente utilizadas pelas crianças para persuadir seus pais na aquisição de alimentos, além de identificar quais são as atitudes dos pais perante essas estratégias. O estudo envolveu 188 crianças entre 8 e 13 anos, de ambos os sexos, em uma escola privada do Distrito Federal, com as turmas do 4º ao 7º ano do Ensino Fundamental e com seus respectivos pais. As crianças preencheram um questionário que continha itens relacionados ao uso de estratégias de convencimento utilizadas por elas para que os pais comprem seus alimentos preferidos. Outro questionário semelhante foi enviado aos pais a fim de identificar suas principais atitudes e reações quanto às estratégias de persuasão das crianças. Para as respostas, foi utilizada uma escala

Os resultados mostraram que as estratégias de persuasão mais utilizadas pelas crianças para convencer os seus pais foram as estratégias persuasivas – como pedir o alimento da marca favorita insistir até conseguir que os pais comprem pedir para os pais comprarem o alimento visto no comercial da TV – e as estratégias emocionais – como ficar emburrado ao ter seu pedido negado pelos pais.

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Um fato considerável é que essas estratégias de persuasão estavam mais diretamente relacionadas com o pedido por alimentos não-saudáveis (como biscoitos recheados, salgadinhos de pacote e doces), os quais a criança não tinha consumo regular.

Diante dessas estratégias, os pais costumam reagir cedendo ou não ao pedido de seus filhos. Negociar com a criança para que ela coma primeiro os alimentos saudáveis e depois dar o alimento não-saudável, ceder ao pedido da criança, comprar o produto por levar em conta a opinião de seus filhos e ceder por começar a ficar irritado com a insistência da criança foram as reações mais frequentemente relatadas pelos pais nesse estudo.

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Alguns autores afirmam que, entre as estratégias de pesuasão, o fator amolação é um dos mais comuns utilizados pelas crianças para influenciar nas decisões de compra dos pais. Esse fator consiste em uma estratégia em que a criança consegue adquirir o produto por meio da insistência.

A publicidade direcionada à criança está cada vez mais abusiva e isso é um problema. Ainda mais diante da epidemia de obesidade que o mundo está enfrentando, se mostra cada vez mais urgente a necessidade de regulamentação do marketing infantil. As crianças são mais vulneráveis à publicidade e a indústria sabe e se aproveita muito bem disso. Investimentos tecnológicos, científicos e financeiros são injetados na construção de campanhas publicitárias e um limite precisa existir. Os pais não tem como combater em pé de igualdade essa indústria bilionária que sustenta o marketing. O governo também é responsável e a regulamentação é uma forma de proteção aos direitos da infância.

Referências:

Caldas, L.S. (2011). Efeitos persuasivos da mídia: Uma análise das estratégias utilizadas pelas propagandas em programas infantis (Trabalho de conclusão de curso não-publicado). Departamento de Psicologia Social e do Trabalho, Universidade de Brasília.

Pereira, M.R.; Monteiro R.A.; Pérez, A.R. Buying Food: children’s influence on decision making and their parents’ reactions. In: CTC 2012 – 5th International Conference on Multidisciplinary Perspectives on Child and Teen Consumption – <>, 2012, Milão. Proceedings of the Child and Teen Consumption 2012 Food Consumption, Communication, Life Styles and Fashion 5th International Conference on Multidisciplinary Perspectives on Child and Teen Consumption. Milano (Italy): Qanat Editoria & Arti Visive di Toni Saetta, 2012. p. 809-820.

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