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A embalagem pode influenciar na escolha de alimentos?

Por Camila Araújo.

Ontem o pessoal do Fechando Zíper postou a seguinte foto:

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Como podemos observar, o refrigerante Fruki é comercializado em embalagens reutilizáveis de cerveja. Muita gente achou despropositado o comentário da página, exaltando o fato da importância da reutilização das garrafas de vidro. Essa reutilização, sem dúvida, é importante! Mas seria muito mais adequado se fossem destinadas apenas às garrafas de cerveja (já que contém a inscrição em alto relevo) ou que fossem reutilizadas as garrafas lisas, sem essa inscrição (se é que garrafas assim existem).

A comercialização do produto nesta embalagem pode dar uma ideia errada ao consumidor (não é a toa que o Fechando Zíper recebeu uma dúvida de uma pessoa que não conhecia o produto, perguntando se ele continha álcool). Ao ler o rótulo, com letras bem miúdas, a pessoa iria descobrir que se trata de um refrigerante; porém, é importante que os produtos fabricados pela indústria tenham embalagens e informações claras e objetivas sobre ele.

A propósito, estudos comprovam que a embalagem influencia nas decisões do consumidor, especialmente quando se trata do público infantil. Até porque, atualmente, o consumidor encontra uma ampla variedade de marcas nas gôndolas dos supermercados e, nesses casos, a escolha será em grande parte influenciada pela embalagem.

Um estudo realizado por Elliott e colaboradores (2013) analisou a preferência de crianças entre 3 e 5 anos quanto aos alimentos (hambúrguer, nuggets, batatas fritas, “cenouritas” e cupcakes), apresentando-os em embalagens diferentes – eles utilizaram embalagens das marcas McDonald’s e Starbucks, bem como embalagens sem marca, sendo uma branca e outra colorida. Eles seguiram uma metodologia bastante similar à de Robinson e cols. em seu estudo de 2007 (veja mais nesse post).

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No experimento realizado, as crianças preferiram os alimentos presentes nas embalagens com a marca McDonald’s ao invés daqueles que estavam na embalagem branca. Entretanto, quando elas deveriam escolher entre as embalagens com a marca do McDonald’s e as embalagens coloridas ou da Starbucks, as crianças não demonstraram uma preferência pelo McDonald’s. Desta forma, o estudo sugeriu que não é apenas a marca que influencia na escolha alimentar das crianças, mas também a presença de embalagens decoradas, coloridas e chamativas.

Desta forma, é possível perceber como as embalagens influenciam nas escolhas alimentares do consumidor (seja ele uma criança ou um adulto), mesmo que isso ocorra de forma inconsciente – seja pela estética, pelo tamanho ou pelas informações que ela contém.

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embaAs embalagens dos alimentos industrializados, principalmente aqueles direcionados ao público infantil, têm cores chamativas, desenhos ilustrativos, personagens e uma alusão à diversão. Já para os adultos, muitos vezes o recurso utilizado é o apelo aos benefícios à saúde, como “contém vitaminas e minerais”, “enriquecido”, “contém ômega-3”, “diet” ou até a presença de ilustrações de alimentos saudáveis, como frutas e vegetais, apesar de o produto não necessariamente contê-los.

No caso do refrigerante acima citado, a embalagem pode ter sido uma artimanha não muito estratégica para vendas, uma vez que confunde o consumidor. Entretanto, diversos são os casos de “sucesso” da embalagem funcionando como excelente estratégia de promoção da empresa e  marketing do produto.

Assim, apesar da Anvisa não considerar a embalagem como uma estratégia de marketing, observa-se que este é um artifício muito utilizado e muito eficaz para conquistar o consumidor.

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Campanha Del Valle Kapo #EraSóOQueFaltava

Por Camila Araújo, Camila Leão e Maína Pereira.

 
del_valle_kapo_campanhaA nova campanha publicitária do refresco Del Valle Kapo no canal GNT está utilizando uma estratégia de marketing bastante dúbia: mães famosas estão dando dicas de como fazer os filhos consumirem frutas. As três peças da campanha ressaltam a relação da criança com a família e a alimentação por meio do incentivo a adoção de uma abordagem parental que foque na diversão em consumir alimentos saudáveis ao invés da imposição.

Outros aspectos destacados são: o papel das mães em ser o exemplo de alimentação saudável para os filhos, a utilização de atividades lúdicas que proporcionem interesse em experimentar frutas diferentes e a abordagem do sistema alimentar ao incentivar a produção e contato com alimentos que podem ser cultivados em casa.

carinho kappoVale ressaltar ainda que, como já dissemos em outro post, relacionar o consumo de alimentos com aspectos afetivos também é uma estratégia de marketing que vem sendo bastante explorada pelas empresas. “O segredo é carinho”, reforçado pela campanha, retrata isso muito bem.

Outro grande problema é associar o consumo deste refresco, com altos teores de açúcar e com aditivos, como substituto do consumo de frutas e como uma opção mais divertida para as refeições.

Na verdade, em nenhum momento fala-se do suco; apenas no final, ao usar “seu filho vai curtir as frutas com Del Valle Kapo”. Depois de dar dicas super saudáveis, a publicidade termina dando a entender que: “toda essa diversão só acontece se for com o Kapo”…

Além disso, vale ressaltar que em nenhuma das peças foram utilizadas as crianças como personagens principais da campanha; elas apenas a integram como “coadjuvantes”, com a participação por meio de fotos que as identifiquem como “filho” da Astrid, da Cynthia ou da Diana. Será que isso foi proposital? Pensando em toda essa discussão da regulamentação da publicidade, em que existe a ideia de defender a publicidade direcionada aos pais e não às crianças, fica a dúvida: o fato de não existirem crianças propriamente ditas no vídeo poderia ser uma estratégia da marca/empresa para transmitir uma imagem de “politicamente correta” já que a campanha é claramente direcionada aos pais e não à criança (mesmo que seja um produto para crianças)?

Vamos à resposta: em maio 2013 a Coca-Cola se comprometeu a fazer um “marketing responsável” e assumiu publicamente que não faria mais propagandas voltadas para crianças com menos de 12 anos de idade. Entretanto, de acordo com informações divulgadas sobre esta campanha, a mesma teria começado em junho, com a exibição da peça “uva em apuros”, a qual é certamente direcionada para o público infantil.

Outro aspecto que merece destaque é o fato de que na campanha com as apresentadoras do canal GNT, o marketing realizado através da televisão foi voltado para os pais, porém a embalagem (outra importante forma de marketing – apesar de não ser reconhecida pela ANVISA como tal) é direcionada para a criança.

Avaliação Nutricional do Kapo

Ao consultar o site da marca, verifica-se que a linha Del Valle Kapo conta com duas opções de bebida: as bebidas de frutas (refrescos) e os néctares. Como já foi dito aqui, existe uma diferença entre esses dois tipos de bebidas. Uma das principais diferenças entre elas é o teor mínimo de polpa (isto é, da fruta em si) que cada uma precisa ter. O suco é o que tem a maior concentração. Em seguida vem o néctar e, por último, o refresco. Entretanto, esses percentuais mínimos variam caso a caso, já que cada fruta tem uma particularidade.

Sabe-se que a presença de alguns ingredientes utilizados neste tipo de produto mascaram o verdadeiro sabor da fruta. Ou seja, consumir o refresco Kapo não incentiva as crianças a consumirem frutas in natura. Muito pelo contrário: podem até fazer com que elas tenham mais dificuldade em consumí-las, visto que não serão tão doces quanto a bebida.

Para agravar ainda mais o problema dessa publicidade, as bebidas apresentadas são os refrescos – com os maiores teores de açúcar e menores teores da fruta em si.

A figura abaixo ilustra a composição de uma dessas bebidas de fruta:

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Ao observar a lista de ingredientes, é possível perceber que o produto conta com açúcar (em maior quantidade) e sucos de maçã, laranja, uva, abacaxi e maracujá, além dos nutrientes artificialmente presentes – já que “colocar” as frutas dentro da caixinha faz elas perderem a maioria de seus nutrientes.

Ora, se isso é uma bebida mista, que conta com essa variedade de sabores de suco, por que defini-lo como “sabor abacaxi”, se ele é um dos últimos da lista de ingredientes? Por conta do “aroma sintético idêntico ao natural”?

Esse fato reforça ainda mais que a bebida Kapo NÃO substitui uma fruta. Sendo que a propaganda traz, portanto, uma informação confusa e enganosa, tanto para as crianças quanto para as mães.

O consumo de frutas por crianças é extremamente importante para a saúde, porém é algo pouco incentivado. Propagandas como esta, ao invés de ajudar, com certeza só atrapalham no estímulo ao consumo de frutas e à adoção de uma boa alimentação.

 

Se você ainda não viu a campanha, seguem os vídeos abaixo:

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O que um nutricionista faz na área de produção de refeições? #MêsDoNutricionista

Por Camila Araújo e Camila Leão.

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O Nutricionista da área de produção é aquele que atua em Unidades de Alimentação e Nutrição (UAN), as quais podem ser definidas como: empresas fornecedoras de serviços de alimentação coletiva, serviços de alimentação auto-gestão, restaurantes, lanchonetes, padarias, serviços de buffet e de alimentos congelados, hotelaria, cozinhas dos estabelecimentos assistenciais de saúde, além da Alimentação Escolar e da Alimentação do Trabalhador.

Nesses locais, o nutricionista é responsável por: elaborar lista de compras; planejar o cardápio; supervisionar a produção de refeições, bem como a adequação das instalações físicas; realizar treinamentos com os funcionários; implantar Procedimentos Operacionais Padronizados (POPs), Manual de Boas Práticas e métodos de controle de qualidade de alimentos; implantar, coordenar e supervisionar as atividades de higienização da UAN; promover programas de educação alimentar e nutricional para clientes; entre diversas outras atividades (na Resolução CFN n° 380/2005 você pode encontrar mais detalhes).

Alguns “instrumentos” importantes para todo estabelecimento que produz refeições são os POPs e o Manual de Boas Práticas de Fabricação. Esses documentos são específicos para cada local, já que cada um tem as suas características e particularidades, de forma que o nutricionista é quem realiza o “diagnóstico” e a implantação desses instrumentos para que sejam seguidos na Unidade e garantam uma produção adequada.

O Manual de Boas Práticas de Fabricação descreve quais atividades a pessoa física ou jurídica, responsável por um estabelecimento deve realizar. A abrangência dos assuntos tratados no Manual é grande e incluiu por exemplo, a higienização (e manutenção) das instalações, dos equipamentos e dos utensílios; o controle de qualidade da água; o controle integrado de pragas urbanas; o controle da higiene e saúde dos manipuladores; além do controle e garantia de um produto final de qualidade.

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Exemplo de um POP para lavagem das mãos dos manipuladores.

Já os POPs consistem na descrição detalhada de atividades rotineiras. Esse instrumento (assim como o próprio nome diz) visa padronizar essas atividades, facilitando o controle de qualidade dos produtos. O POPs em uma UAN são utilizados desde o armazenamento, produção até o transporte dos alimentos. É importante que as informações sejam bem detalhadas, por exemplo, no caso da higienização de um utensílio, discriminando qual o produto que deve ser aplicado, se ele precisa ser ou não diluído e como essa diluição deve ser feita, o tempo que ele deve ficar em contato com o utensílio, etc. Vale ressaltar também que os POPs devem ficar afixados em locais visíveis e de preferência próximos ou no próprio local onde a atividade será realizada, garantindo um fácil acesso para os funcionários.

cartilha-boas praticasCartilha sobre Boas Práticas para Serviços de Alimentação, lançada pela ANVISA em 2004, auxilia o trabalho do nutricionista, já que contribui para a conscientização e a educação do comerciante e do manipulador de alimentos (por apresentar uma linguagem simples). É fundamental que todos os envolvidos da produção de refeições entendam a importância de cada etapa e sigam corretamente as especificações do nutricionista, para garantir a produção de alimentos seguros e saudáveis.

Desta forma, é importante que toda UAN conte com um nutricionista, para garantir uma produção adequada – tanto no sentido higiênico-sanitário, quanto na qualidade nutricional e na redução de desperdícios.

Além disso, a credibilidade de um bom restaurante (ou qualquer outra UAN) está agregada a uma série de fatores, mas o principal deles passa pela qualidade dos produtos oferecidos e, consequentemente, o trato que os funcionários têm com os alimentos. A chamada boa prática de fabricação de alimentos é exigência da vigilância sanitária e, claro, dos clientes.

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Refrigerante cancerígeno? O que o Direito tem a dizer sobre isso?

Por Mariana Ferraz.

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“A Coca-Cola e a Pepsi decidiram mudar a fórmula, nos EUA, do corante caramelo que compõe os refrigerantes para não ter de colocar um alerta de risco de câncer em suas latas” (Folha.com, 9 de março de 2012).

Repercutiu na imprensa internacional e na nacional. Grandes empresas anunciam mudanças na composição de seus produtos em função dos riscos oferecidos à saúde do consumidor. Faltou, no entanto, o destaque: a mudança ocorrerá apenas nos produtos comercializados nos Estados Unidos. E no Brasil, e no resto do mundo? Como fica o dever de precaução dessas empresas fora dos EUA.

O Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) realizou um levantamento de alguns produtos da linha de refrigerantes e energéticos que possuem em sua composição o corante Caramelo IV (INS150d) e constatou que esse aditivo encontra-se muito mais presente no cotidiano do consumidor brasileiro do que ele imagina. Está também nos nacionalíssimos refrigerantes de Guaraná (Guaraná Antártica, Kuat, Dolly e outros) e na maioria dos energéticos (compostos líquido pronto para consumo à base de taurina e/ou cafeína). Não só em bebidas, o corante caramelo IV pode ser encontrado também em cereais matinais e granolas.

Ocorre que no Brasil o uso desse aditivo é permitido. Entretanto, no processo de elaboração do Caramelo IV, a utilização de amoníaco e sulfitos acaba gerando dois subprodutos: 2-metilimidazol e 4-metilimidazol, e conforme o estudo norte americano produzido pelo Programa Nacional de Toxicologia do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos divulgado em 2007, existe clara evidência de que estes subprodutos são cancerígenos em animais. Os compostos cancerígenos em animais são comumente proibidos para o consumo humano.

Conforme esclarecido por um grupo de diferentes órgãos de defesa do consumidor da América Latina, esse corante é um ingrediente que desempenha uma função puramente estética e pode ser substituído por outros corantes que não representem um risco à saúde, como o Caramelo I, já utilizado pela Pepsi no Brasil.

A manifestação de diversas entidades da sociedade civil e de especialistas em estudos de toxicologia fez com que a lei na Califórnia (EUA) passasse a exigir que as empresas dispusessem avisos de alerta em produtos que contêm esse aditivo. No Brasil, o Idec cobrou da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) um posicionamento concreto sobre o assunto. O Instituto questionou à agência reguladora a respeito do embasamento científico no qual a regulamentação brasileira se apoia para permitir o uso desse aditivo, ou seja, quais seriam os estudos que garantem a segurança do referido corante. Questionou-se também se há um monitoramento das quantidades de Caramelo IV, 2-metilimidazol e 4-metilimidazol presentes nos produtos comercializados no Brasil e se há limites máximos desses componentes previstos em regulamentação. Por fim, perguntou qual providência será adotada pelo órgão.

As empresas também foram questionadas pelo Instituto. Indagou se as mesmas farão voluntariamente a mudança na composição dos seus produtos no Brasil ou se agirão somente mediante disposição normativa.

O posicionamento do Direito é claro sobre o tema. O CDC (Código de Defesa do Consumidor), tendo em vista o princípio da prevenção, garante a proteção à vida, à saúde e à segurança (art. 6º, I), prevendo que os produtos e serviços colocados no mercado de consumo não acarretarão riscos aos consumidores (art. 8º). É previsto ainda que o fornecedor de produtos e serviços potencialmente nocivos ou perigosos à saúde ou segurança deverá informar de maneira ostensiva e adequada a respeito da nocividade ou periculosidade (art. 9º).

Há que se ter em conta também o princípio da precaução, ou seja, quando houver ameaça de danos sérios ou irreversíveis, a ausência de absoluta certeza científica não deve ser utilizada como razão para postergar medidas eficazes para prevenir o possível dano. Sendo assim, no caso aqui tratado, tanto empresas como o Estado são responsáveis em adotar as medidas necessárias.

Fonte: Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor – Idec.

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Um manifesto pela regulação da publicidade de alimentos!

Por Camila Araújo e Mariane Bandeira.

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Estamos vivendo um momento único na nossa história. Há muito tempo, não vemos os brasileiros tão unidos e saindo para as ruas indignados com a triste realidade do País. A saúde está precária, os meios de transporte público não funcionam como deveriam e se mostram insuficientes para a demanda, faltam investimentos na educação, fora a questão da corrupção, desvio de verbas, impunidade, altos impostos e diversos outros problemas que assolam a Nação. E para engrossar o caldo, os elevados gastos com a Copa do Mundo para a construção de faraônicos estádios de futebol juntamente com o aumento das passagens de ônibus em São Paulo foram a gota d’água! São tantas coisas para reclamar e reivindicar, a população está tão saturada e revoltada que todos estão levantando bandeiras por suas causas.

E aproveitando esse clima de mudanças e protestos, o PropagaNUT também quer manifestar sua causa. Estamos cansados, revoltados e indignados com tantos abusos cometidos pela indústria e marketing de alimentos industrializados, principalmente aqueles direcionados ao público infantil! A epidemia de obesidade é real e global, e mais de 90% dos alimentos promovidos pela publicidade são ricos em açúcar, gordura e sódio. Dados do Ministério da Saúde revelam que 30% das crianças brasileiras estão com sobrepeso e obesidade e 7 em cada 10 crianças continuam obesas na fase adulta. Recentemente, foi publicada uma pesquisa sobre o impacto da obesidade no Sistema Único de Saúde (SUS) em que são gastos anualmente 488 milhões de reais com tratamentos de doenças associadas a esse quadro.

REGULAÇÃO DA PUBLICIDADE DE ALIMENTOS JÁ!

Para mais informações, acesse:

Frente pela regulação da publicidade de alimentos.

Campaign for a Commercial Free Childhood.

Instituto Alana.

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Saiba o que você está comendo: Achocolatados líquidos

Por Camila Araújo e Mariane Bandeira

achococolatadoPara iniciar a série Saiba o que você está comendo, vamos falar sobre os achocolatados líquidos, também conhecidos como bebidas lácteas sabor chocolate, que são muito consumidos pelas crianças e, até mesmo, fazem parte da sua alimentação diária.

Os pais costumam oferecer essa bebida pela praticidade, pela falta de tempo em preparar um café da manhã adequado e também por acreditarem que estão oferecendo algo seguro e nutritivo para seus filhos. Isso se justifica pelas propagandas e embalagens que alegam conter vitaminas e minerais, como cálcio e ferro, levando-os a crer que a bebida é um susbtituto do leite, um alimento realmente saudável. Porém, não é bem assim.

Analisando as informações nutricionais, é possível observar como esse alimento é rico em açúcar, gordura e sódio, além de conter aditivos químicos , como conservantes e aromatizantes.

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Figura 1 – Ingredientes e tabela de informação nutricional de um achocolatado líquido. Em destaque, nutrientes que podem fazer mal à saúde, quando consumidos em excesso.
– Clique na foto para ampliar –

Tomando como base a informação nutricional do achocolatado da figura 1, é possível notar que 70% das calorias totais são oriundas dos carboidratos, sendo que 63% deste percentual é constituído de açúcar, ou seja, mais da metade das calorias que o produto fornece é proveniente do açúcar.

Outra informação relevante que se extrai do rótulo, é o percentual de 0% de gordura trans na tabela de informações nutricionais, apesar de constar nos ingredientes a presença de gordura vegetal hidrogenada – em outras palavras, a própria gordura trans! É importante entender que a nossa legislação permite colocar 0% quando a quantidade dessa gordura é de até 0,2g na porção. Todavia, como a informação fica escondida, os consumidores não conseguem controlar a quantidade de gordura trans ingerida e o total diário pode passar do recomendado pela Anvisa, que é de até 2 gramas por pessoa.

Para piorar a situação, o Percentual de Valores Diários (%VD), que indica o quanto o produto em questão apresenta de energia e nutrientes em relação a uma dieta de 2000 calorias, não corresponde à necessidade de crianças, mas à de adultos.

Além das informações nutricionais, muitos produtos ainda apresentam mensagens chamativas em sua embalagens, como personagens, jogos, e mensagens que remetem à diversão; tudo isso, com o intuito de conquistar o público infantil, despertando o lado afetivo e a identificação da criança, com aquele personagem do desenho animado ou do filme que ela tanto gosta. Artimanhas da publicidade de alimentos – nada está ali por acaso…

Captura de Tela 2013-04-09 às 09.30.04Bom, como este foi o primeiro post da série Saiba o que você está comendo, falando um pouco sobre a rotulagem dos alimentos, indicamos a leitura do Manual de orientação aos consumidores: Educação para o Consumo Saudável, publicado pela ANVISA. O propósito do manual é facilitar a compreensão dos termos usados na rotulagem de alimentos, aumentando seu potencial de proteção e promoção da saúde. Você vai entender melhor sobre as informações veiculadas nos rótulos dos alimentos!

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Regulamentação da Anvisa sobre a publicidade de alimentos

.          No dia 29 de julho a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou no Diário Oficial da União uma resolução que estabelece novos requisitos para a oferta, propaganda, publicidade, informação e outras práticas correspondentes cujo objetivo seja a divulgação e a promoção comercial de alimentos considerados com quantias elevadas de açúcar, gordura saturada, gordura trans, sódio e de bebidas com baixo teor nutricional. Com esta resolução a Anvisa tem como alvo proteger os consumidores, em especial o público infantil. Uma das propostas da resolução é:

.          A obrigatoriedade da veiculação de um alerta sobre o perigo do consumo excessivo de alimentos com quantidade elevada de açúcar, gordura saturada, gordura trans, sódio e de bebidas com baixo teor nutricional. Exemplo deste alerta: “O (nome/ marca comercial do alimento) contém muito açúcar e, se consumido em grande quantidade, aumenta o risco de obesidade e de cárie dentária”. Onde na Tv este alerta deverá ser pronunciado pelo personagem principal. Já no rádio, a função caberá ao locutor.

Fonte: Anvisa

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