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#SaibaOQueVocêEstáComendo Biscoitos “saudáveis”

Por Ada Bento, Camila Araújo e Camila Leão.

Com o aumento do interesse dos consumidores por uma alimentação mais saudável, cada vez mais se observa o lançamento de produtos que prometem ser saudáveis, dentre os quais os práticos biscoitinhos – com apelo “fit”, integral, rico em fibras, entre várias outras promessas. Mas será que eles cumprem o que promete a embalagem? Vamos conferir!

Club Social Integral 

club social

Ao olhar a frente do rótulo do biscoito Club Social integral é possível localizar facilmente o destaque dado às informações: Fonte de fibras e 0% de gordura trans. Visto que o local e o modo como essas informações foram apresentadas pode ser um fator de decisão para o consumidor no momento da escolha de qual produto comprar, vamos começar falando sobre esses dois aspectos. Com relação a ser fonte de fibras, a informação não está errada, porém de acordo com a Anvisa, para que um produto faça essa alegação ele precisa ter 3g de fibra a cada 100g de produto. Quando analisamos 100g de Club Social Integral, a quantidade de fibras é exatamente 3 gramas, entrentando, 1 pacotinho (quantidade que as pessoas costumam consumir) só tem 26g, e portanto só 0,8g de fibras. Ou seja, no final das contas, o indivíduo que consumir só 1 pacotinho não estará ingerindo uma quantidade significativa de fibras.

Com relação a afirmação de que o biscoito é 0% gordura trans, devemos lembrar que de acordo com a legislação brasileira, se o produto possuir até 0,2g de gordura trans por porção, ele pode fazer essa afirmação. No caso do Club Social Integral, ele com certeza possui alguma quantidade dessa gordura, visto que ela aparece como segundo item na lista de ingredientes:

club social integral - ingredientes

Aproveitando a imagem da lista de ingredientes acima, vamos destacar alguns outros pontos: o primeiro ingrediente (e portanto o que está presente em maior quantidade no produto) é a farinha de trigo refinada. Apesar de o produto se dizer integral, a farinha de trigo integral só aparece como terceiro ingrediente, em menor quantidade que a própria gordura vegetal hidrogenada (ou seja, gordura trans).

club social integral - tabela nutricional

Agora vamos focar em mais outros dois aspectos, relacionados à tabela de composição nutricional. A quantidade de gorduras totais é igual a 4,4g sendo 1,3g de gorduras saturadas e 2,8g de gorduras insaturadas. De acordo com o pessoal do Fechando o Zíper, essa quantidade é maior do que a de um chocolate Chokito. O segundo aspecto que merece destaque na Tabela é a quantidade de sódio do produto: 203mg!

BelVita

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O biscoito BelVita surgiu com um grande apelo “saudável”, destacando a presença de cereais integrais, vitaminas e minerais no produto, como podemos observar em seu site e em sua publicidade:

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Imagem do site oficial – BelVita.

Contudo, o produto não corresponde à promessa de ser tão saudável assim. Basta dar uma olhadinha na lista de ingredientes:

BelVita Mel e Cacau

153531_430Ingredientes: Cereais 58% [farinha de trigo enriquecida com ferro e ácido fólico e cereais integrais 37% (farinha trigo integral, aveia em flocos, farinha de cevada e farinha de centeio)], açúcar, óleo vegetal, gotas de cacau (açúcar, gordura vegetal, cacau, dextrose e emulsificante lecitina de soja), mel, açúcar invertido, minerais: magnésio e ferro, sal, leite em pó desnatado, vitaminas: vitamina E, vitaminha B3 e vitamina B1, aromatizantes, fermentos químicos: bicarbonato de sódio e bicarbonato de amônio e emulsificantes: lecitina de soja e ésteres de ácido diacetil tartárico e mono e diglicerídeos. CONTÉM GLÚTEN. CONTÉM: TRIGO, LEITE. Produzido em equipamento que processa amêndoa, amendoim, avelã, castanha de caju e soja.

infonutri_melecacau

Clique para ampliar.

Podemos observar que os cereais integrais estão presentes sim no produto, porém a maior quantidade presente é de cereais refinados – no caso, a farinha de trigo, em uma proporção de 58%. Se um produto tem cereais integrais, espera-se que ele tenha um teor razoável de fibras, não é mesmo? Segundo a RDC 54/2012, para um produto ter alto teor de fibras, ele deve conter pelo menos 3g de fibras a cada 100g do produto. No caso do biscoito BelVita, a cada 100g encontramos 4,6g de fibras – ponto positivo! Porém, quanto observamos a quantidade de fibras presente na porção, o teor de fibras que o indivíduo irá consumir não é tão alta assim – para aquela mesma RDC 54, para um produto ser fonte de fibras, ele deve conter pelo menos 2,5g na porção.

Notem ainda a quantidade de açúcar – ela é o segundo ingrediente em maior quantidade (após os cereais) e aparece em 4 diferentes formas: açúcar, dextrose, mel e açúcar invertido. Quanto ao destaque da presença de vitaminas e minerais, os mesmos estão presentes, mas são adicionados artificialmente. Qual é o problema disso? Bem, de nada adianta o alimento/produto ser enriquecido, se ele não tem uma composição geral tão boa assim. Leia mais nessa reportagem.

Além disso, o biscoito conta com a presença de alguns aditivos alimentares, algo que devemos evitar ao máximo consumir diariamente e/ou com frequência.

Uma última coisa que vale ressaltar é o sabor alegado na embalagem (mel e cacau): vocês viram cacau na lista de ingredientes? Pois é, o cacau está presente apenas nas gotas de chocolate do produto – que apresentam gordura vegetal, a qual pode conter gordura trans que são prejudiciais à saúde. Além disso, o açúcar está presente em maior quantidade que o mel, que é o ingrediente que, teoricamente, daria sabor ao produto.

Biscoitos Nesfit

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A  Nesfit é uma linhas de alimentos “saudáveis” desenvolvidos pela Nestlé. Na embalagem de todos os produtos da Nesfit é destacado o programa desenvolvido pela empresa, conhecido como Operação Biquíni.

operação biquini

A ideia do programa é que a partir da dicas fornecidas e com os alimentos da linha a pessoa conseguirá perder peso em 14 dias. Será mesmo? Para respondermos essa pergunta vamos analisar a lista de ingredientes de dois sabores dos biscoitos doces da Nesfit:

Cacau e cereais: Farinha de trigo integral, farinha de trigo enriquecida com ferro e ácido fólico, açúcar, óleo vegetal, aveia em flocos, cacau, mix de cereais (flocos de arroz. cereal matinal de trigo, aveia em flocos, açúcar, açúcar mascavo, gordura vegetal, mel, açúcar invertido e antioxidante lecitinade soja), amido, açúcar invertido,  farinha de centeio integral, farinha de cevada, sal,corante caramelo III, fermentos químico bicarbonato de amônio, bicarbonato de sódio e fosfato monocálcio, aromatizantes, emulsificante lecitina de soja, ésteres de mono de diglicerídeos de ácidos graxos com ácido diacetil tartárico e mono e diglicerídeos de ácidos graxos e antioxidante TBHQ.

Leite e mel: Farinha de trigo enriquecida com ferro e ácido fólico, arinha de trigo integral, margarina, açúcar, amido, mel,  leite em pó integral, sal, soro de leite, fermentos químicos bicarbonato de amônio, bicarbonato de sódio e fosfato monocálcio, aromatizante e emulsificante lecitina de soja, ésteres de mono de diglicerídeos de ácidos graxos com ácido diacetil tartárico e mono e diglicerídeos de ácidos graxos.

Ao observamos a lista de ingredientes desses sabores verificamos que somente no  Cacau e cereais) a farinha integral aparece como primeiro ingrediente, ou seja no de Leite e mel a farinha que está em maior quantidade é uma farinha refinada.

Em relação à quantidade de açúcar, no de Cacau  aparece como terceiro ingrediente e no de Leite e Mel da como quarto.  No de Cacau pode-se notar ainda que há 4 tipos de açúcares: açúcar, açúcar invertido, mel e açúcar mascavo. E mais, além desses ingredientes estarem presentes na receita do produto, o mix de cereais que é adicionado também é composto esses diversos tipos de açúcares. A quantidade de açúcar adicionado justifica o total de açúcares do produto: 7,8 g de açúcar em uma porção de 30g. E fica a pergunta: por que esse tanto de açúcar em um produto que teoricamente seria saudável?

O ponto positivo é que de fato há presença cereais e que o teor de fibras (1,9 g de fibras em 30 g, o que corresponde a 6,33g de fibras a cada 100 gramas do produto) indica que é um produto com alto teor de fibras de acordo com a resolução 54/2012 da Anvisa, porém na prática normalmente não é consumida essa quantidade de produto.

Vale destacar ainda a quantidade de aditivos nesses produtos, entre eles o antioxidante TBHQ. Mas o que é esse antioxidante TBHQ? O pessoal do Fechando Zíper ao fazer análise do biscoito de aveia e mel dessa linha respondeu essa pergunta.

“É utilizado na conservação de óleos e gorduras, cereais, ração animal e outros produtos alimentícios. Estudos toxicológicos têm demonstrado a possibilidade destes antioxidantes apresentarem efeito carcinogênico (câncer) em experimentos com animais, mas em HUMANOS isso ainda não está claro. O uso desse antioxidantes em alimentos é limitado. O TBHQ não é permitido no Canadá e na Comunidade Econômica Européia. No Brasil, o seu uso é controlado pelo Ministério da Saúde, que limita 200 mg/kg de TBHQ como concentração máxima permitida.”

Se formos seguir o plano alimentar proposto pela Nesfit em 3 refeições do dia teríamos que consumir os produtos dessa linha! Por isso fique atento àquilo que é dito pelas empresas, pois o que elas querem mesmo é vender seus produtos.

Ao optar por um alimento que a mídia diz ser saudável, as pessoas imaginam que vão consumir algo que fará bem e não trará prejuízos a sua saúde, um produto que poderia (e talvez até deveria) estar presente diariamente em suas refeições. Entretanto é sempre importante olhar o rótulo, pois existem muitas opções que assim como os exemplos acima, parecem ideais, mas na realidade não são.

 

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Pé de Danio?

Por Camila Araújo e Camila Leão.

Já viram a nova publicidade do iogurte Danio da Danone?

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O que você pensa quando vê um anúncio assim? Iogurtes crescendo em árvores?

Esse tipo de publicidade leva o consumidor a acreditar que o produto em questão é natural, pois se o iogurte está na árvore, ele possui ingredientes naturais ou até a mesma naturalidade de uma fruta, certo? ERRADO!

Primeiramente, vale ressaltar que o iogurte (como já é de conhecimento de todos, mas não custa nada lembrar) é um alimento preparado a base de leite, ou seja, a imagem já pode ser confusa ao associá-lo a uma árvore.

Depois, as versões do produto que “são de fruta”, provavelmente tem muito pouco de fruta mesmo – a fruta está presente no formato de calda, e apesar de ser o primeiro ingrediente da lista dessa “calda” ainda assim acreditamos que não esteja presente em quantidades muito significativas para oferecer algum benefício.

No caso dos Danios com sabores de frutas, estes estão muito longe do conceito de natural! Vamos dar uma olhada na lista de ingredientes:

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Clique na imagem para ampliar.

São 22 ingredientes, sendo vários deles aditivos alimentares, como corantes, espessantes e conservantes.

Já a versão tradicional, possui menos ingredientes em sua lista, quando comparado à versão com fruta:

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Clique na imagem para ampliar.

Entretanto, ainda possui açúcar e alguns aditivos que poderiam ser evitados. Como já dissemos inúmeras vezes, quanto mais natural um produto for e a menor a sua lista de ingredientes, melhor! Encontramos uma opção industrializada mais interessante – os iogurtes naturais. Compare as listas de ingredientes abaixo com a do Danio.

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A lista de ingredientes dos iogurtes naturais é bem menor, perceberam? Para muitas pessoas, o sabor desta versão pode não ser muito agradável (normalmente eles são bem azedinhos), porém uma ótima opção é batê-los com frutas e se ainda assim sentir necessidade, adoçar com um pouquinho de mel ou açúcar mascavo (lembrando da grande vantagem que é poder escolher as  quantidades).

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Outra opção que pode ser interessante é preparar o iogurte em casa! Além de retomar a importância de “ir para a cozinha”, esse momento pode ser de integração com a família, por exemplo, com a participação das crianças no processo. Ah, e vale lembrar que preparar em casa custa bem menos do que já comprar pronto.

– Confira uma receita no Blog da Mimis.

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Portas Abertas do Observatório Brasileiro de Hábitos Alimentares (OBHA): Discriminação contra os estudantes obesos e os muito magros nas escolas brasileiras

Por Ada Bento e Camila Leão

Nesta terça feira, 11/3 o PropagaNUT participou de um evento organizado pelo OBHA, sobre Discriminação contra os estudantes obesos e os muito magros nas escolas brasileiras. A pesquisa foi desenvolvida pelo economista Luis Claudio Kubota, vinculado ao Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA).

A base de dados utilizada foi a da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em parceria com o Ministério da Saúde (MS).A amostra foi composta por alunos do nono ano, com uma faixa etária média entre 14 e 15 anos.

A principal variável utilizada foi a classificação como “muito magros”, “magros”, “normais”, “gordos” e “muito gordos”, sendo que essa foi uma variável autoclassificatória.

O gráfico abaixo apresenta os percentuais de ocorrência de comportamentos de risco, bullying, agressões e ferimentos, atividade física e relacionamento com os pais, entre todos os alunos de escolas píblicas que compuseram a amostra.

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Clique na imagem para ampliar.

Obs: Na versão completa do trabalho, está disponível a análise separada por sexo e por tipos de escolas (pública ou privada). Vale ressaltar, que não houve diferença significativa entre os dois tipos de escolas.

O gráfico mostra claramente, que tanto para os alunos obesos, quanto para os muito magros, há alguma diferença com relação aos indicadores analisados. Isso indica que esses alunos estão sofrendo discriminação dentro do ambiente escolar e algumas vezes até mesmo dentro de casa. Foi muito destacado tanto pelo pesquisador, quanto pelos ouvintes da palestra, que é importante que as políticas públicas foquem na obesidade e nas suas causas, e não no obeso. Quando uma ação sobre esse tema não é bem estruturada, a mesma pode ter efeito contrário, e estimular ainda mais o preconceito, como é o exemplo da imagem a seguir:

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Na pesquisa também foi avaliada a diferença entre consumo de alimentos saudáveis e não saudáveis, de forma que os alunos deveiram marcar quantos dias na da semana consumiam cada tipo de alimento. A tabela abaixo mostra os resultados encontrados.

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Clique na imagem para ampliar.

Durante a discussão foi ressaltado principalmente o fato de que os alunos que se consideraram “muito gordos” disseram consumir mais alimentos saudáveis e menos não saudáveis do que os “normais”.

As possíveis justificativas para esses resultados podem ser o fato de os “muito gordos” serem mais conscientes sobre o valor da alimentação, de adolescentes consumirem mais alimentos devido ao maior gasto energético durante essa fase da vida, ou ainda estarem mentindo; em busca de aprovação. Vale ressaltar ainda que esses dados são em termos de número de dias e não de quantidade consumida, ou seja, o adolescente pode referir consumir o alimento só um dia durante a semana,  porém consumi-lo em grande quantidade nesse único dia – ou vice versa.

Resultados como este mostram que ainda há muita discriminação com relação ao estado nutricional e que muitas vezes nem os pais e nem a escola sabem como lidar com isso, enfatizando a necessidade da criação de políticas públicas bem elaboradas sobre esse tema. A pesquisa na íntegra está disponível no link destacado acima.

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Novo Guia Alimentar para a População Brasileira

Por Camila Araújo e Camila Leão (Fonte: Ministério da Saúde).

O novo Guia Alimentar da População Brasileira (edição 2014) elaborado pelo Ministério da Saúde orienta os brasileiros sobre os cuidados com a saúde e como manter uma alimentação saudável e balanceada: a recomendação é pelo consumo de alimentos frescos, de procedência conhecida e utilizando como base da dieta alimentos in natura (de origem vegetal e animal), como carnes, verduras, legumes e frutas. O manual também recomenda que as pessoas optem por refeições caseiras e evitem a alimentação em redes de fast food (refeições prontas).

“O guia é uma fonte segura para orientar os brasileiros para uma alimentação saudável, com base em evidências científicas e com recomendações debatidas com diferentes especialistas e setores da sociedade”, afirma o ministro da Saúde, Arthur Chioro. “A intenção é promover a saúde da população e contribuir para a prevenção de doenças como a obesidade, diabetes e outras doenças crônicas relacionadas à alimentação”, enfatiza.

CONSUMO – O novo guia orienta os brasileiros a desfrutarem a alimentação, e evitar assistir televisão, falar no celular, ficar em frente ao computador ou atividades profissionais durante as refeições, além de privilegiar o preparo da própria refeição sempre que possível. “Precisamos resgatar e valorizar a culinária, planejar as nossas refeições, trocar receitas com amigos e envolver a família na elaboração das refeições. Isso pode até implicar dedicação de mais tempo, mas o ganho em saúde e na convivência é significativo”, explica a coordenadora de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde, Patrícia Jaime

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O QUE EVITAR – O guia também recomenda utilizar com moderação óleos, gorduras, sal e açúcar. Produtos industrializados devem dar lugar aos alimentos in natura. Isso porque os produtos processados têm adição de sal ou açúcar para torná-los mais duráveis, palatáveis e atraentes. “Neste caso, o recomendado é sempre que possível evitar o consumo de produtos industrializados e fazer compras em locais que ofertem variedades de alimentos frescos e evitar aqueles que só vendem produtos prontos para consumo”, informa Patrícia Jaime.

obesidaeOBESIDADE – Os maus hábitos à mesa têm refletido na saúde e no excesso de peso da população, que hoje já atinge 51%, sendo 17% obesos, segundo a dados do Vigitel, levantamento do Ministério da Saúde realizado anualmente com a população brasileira sobre os hábitos alimentares e de estilo de vida. Em 2006, o índice de excesso de peso e obesidade era de 43% e 11%, respectivamente. Crianças e adolescentes trilham o mesmo caminho, uma em cada três crianças e um em cada cinco adolescentes estão acima do peso.Além disso, a obesidade é um forte fator de risco para o desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis. Pessoas obesas têm mais chance de sofrer infarto, AVC, trombose, embolia e arteriosclerose, além de problemas ortopédicos, apneia do sono e alguns tipos de câncer.

Confira algumas orientações para uma alimentação saudável:

  • Fazer de alimentos in natura e minimamente processados a base da alimentação
  • Usar óleos, gorduras, sal e açúcar com moderação
  • Limitar o uso de produtos prontos para consumo
  • Comer com regularidade e com atenção e em ambientes apropriados
  • Comer em companhia
  • Fazer compras de alimentos em locais que ofertem variedades de alimentos frescos e evitar aqueles que só vendem produtos prontos para consumo
  • Desenvolver, exercitar e partilhar habilidades culinárias
  • Planejar o uso do tempo para dar à alimentação o espaço que ela merece
  • Dar preferência, quando fora de casa, a locais que servem refeições feitas na hora e evitar redes de fast food
  • Ser crítico quanto a informações, orientações e mensagens sobre alimentação veiculadas em propagandas comerciais

Os brasileiros de todas as idades, incluindo crianças, adolescentes e adultos, passam em média mais de cinco horas por dia diante da televisão. Durante uma parte considerável deste tempo são expostos a publicidades comerciais, sendo substancial a fração correspondente à propaganda de alimentos, em particular de produtos prontos para consumo e ultraprocessados.

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Contribua!

O manual foi elaborado com o apoio do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da Universidade de São Paulo (USP) e da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), ligada à Organização Mundial de Saúde (OMS).

A população poderá contribuir com a elaboração do novo guia, que encontra-se em consulta pública até o dia 7 de maio, acessando o endereço eletrônico www.saude.gov.br/consultapublica. As contribuições serão avaliadas pelo Ministério da Saúde e poderão constar do documento final.

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Entendendo melhor sobre as Fórmulas Infantis

Por Camila Araújo e Camila Leão.

O tema da alimentação infantil, principalmente no que diz respeito ao aleitamento materno e ao uso de fórmulas durante os 2 primeiros anos de vida, é bastante polêmico e deixa os pais cheios de dúvidas. Vimos a reflexão disto no post sobre o Leite Ninho +1, o qual recebeu vários comentários, a maioria com dúvidas. Por isso, decidimos explorar um pouco mais este assunto com um post dedicado somente para ele!

Inicialmente gostaríamos de destacar a importância do aleitamento materno exclusivo até os 6 meses de idade, visto que o leite materno contem todos os nutrientes que a criança precisa para um adequado crescimento e desenvolvimento durante esta fase da vida. Além disso, é também um processo que envolve interação profunda entre mãe e filho, com repercussões no estado nutricional da criança, em sua habilidade de se defender de infecções, em sua fisiologia e no seu desenvolvimento cognitivo e emocional, além de ter implicações na saúde física e psicológica, na recuperação do pós parto e na perda de peso da mãe.

Esse assunto do aleitamento materno pode parecer um pouco batido, mas ainda existe a crença de que o leite materno pode ser “fraco”, além do fato de que muitos pediatras introduzem as fórmulas infantis sem uma real necessidade, o que acaba desestimulando o aleitamento.

Vale ressaltar ainda, que existem casos em que, por diversos fatores, a amamentação não é possível ou recomendada como, por exemplo, nos casos de mãe soropositiva para o vírus HIV, HTLV-1 e HTLV-2. Nestas situações a melhor opção para crianças totalmente desmamadas com idade inferior a 4 meses é a alimentação láctea, por meio da oferta de leite humano pasteurizado proveniente de Banco de Leite Humano, quando disponível. Já o uso de leite de vaca e/ou fórmula infantil deve ser avaliado individualmente pelo profissional de saúde, de acordo com as necessidades da criança.

O que mais diferencia o leite de vaca do leite materno (LM) é o tipo e a quantidade de proteínas: o leite de vaca possui três vezes mais proteína que o LM, sobrecarregando os rins quando consumido em alta quantidade, aumentando a excreção de cálcio pela urina e causando mais cólica. O leite de vaca possui ainda uma proteína potencialmente alergênica, a betalactoglobulina.

Com o intuito de se assemelhar ao leite materno, foram criadas as fórmulas infantis, produzidas a partir de leite de vaca, mas com redução na quantidade de proteínas. Contudo, as fontes de carboidratos, proteínas e outros componentes presentes nas fórmulas infantis diferem em identidade e qualidade dos componentes do LM. Desta forma, são melhores opções que o leite de vaca, porém, pelo fato de ainda serem feitas a partir deste ingrediente, o risco de alergia ainda existe.

Fonte: Olha quem está comendo.

É conveniente evitar o leite de vaca no primeiro ano de vida, devido a um maior risco de desenvolvimento de alergia alimentar. A alergia alimentar ou alergia à proteína heteróloga pode ser desenvolvida a qualquer proteína introduzida na dieta habitual da criança. A mais freqüente é em relação à proteína do leite de vaca, pelo seu alto poder alergênico e pela precocidade de uso por crianças não amamentadas ou em aleitamento misto (leite materno e outro leite). O desenvolvimento da alergia alimentar depende de diversos fatores, incluindo a hereditariedade, a exposição às proteínas alergênicas da dieta, a quantidade ingerida, a frequência e a idade da criança exposta.

Denomina-se alergia alimentar toda reação adversa dirigida ao componente protéico do alimento e que envolve mecanismo imunológico . A alergia à proteína do leite de vaca (APLV) ocorre principalmente nos três primeiros anos de vida . Em países desenvolvidos, a alergia à proteína do leite de vaca (APLV) afeta entre 2% e 7,5% das crianças, especialmente nos primeiros meses de vida. Em recente inquérito epidemiológico, realizado em consultórios de gastroenterologistas pediátricos das regiões sul e sudeste do Brasil, 7,4% de 9.478 crianças apresentaram suspeita de alergia alimentar, relacionada ao leite de vaca em 77% dos casos. O mecanismo fisiopatológico pelo qual se desenvolve a alergia alimentar envolve, além dos antígenos (proteínas de alto peso molecular), processos de fundamental importância, como a permeabilidade da barreira do trato gastrointestinal e a predisposição genética individual. A imaturidade fisiológica do aparelho digestório, inerente aos dois primeiros anos de vida e o sistema imunológico também imaturo nessa faixa etária, são fatores importantes para que o desenvolvimento da APLV na infância se estabeleça. (Leia mais aqui).

Além disso, o leite de vaca pode gerar distúrbios hidroeletrolíticos, predisposição futura para excesso de peso e suas complicações e predispor à anemia, visto que apresenta um baixo teor e uma baixa disponibilidade de ferro. Para cada mês de uso do leite de vaca a partir do 4º mês de vida, ocorre queda de 0,2 g/dL nos níveis de hemoglobina da criança. Nesta fase também deve-se evitar dar bebidas açucaradas (refrigerantes e outras), pois elas diminuem o apetite da criança para alimentos mais nutritivos e podem causar fezes amolecidas. É importante lembrar que os hábitos alimentares começam a ser construídos na infância e que, portanto, uma criança que aprende a comer muitos alimentos doces, provavelmente vai levar essa hábito (e suas consequências) para a vida adulta. Chá e café também são desaconselháveis porque podem interferir na absorção de ferro.

Diante da impossibilidade do aleitamento materno após os 6 meses, deve-se utilizar uma fórmula infantil ou mesmo outros substitutos do leite materno, como “leites” de cereais (por exemplo, de arroz, quinoa, etc). A decisão sobre qual substituto adotar vai depender da avaliação de diversos aspectos como, aceitação do bebê, condição econômica, processos alérgicos (pessoal e familiar), disponibilidade do produto, entre outros.

No caso de escolha de fórmulas industrializadas, antes do sexto mês, deverá ser utilizada uma fórmula infantil para lactentes; a partir do sexto mês, recomenda-se uma fórmula de seguimento para lactentes. Destaca-se também a importância da introdução de alimentos complementares ao leite materno e/ou às fórmulas a partir dos 6 meses.

Para facilitar o entendimento a respeito das diferentes fórmulas infantis, destacamos algumas definições:

Fórmula infantil para lactentes: produto, em forma líquida ou em pó, utilizado sob prescrição, especialmente fabricado para satisfazer, por si só, as necessidades nutricionais dos lactentes sadios durante os primeiros seis meses de vida (5 meses e 29 dias);

Fórmula infantil de seguimento para lactentes e crianças de primeira infância: produto, em forma líquida ou em pó, utilizado, quando indicado, para lactentes sadios a partir do sexto mês de vida até doze meses de idade incompletos (11 meses e 29 dias) e para crianças de primeira infância sadias, constituindo-se o principal elemento líquido de uma dieta progressivamente diversificada;

Sendo que:

Lactente: criança de zero a doze meses de idade incompletos (11 meses e 29 dias);

Criança de primeira infância: criança de doze meses até três anos de idade (36 meses).

Fonte: RDC nº 43/2011  e RDC nº 44/2011

Ao analisar os rótulos de algumas fórmulas de seguimento, como NAN, NESTOGENO e APTAMIL, observamos que as mesmas não apresentam grandes diferenças em sua composição, a não ser pela presença ou ausência de prebióticos ou DHA, por exemplo.

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Clique nas imagens para ampliar

ninho1Assim, destacamos que os pais fiquem atentos aos rótulos desses “alimentos infantis” para observar o que é realmente uma fórmula infantil e o que é um composto lácteo, o qual não é recomendado para consumo de crianças nessa fase por conter ingredientes não adequados para seu consumo (como já falamos aqui). Vale ressaltar ainda, que o leite NINHO, é um leite em pó, ou seja, não é recomendado para crianças abaixo de 1 ano.

Além disso, é preciso ter cuidado com a substituição das refeições principais por leite! O consumo superior a 700 ml de leite de vaca integral, nessa faixa etária, é importante fator de risco para o desenvolvimento de anemia. A dependência de um único alimento, como o leite, ou o consumo de grandes volumes de outros líquidos, como sucos, pode levar a um desequilíbrio nutricional e até a uma oferta inadequada de energia e nutrientes. Os sucos devem ser administrados no copo apenas após as refeições e não durante elas, em dose máxima de 100 ml por dia.

Para finalizar o post destacamos alguns pontos importantes sobre o assunto:

  • As crianças que já estão na fase da alimentação complementar (independente do leite que está sendo ofertado) precisam consumir água!
  • O preparo de fórmulas infantis deve seguir as recomendações do rótulo do produto, para evitar a hiperdiluição e um consumo inadequado de energia e nutrientes.
  • A partir dos 6 meses, recomenda-se introduzir os novos alimentos gradualmente, um de cada vez, a cada 3 a 7 dias. É muito comum a criança rejeitar novos alimentos, não devendo este fato ser interpretado como uma aversão permanente da criança ao alimento. Em média, a criança precisa ser exposta a um novo alimento de 8 a 10 vezes para que o aceite bem.
  • Independente do leite escolhido, ressaltamos que é fundamental analisar cada caso de forma individual e com acompanhamento de um profissional de saúde.

Fontes:

Sociedade Brasileira de Pediatria – Manual de orientação para a alimentação do lactente, do pré-escolar, do escolar, do adolescente e na escola.

Recomendações para alimentação complementar da criança em aleitamento materno.

Ministério da Saúde – Saúde da Criança: Nutrição Infantil Aleitamento Materno e Alimentação Complementar

Aleitamento Materno, Distribuição de Leites e Fórmulas Infantis em Estabelecimentos de Saúde e a Legislação

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Saiba o que você está comendo: Óleos vegetais

Por Camila Araújo e Camila Leão.

Todos nós já tivemos alguma dúvida na hora de escolher qual óleo usar para preparar um alimento. A variedade de tipos de óleo é grande e os conhecimentos populares sobre cada um deles também.

Vamos explicar um pouco sobre os diferentes óleos vegetais e facilitar essa escolha.

De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) óleos vegetais são os produtos constituídos principalmente de ácidos graxos de espécies vegetais. Além desses ácidos graxos, podem conter também, pequenas quantidades de outros lipídeos, como os fosfolipídeos.

A ANVISA também diferencia óleos e gorduras vegetais, sendo que o produto que se apresenta na forma líquida à temperatura de 25ºC é designado de “óleo” e o produto que se apresenta na forma sólida ou pastosa à essa mesma temperatura, pode ser designado de “gordura”.

Os óleos possuem algumas características que devem ser levadas em consideração quando formos consumí-los:

Os ácidos graxos são compostos de uma cadeia central de átomos de carbono, vários átomos de hidrogênio ligados ao longo dessa cadeia e um grupo carboxila em uma das extremidades.

Primeiramente é preciso entender que os óleos são classificados de acordo com o tipo de ligação de sua molécula. Gorduras saturadas são aquelas que não possuem nenhuma insaturação, ou seja, nenhuma dupla ligação, o que as torna sólidas em temperatura ambiente.

O ácido láurico é encontrado, por exemplo, no óleo de coco.

Por outro lado, se a molécula de ácido graxo tem uma dupla ligação entre dois átomos de carbono a gordura é chamada de insaturada. Isso faz com que o óleo permaneça líquido em temperatura ambiente.

Ácido linoleico, encontrado no óleo de milho, soja e girassol.

Outra característica importante que deve ser levada em conta é o fato de que a estabilidade dos óleos é influenciada pela temperatura, além do contato com o oxigênio e com a luz.

Óleos como os de soja, milho, girassol, canola e amendoim apresentam razoável estabilidade quando mantidos sob temperaturas abaixo de 25°C, mesmo depois de abertos pelo consumidor, pois são estabilizados pelas vitaminas lipossolúveis. Outros óleos, como os de linhaça, açafrão, gergelim e prímula, extremamente ricos em ácidos graxos poli-insaturados, necessitam de cuidados extras. Geralmente comercializados em embalagens protegidas da luz (frascos âmbar), devem ainda ser armazenados, depois de abertos, dentro de geladeiras e bem vedados, protegendo-os então da temperatura e do oxigênio, respectivamente.

Os óleos de oliva (azeite), por exemplo, são comumente comercializados em frascos do tipo âmbar, mesmo não sendo fontes especiais de ácidos graxos poli-insaturados e, portanto, mais estáveis às alterações anteriormente descritas. Contudo, no caso dos azeites extravirgem, a luz pode rapidamente danificar os especiais compostos fenólicos presentes nesses óleos, os quais apresentam importantes características funcionais especialmente relacionadas às atividades antioxidantes.

Os óleos utilizados para a cocção de alimentos refogados em água fervente como arroz, feijão, soja, legumes, etc, apresentam em geral boa resistência às alterações químicas e físicas.

Já a fritura é capaz de atingir fácil e rapidamente temperaturas elevadas. Dependendo da temperatura, o óleo se oxida e é capaz de agregar a si compostos tóxicos, capazes de descaracterizarem por completo o objetivo proposto, que é a cocção com qualidade. Em casa, uma maneira de saber se o óleo ainda está adequado para consumo é observar a cor do óleo e a presença de fumaça durante a sua utilização – tecnicamente chamado de ponto de fumaça.

O ponto de fumaça é uma característica crucial que marca o surgimento de compostos tóxicos no óleo. Tal ponto oscila de acordo com cada tipo de óleo, que pode variar entre 120°C e 230°C como temperatura de início. A fritura de verduras encontra-se adequada entre 160°C e 165°C. A temperatura indicada para a maioria das frituras encontra-se entre 170°C e 175°C. Acima de 180°C a temperatura é tida como alta e já traz grandes consequências para o óleo. A forma caseira de se verificar a temperatura aproximada do óleo é a seguinte: coloca-se um pedaço pequeno de pão, juntamente ao óleo na frigideira. Se o pão foi ao fundo e não subiu, a temperatura deve estar entre 150°C. Se o pão foi ao fundo e subiu lentamente, a temperatura está entre 160°C e 165°C. Se o pão foi ao fundo e rapidamente chegou à superfície, está entre 170°C e 175°C. Caso o pão se queime, e não se afunde, a temperatura está alta (> 180°C).

Assim, é importante garantir a estabilidade, e portanto, a proteção com relação a esses fatores, desde a aquisição, manipulação, armazenamento e consumo.

Tendo tudo isso em vista, vamos aprofundar nas questões individuais de cada óleo:

Soja e milho

Sabe-se que o Brasil é um dos maiores produtores de soja do mundo, porém é também o campeão no uso de agrotóxicos, sendo esses encontrados em grandes quantidades nesses grãos. Além da soja, também há uma grande contaminação do milho. Ressaltamos também a ampla utilização de sementes geneticamente modificadas, tornando esses dois óleos pouco indicados para o consumo.

Girassol

Consideramos que o óleo de girassol é uma das melhores opções para o consumo frequente, visto que sua produção ocorre de maneira mais natural, com menos influências do homem e da indústria.

Canola

A origem do nome popular “Canola” surgiu da abreviação de CANadian Oil Low Acid. A produção do óleo é feita a partir do melhoramento genético convencional da colza, uma oleaginosa que durante muito tempo foi considerada tóxica para os seres humanos, devido ao alto teor de ácido erúcico e glucosinolatos (Veja mais aqui). Pesquisando mais sobre a canola para escrever esse texto, encontramos dois grupos de opiniões divergentes: aqueles que acreditam que o óleo de canola é saudável e uma boa opção para a substituição do óleo de soja, e aqueles que dizem que o mesmo possui compostos tóxicos e que sua produção – por ter uma intervenção genética, como por exemplo, a resistência a agrotóxicos – tem impactos negativos ao meio ambiente.

Azeite de oliva

O azeite extraído de olivas contem o ácido oléico e outros compostos destas sementes. O azeite extra virgem é o único que não é extraído por solventes e sim obtido por compressão da oliva a frio, o que não altera a natureza da semente. No entanto, quando o processamento inclui o uso de solventes (azeites refinados), boa parte de seus compostos fenólicos são perdidos. Isto ocorre também quando o azeite é alcalinizado para reduzir acidez. Portanto, os efeitos benéficos do azeite de oliva irão depender do uso do óleo extra virgem (preferencialmente sem submetê-lo a processos de cocção, visto que temperaturas elevadas comprometem sua estrutura e seus benefícios), especialmente por seu conteúdo de polifenóis e com os seguintes efeitos principais: 1. potente inibidor de radicais livres; 2. inibidores da oxidação de LDL-colesterol; 3. inibidores de agregação plaquetária; 4. antitrombóticos.

Fontes e textos interessantes:

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Mercado de Trocas – Uma alternativa para o desperdício

Na Capital do México, foi desenvolvido um projeto fantástico! Uma iniciativa que mostra, na prática, como o nosso desperdício (aquilo que não utilizamos) pode se transformar em novos recursos.

Tudo começou em 2011, com o fechamento do  aterro “Bordo Poniente”, um dos maiores depósitos de lixo a céu aberto do mundo. Essa decisão mostrou-se muito problemática, visto que durante o funcionamento do aterro, 12.000 toneladas de lixo eram depositadas diariamente. Visando melhorar a situação e amenizar as consequências do fechamento do aterro, várias estratégias foram adotadas, entre as quais destaca-se a abertura do “Mercado de Trueque”, literalmente traduzido como Mercado de Trocas.

https://i2.wp.com/growtheplanet-wiki.s3.amazonaws.com/article/imgs/07-52307790cb98a2.23987511.jpgO modelo de funcionamento do mercado é incrivelmente simples e ao mesmo tempo, cheio de significado. Em troca de lixo reciclável, como por exemplo, plástico, papel, alumínio, vidro, aparelhos eletrônicos, etc, as pessoas ganham pontos (os chamados “green points” – ou pontos verdes). Esses pontos funcionam como um tipo de moeda local, os quais só podem ser usados no próprio mercado e que podem ser trocados por vegetais, queijos, bolos e mudas de plantas, sendo todos esses produtos de origem orgânica e produzidos localmente. Cada pessoa pode trocar até 10kg de produtos que não vai mais utilizar.

O mercado, que funciona mensalmente, está localizado no parque Chapultepec e é visitado por mais de 2500 pessoas em apenas um dia. Durante um ano, através dessa estratégia, já foi possível reciclar aproximadamente 200 toneladas de lixo, além de melhorar a economia local e incentivar o desenvolvimento da agricultura local.

Os voluntários são a verdadeira base do projeto: eles se encarregam de coletar e pesar todo o material, e além disso, também estão envolvidos no processo de conscientização da população local a respeito da importância da reciclagem e do cuidado com o meio ambiente. Através dessas atitudes, o “Mercado de Trueque” adquire um valor cultural e dá seus primeiros passos para uma mudança real.

A iniciativa foi tão bem sucedida, que apesar de a oferta de produtos orgânicos acabar rapidamente, isso não atrapalha nas trocas. Na verdade, quando isso ocorre, o mercado se transforma em uma grande oportunidade de trocas, possibilitando a reutilização e a reciclagem dos diversos objetos ofertados.

Projetos como o “Mercado de Truque” mostram que as alternativas existem e que se nós soubermos como utilizá-las, elas nos levam a grandes mudanças e a resultados positivos!

Fonte: Grow the Planet.

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