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A INDÚSTRIA ALIMENTÍCIA É OPORTUNISTA

Por Jussara Alves, estudante de nutrição.

Oportunista (s.m.): 1. Pessoa que tira proveito das oportunidades em benefício próprio; 2. Quem se aproveita de outras pessoas, buscando obter vantagens pessoais, em certas situações. É um adjetivo forte. Talvez não seja a melhor palavra para se começar um texto, porém é exatamente esse adjetivo que define as indústrias alimentícias quanto ao seu interesse primário na busca do consumidor de seus produtos.

Na década de 70 até a década de 90, com o neoliberalismo econômico, houve o crescimento nas indústrias alimentícias. Foi o período em que a demanda das indústrias maximizaram, o brasileiro passou a fazer mais refeições fora de casa e a nossa mesa começou a ter uma nova realidade – a substituição dos alimentos in natura por produtos embalados prontos pro consumo que passam a ser mais e mais valorizados. Isso aconteceu principalmente pautado no discurso de praticidade, segurança e facilidade. Afinal PARECE que ferver uma água por 3 minutos e se ter um macarrão instantaneamente temperado é mágico e bem mais fácil do que cozinhar um macarrão e preparar o molho – e sem consequências à primeira vista.

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No entanto, essa realidade (não revelada na publicidade do rápido e prático) afeta diretamente na saúde dos consumidores, uma vez que muitos destes produtos possuem excesso de gorduras, açúcares, sódio, aditivos, corantes e conservantes. O consumo excessivo e constante destes pode contribuir para o desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs), como por exemplo: diabetes, hipertensão, obesidade, entre outros. Segundo o Ministério da Saúde, no Brasil, em 2013, as DCNTs foram a causa de aproximadamente 72,6% das mortes.

O desenvolvimento exagerado de DCNTs no país assusta e a população, mais informada sobre a relação da alimentação e a saúde, tem se preocupado cada vez mais com os alimentos que consome e sua relação com a longevidade.

Essa mudança fez com que as indústrias alimentícias se adaptassem ao nível de informação no qual seu consumidor tem acesso, uma vez que a busca de satisfação das necessidades e desejos do público alvo é o que garante a lucratividade das empresas (Kotler, 1995). Criam novas fórmulas, novos produtos, retiram açúcar, diminuem gordura, adicionam vitaminas, minerais. Sim! Prometem saúde, energia e nutrição. Essas, entre outras estratégias que o famoso marketing nutricional tem criado para atender a nova realidade. Colocam em evidência nos rótulos, na publicidade televisiva ou nas mídias sociais as informações de caráter nutricional que vão atender os interesses do consumidor (Gonsalves, 1996). Ou seja, indústria alimentícia abraçando com força a oportunidade de gerar e lucrar com produtos “saudáveis”.

Produto integral, diet, light, fortificado com vitaminas, adicionado de minerais. São alguns exemplos de produtos que estão cada vez mais em alta nas prateleiras e nos carrinhos do supermercado. Mas tem um porém: boa parte desses produtos não são necessariamente saudáveis ou adequados para o consumo diário. A população é iludida.

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Se formos ler os ingredientes e o rótulo nutricional de muitos destes produtos ultraprocessados com as alegações acima, vamos perceber que nem sempre o que tem ali dentro é conhecido ou deve ser consumido com frequência. Às vezes um alimento considerado diet em açúcar, contém altos teores de gorduras saturadas ou um alimento light em gorduras pode ser cheio de sódio. Além dos infinitos aditivos que são acrescentados para intensificar o sabor, o aroma, a cor, melhorar textura e a quantidade de conservantes para aumentar o tempo de prateleira do produto. Todos esses ingredientes podem afetar a saúde da população. E a população acaba se tornando vítima das estratégias de marketing empregadas pelas indústrias.

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Mas será que nós podemos intervir e ajudar a população? Sim! Conscientize quem você conhece. Repasse o seu conhecimento e mostre a importância de se ler os ingredientes e a tabela nutricional presentes nos produtos. Destaque sempre a importância de saber filtrar e ser crítico em relação à publicidade. Afinal, as indústrias são espertas! À medida que surgem oportunidades, elas sabem se adaptar e usar estratégias pra ganhar o consumidor. NÓS. Quanto mais atentos e críticos estivermos, mais difícil será de sermos enganados pelas estratégias oportunistas utilizadas.

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O Marketing de Influência como nova ferramenta da Indústria de Alimentos

Ariel Frauches, bacharel em comunicação social com habilitação em relações públicas e estudante de nutrição

Dois fatores levaram as empresas a despertarem seu interesse pelo Marketing de Influência: a dificuldade econômica gerada pelas crises recentes e a entrada do mundo digital no mercado de propaganda e marketing. As grandes verbas foram reduzidas, era preciso chegar no público de maneira barata e mais eficiente, e assim, como acontecia antes da era digital, surgiam os novos “formadores de opinião”, chamados agora de influenciadores. Como o marketing de influência funciona? Mas como essa estratégia pode influenciar o consumo de alguns alimentos? Com a decisão do STJ recentemente em condenar uma propaganda na TV voltada ao público infantil, essa estratégia pode ser a saída encontrada pelas indústrias para chegar até o seu público alvo?

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A plataforma de administração de redes sociais HootSuites dá três dicas para saber utilizar o marketing de influência. A primeira delas é não escolher o influenciador pela sua quantidade de seguidores e nem por likes, mas sim, por sua habilidade de convencer alguém a consumir um produto. A empresa então busca saber se aquele influenciador que ela escolheu realmente vai conversar com seu público, e para isso, ela monitora esse influenciador por um tempo, até saber se ele é alguém que o seu público alvo realmente confia e será levado a consumir, caso o influenciador comente sobre o seu produto em suas redes sociais.
Após o influenciador ser contratado, a empresa cria conteúdos junto ao influenciador. Recentemente podemos ver o McDonald’s fazendo esse tipo de Marketing com Youtubers, que fazem os seus Vlogs consumindo um produto da empresa e falando sobre o quanto ele é gostoso e como eles adoram esse produto. O acesso ao Youtube, segundo sua sala de imprensa, conta com “…mais de um bilhão de usuários, quase um terço dos usuários da Internet e, a cada dia, as pessoas assistem a milhões de horas de vídeos no YouTube e geram bilhões de visualizações”.

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Vemos que ocorre uma possível transição, para determinados públicos, de formas de propagandas e de estratégias que também levam ao consumo. Essa influência do mundo digital é algo novo, que estamos ainda nos acostumando com ela e que não tem uma regulamentação muito clara. Mas para praticar nossa reflexão, essa nova forma de propaganda pode ser uma forma de burlar as leis para propagandas na TV?

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Superior Tribunal de Justiça (STJ) e sua histórica decisão sobre publicidade de alimentos dirigida à crianças

por Nathalia Bandeira, estudante de nutrição

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Ocorreram mudanças nos padrões alimentares, sociais, econômicos e culturais importantes nas últimas décadas. Neste contexto, a sociedade contemporânea vivencia um aumento expressivo da incidência de sobrepeso e obesidade em todas as idades, inclusive no público infantil. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de 30% das crianças de 5 a 9 anos apresentam algum tipo de excesso de peso, sendo que no mundo, em 2013, esse número chegava a aproximadamente 43 milhões de crianças.
Um dos principais fatores que contribuem para este cenário é a elevação no consumo de produtos ultraprocessados pela população em geral. Por conta de sua formulação, com altos teores de sal, gordura e açúcar, os produtos ultraprocessados tendem a serem consumidos em excesso, substituindo o consumo de alimentos in natura ou menos processados. Ademais, além das repercussões negativas na saúde, a produção e consumo dos mesmos têm impacto desfavorável na cultura, no meio ambiente e na vida social.
Uma das principais e poderosas ferramentas utilizadas pela indústria para o aumento e convencimento para o consumo de tais produtos é o uso de estratégias de marketing. A publicidade de alimentos ultraprocessados torna-se assim, um dos obstáculos cruciais à garantia de uma alimentação adequada e saudável.
Mais de dois terços dos comerciais sobre alimentos veiculados na televisão se referem a produtos comercializados nas redes de fastfood, salgadinhos “de pacote”, biscoitos, bolos, cereais matinais, balas e outras guloseimas, refrigerantes, sucos adoçados e refrescos em pó, todos esses ultraprocessados. A maioria desses anúncios é dirigida diretamente a crianças e adolescentes. O estímulo ao consumo diário e em grande quantidade desses produtos é claro nos anúncios. (BRASIL, 2014)

Desta forma, para o enfrentamento deste quadro, é extremamente necessário que as pautas de promoção à saúde por meio de uma alimentação adequada e saudável estejam presentes em ações governamentais intersetoriais, em políticas públicas e nos demais setores políticos, além do setor saúde.
No dia 26 de abril de 2017, ocorreu em Brasília o lançamento da publicação “Direitos sem Ruído: A histórica decisão do STJ sobre publicidade de alimentos dirigida à criança.”. O texto relata a sentença tomada como ilegal por este órgão a respeito da campanha “É hora de Shrek”, de 2007, da empresa Pandurata, detentora da marca Bauducco. No comercial, os jovens precisavam juntar embalagens da marca ‘Gulosos’ e despender mais 5 reais para ganharem um relógio exclusivo.
A Ação Civil Pública do Ministério Público de São Paulo julgou que a empresa realizou publicidade infantil duplamente abusiva: além de efetuar uma propaganda que se utilizava da carência de experiência e julgamento deste público, realizou também venda casada. Contraditoriamente, a empresa se defendeu ao reiterar que a campanha era dirigida aos pais. Assim, em votação unânime, o STJ concebeu o primeiro precedente que julgava como abusivo publicidade dirigida a crianças.
Logo, esta paradigmática decisão precisou ser comemorada e homenageada, merecendo ampla divulgação. O evento contou com diversas personalidades dentre elas a chef de cozinha Bela Gil, a co-fundadora do IDEC Elici Bueno, o subprocurador geral da República Aurélio Rios, os ministros Humberto Martins e Assusete Magalhães, além do apoio da organização mundial Bloomberg Philanthropies.
Nesta solenidade, diversas questões foram pontuadas pelos convidados, como por exemplo o reforço e o entendimento de que umas das principais causas do excesso de peso é a publicidade infantil, na qual distorce comportamentos e contribui para uma competição desleal entre os produtos ultraprocessados e os alimentos in natura. É de extrema pertinência social, política e democrática que todos os setores envolvidos trabalham conjuntamente e continuamente para a proteção, promoção e prevenção da saúde infanto-juvenil. Além do mais, o Supremo Tribunal de Justiça, como instância do Poder Judiciário brasileiro que garante efetivamente a isonomia à interpretação da legislação federal, necessita operar diante da fixação de limites legislativos que impeçam que o lucro empresarial não ultrapasse os direitos do consumidor. Que esta decisão tão significativa para o bem estar coletivo sirva de exemplo à outras jurisdições mundiais auxiliando na militância e no reconhecimento dessa importante causa.

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Suco de fruta (de verdade) não faz mal!

Janaina Marques Baiocchi, Nutricionista CRN1 1753
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Já há algum tempo tenho estado e incomodada com a hipocondria nutricional que tem rolado nas redes sociais. Só que hoje li uma postagem que me mobilizou a não continuar como uma mera expectadora dessa distorção toda: um profissional de saúde incluiu TODOS os sucos de fruta na PIOR categoria de PRODUTOS alimentícios consumidos por crianças!
Concordo plenamente que estas bebidas industrializadas que chamamos de “suco de caixinha” (compostos basicamente de açúcar e água e quase nada de fruta), realmente são desnecessárias, não possuem nenhum benefício nutricional e podem até fazer mal.
Mas daí até TODOS os SUCOS DE FRUTA serem considerados ruins, como se tem propagado nas redes sociais, é outra história. Como dizer que uma preparação feita apenas com ingredientes naturais e as vezes água pode ser algo ruim?
Ate hoje não consegui entender bem esse movimento atual tão “maniqueísta” em relação aos alimentos! Por que essa necessidade tão urgente de rotular e generalizar os alimentos em bons ou maus ?
Cada indivíduo reage de uma maneira a cada alimento, e cada alimento faz parte de um contexto no conjunto do que se ingere na alimentação diária. Isso precisa ser levado em conta. Por meio da observação de como o nosso corpo reage a cada alimento, de como, quanto e quando este alimento ingerido tornando a desenvolver uma consciência alimentar que realmente pode fazer diferença positiva nas escolhas do que se come.
No entanto, o que ocorre hoje é uma enorme tendência na busca por uma alimentação saudável baseada em informações viralizadas que condenam ou hipervalorizam determinados alimentos como sendo ou ruins para todo mundo, ou bons para tudo, todos e sempre! São milhões de internautas ávidos por uma solução rápida e simplista para se obter uma alimentação saudável! São muitas industrias e perfis em redes sociais querendo lucrar com isso!
Alimentar-se bem de verdade exige, informação segura, consciência, dedicação, autopercepção, reflexão e constância…. É muito mais que dividir os alimentos entre bons ou maus!
Então, voltando ao SUCO DE FRUTA, não entendo porque condenar sucos de frutas naturais como algo que não é bom!
É claro que os sucos devem ser incluídos na alimentação com a consciência de que dependendo da fruta podem concentrar muita energia (o que para casos específicos e para crianças pequenas não é recomendado), de que não possuem todas as fibras que a fruta in natura forneceria e de que não devem ser adoçados. No entanto, em alguns casos o suco pode ser uma excelente fonte de energia e nutrientes, como por exemplo para complementar a alimentação em casos de escolares com baixo peso, atletas e idosos. Os sucos podem também ser uma forma de enriquecer de nutrientes e sabor a a alimentação diária como o exemplo dos sucos adicionados de brotos, ervas aromáticas, gengibre, hortaliças… Enfim estes são só alguns exemplos de que os sucos também podem ser uma boa escolha!
Claro, que ao ler a postagem li também a postagem citada pelo autor que leva ao seu blog em que ele discorre bastante sobre a frutose e cita alguns artigos como referência. Fui atrás dos artigos também! O que realmente encontrei foram resultados que demonstram o impacto negativo do estado nutricional relacionado ao consumo de bebidas açucaradas, sucos industrializados adicionados de frutose e consumo excessivo de sucos. Um dos artigos inclusive diz que não é possível associar estes efeitos aos sucos de fruta puro. Ou seja, nada que justifique julgarmos TODOS os sucos ruins!
Em tempos em que se publica de tudo o tempo todo, é preciso mais reflexão e menos impulso na hora de “comprar” suas crenças alimentares…Cada caso é um caso! Cada suco é um suco!

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ORGANIZAÇÕES ENVIAM CARTA A JAMIE OLIVER Repúdio à parceria entre o chef inglês e a Sadia

O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC) e a ACT Promoção da Saúde, entre outras 30 organizações da sociedade civil e instituições acadêmicas comprometidas com a saúde e alimentação saudável, enviaram hoje, 17 de agosto, uma carta ao chef inglês Jamie Oliver em repúdio à sua parceria com a Sadia.

A parceria com a Sadia prevê a realização de atividades ditas educativas em escolas brasileiras por meio do projeto Saber Alimenta, apresentado como um “projeto pedagógico que ensina as crianças a serem protagonistas na mudança dos hábitos alimentares dentro de casa e cria uma relação mais próxima delas com os alimentos saudáveis”.

Para as organizações, trata-se de merchandising da Marca Sadia direcionada ao público infantil dentro de escolas, maquiada de ação educativa, e por isso abusiva, conforme definido pelo Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (CONANDA). De acordo com o site da Sadia, o projeto Saber Alimenta, da Sadia, chegará a centenas de escolas em São Paulo e Santa Catarina, visando alunos do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental I, ou seja, crianças com idade entre 6 e 10 anos. Trata-se de um público extremamente vulnerável, de acordo com as organizações, cuja deficiência de julgamento e experiência, própria de sua faixa etária, não permite reconhecer os objetivos finais de persuasão e fidelização dessa ação de marketing.

“Entendemos que esse projeto pode ser caracterizado como uma ação de branding, com o objetivo final de desenvolver positivamente a reputação da marca e de seus produtos e, assim, fidelizar o público consumidor desde a infância”, explica Ana Paula Bortoletto, pesquisadora em alimentos do IDEC.

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Segundo as organizações, há um confronto entre o interesse público, que é o de promover a alimentação saudável, e o interesse comercial, ou seja, ampliar o conhecimento da marca, construir/consolidar uma imagem positiva da empresa, apresentar novos produtos de seu portfólio e fidelizar o mais precocemente possível a clientela, com o objetivo de ampliar suas vendas e seu lucro.

A parceria entre Jamie Oliver e a Sadia surpreendeu as organizações pelo fato de ele, um profissional que se apresenta como ativista social, se dispor a atuar em espaços sociais (como são as escolas), mas não estabelecer um diálogo prévio sobre essa relação com os especialistas em políticas públicas para alimentação saudável no Brasil. Os profissionais da área de nutrição fazem a distinção entre os casos da Inglaterra e Brasil. “Lá, mais de 60% das calorias consumidas pela população vêm de produtos ultra-processados. No Brasil, esse número é de 30%, e as principais ações de promoção da alimentação saudável são a preservação e o resgate da cultura alimentar e não a promoção de produtos ultraprocessados pretensamente mais saudáveis, como faz a campanha da Sadia”, diz Elisabetta Recine, do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea).

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As organizações criaram uma petição online na plataforma Change e quem quiser pode aderir à carta: http://www.change.org/CartaJamieOliver

Também foi criado um hotsite, com mais informações: http://www.actbr.org.br/cartajamieoliver/

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Vamos falar de intestino!

Uma popular marca de iogurtes chegou há um tempo no mercado com o discurso de que seu produto seria capaz de regularizar a função intestinal de seus consumidores e recentemente vem divulgando sua propaganda comercial voltada ao público feminino. No comercial a celebridade Fernanda Lima fala a respeito de um estudo onde 70% das mulheres entrevistadas dizem sofrer com problemas intestinais e que parte delas afirmam ter impacto na sua vida sexual. (Assista ao comercial via YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=0clnHHWLDj8)

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Pouco se sabe, mas o intestino além de ser o órgão responsável pela absorção de nutrientes em nosso organismo, é um órgão com grande quantidade de células nervosas e também acomete uma enorme quantidade de bactérias (microbiota intestinal) que podem influenciar de maneira positiva ou negativa na saúde de cada um de nós. Isso varia de acordo com a composição e a proporção dessa microbiota que é modulada principalmente pela alimentação, uso de medicamentos e a condição emocional de cada indivíduo. É muito comum pessoas apresentarem função intestinal desregulada com suas diversas conseqüências, chegando a afetar até mesmo o desejo sexual, dando ênfase no público feminino.

 

Mas então quer dizer que é o tal iogurte da propaganda a solução para esse problema? Chama atenção que esse estudo coordenado pela Federação Brasileira de Gastroentereologia tinha o apoio da própria marca que fabrica o iogurte da propaganda. Ou seja, há um uso tendencioso da informação obtida no estudo para privilegiar a tal marca de iogurtes. E o mais relevante, o estudo mostra que as principais causas para essa desregulação intestinal são: alimentação inadequada rica em açúcar, sódio e gordura; sedentarismo; estresse crônico e por fim, maus hábitos de saúde em geral. Portanto, o composto adicionado no iogurte (trata-se de um probiótico) para ajudar na regulação da função intestinal não é o suficiente para tal, sendo a alimentação equilibrada junto a hábitos de vida saudáveis os grandes protagonistas para o resultado positivo esperado. Esse comercial trata-se de um apelo ao comportamento e a personalidade feminina fazendo um vinculo a vida sexual desse público em específico e assim induzindo a ideia de necessidade do produto, estimulando o seu consumo.

 

Contudo, queridas seguidoras, não é o ‘iogurte mágico’ que vai melhorar seu intestino e de rebote sua vida sexual, além de fazer com que fiquem “bem por dentro e por fora” como é passado no slogan do produto. Para um bom funcionamento intestinal é fundamental que se tenha uma alimentação balanceada contendo uma vasta variedade de nutrientes e alimentos (de preferência in natura) ao invés de produtos processados e ‘milagrosos’. Sempre atentos, pessoal! Não se compra saúde fácil assim na prateleira do supermercado!

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“Batata” frita?

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Durante o mês passado foram bastante divulgadas em diversos sites na internet matérias que mostravam a quantidade de ingredientes contidos na batata frita do Mc Donalds. Ao todo são 19 ingredientes e entre eles há sabor natural de carne, leite hidrolisado e até mesmo compostos derivados do petróleo. (leiam a matéria na página hypeness: http://www.hypeness.com.br/2015/02/nada-vegetarianas-mcdonalds-revela-que-ha-carne-e-outros-ingredientes-em-suas-batatas/)

 

Em nota no próprio site do Mc Donalds foi exposto que nenhum item do menu é tido como vegetariano ou vegano, até mesmo a sua famosa batata frita (McFritas)! (acompanhem a nota: http://www.mcdonalds.com/content/us/en/your_questions/our_food/are-your-fries-vegetarian-friendly.html)

 

E por falar nela, recentemente foi ao ar um comercial da McFritas divulgando a promoção que por um pequeno valor a porção média ficava grande e a grande ficava mega. PORÉM, no início do comercial, é mostrado todo um cenário fantástico de camponeses colhendo as batatas da terra, colocando-as no saco e na emenda da cena elas caem cortadas e fritas direto na caixa, tudo ao som de Mozart. É feito todo um marketing do produto como se ele fosse do campo direto para a fritadeira e em seguida para a caixinha. (vejam o comercial via YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=znJXIND6Bf8)

 

O pior é que muita gente acredita que a batata é colhida e produzida na forma como o comercial mostra. Vejam como a propaganda é descrita por uma importante revista brasileira: http://exame.abril.com.br/marketing/noticias/ao-som-de-mozart-mcdonald-s-promove-mcfritas-em-novo-filme

 

Não caiam nessa pessoal! Primeiramente, por se tratar de um alimento frito, a batata frita deve ser evitada ao máximo. Além do mais essa batata não vai do campo para a fritadeira, ela passa por diversos processos tecnológicos com acréscimos de diversos ingredientes potencialmente maléficos a nossa saúde, fora a excessiva quantidade de sódio que ela tem. Procure preparar seus próprios alimentos, criar o hábito de cozinhar e tenha uma vida mais saudável, o mais longe possível dos fast-foods!

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O culto pelo corpo está ultrapassando todos os limites

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Não é de hoje que “modelos fitness” surgem todos os dias nas redes sociais incentivando as pessoas a buscarem o corpo perfeito com dietas milagrosas e treinos mirabolantes. Essa obsessão pelo corpo fitness é fortemente influenciada por indústrias como a de cosméticos, moda, medicamentos e alimentos, podendo em casos mais extremos levar ao desencadeamento de distúrbios de imagem, principalmente no público feminino.

Para uma pessoa saudável, fazer atividade física sem qualquer tipo de acompanhamento profissional, assim como se submeter a “modismos alimentares” pode ter um alto custo para a saúde de quem os fizer, imagina quando se trata de uma GESTANTE! Isso para que ela possa ter um corpo esbelto durante a gravidez. Você pode estar achando isso uma loucura, mas segundo uma noticia publicada pelo jornal Estadão, o culto ao corpo agora parece estar atingindo as gestantes. A notícia menciona a nova moda entre as “fitness” das redes sociais: engordar o menos possível durante a gravidez e manter a boa forma. Nos comentários podemos perceber uma forma de “competição” entre as internautas de quem conseguiu perder mais peso em menos tempo depois da gravidez ou mesmo quem engordou menos durante a mesma.

As redes sociais representam um espaço de formação de opinião muito grande atualmente, atingindo públicos diversos de forma rápida e simples com a tecnologia dos smartphones. No instagram a moda agora não é só o “selfie”, surgiu agora também a “belfie” (belly = barriga + selfie = autorretrato), fotos tiradas durante a gravidez a fim de exibir o corpo nessa fase da vida.

A gravidez é um momento em que o corpo feminino passa por diversas transformações para acomodar e dar suporte a uma nova vida. Engordar de forma saudável e com adequado acompanhamento profissional é fundamental para que o bebê tenha um crescimento adequado e que os riscos durante o parto sejam minimizados.

O inadequado ganho de peso durante a gestação pode impactar no crescimento e desenvolvimento do feto assim como na própria saúde da gestante. Tanto o baixo ganho de peso, como o excesso podem causar complicações principalmente para as crianças que tem maior chance de nascerem nos extremos do peso e desenvolver problemas de saúde durante a vida. Portanto é importante manter o peso controlado durante a gestação, não sob o aspecto estético, mas para garantir uma gestação segura tanto para a mãe quanto para o bebê sem exageros e seguindo as recomendações das instituições de saúde.

Mas o que será que se passa na cabeça dessas mamães fitness que não querem abandonar o culto pelo corpo nem nesse momento tão especial? Precisamos refletir sobre até onde a vaidade ultrapassa o limite da saúde e do bem estar.

Para visualizar a notícia acesse o link a seguir: http://vida-estilo.estadao.com.br/blogs/ser-mae/a-nova-moda-entre-as-gravidas-e-ter-a-barriga-sarada-acaba-mundo

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Energia que seu filho realmente precisa?

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Está sendo exibido na televisão um comercial de uma marca de achocolatado bastante famoso. O comercial mostra uma mãe que sai para trabalhar todos os dias e vê seu filho gradualmente se transformar no sofá onde sempre se encontra sentado jogando em seu dispositivo móvel. Após perceber que ele foi ‘engolido’ pelo sofá, a mãe resolve preparar o achocolatado com leite para o garoto, que após ingeri-lo, magicamente se liberta do sofá e vai para a rua com sua bola jogar futebol com as outras crianças (assista via YouTube:https://www.youtube.com/watch?v=4YUqJQOA6-w).

O que nos chama atenção é que na chamada da peça publicitária é mencionado para as mães que o produto contém “Activ-GO que tem a energia que seu filho precisa todos os dias”. Mas o que é esse tal de Activ-GO? Esse achocolatado é mesmo milagroso? E por que essa publicidade é direcionada para as mães? Vamos refletir sobre essas questões?

De acordo com a peça publicitária e o próprio rótulo do produto, Activ-GO consiste em uma mistura de cálcio, ferro e vitaminas que entra na composição do alimento. Porém esse termo não é reconhecido na literatura científica e nem por nosso órgão de vigilância sanitária. O objetivo deste termo é apenas comercial da própria marca para se referir a estes ingredientes específicos e tentar diferenciar o produto por meio do marketing, mascarando o produto e induzindo mães a compra de um alimento que, sobretudo, tem excesso de gordura e açúcar. O uso frequente de alimentos com esta composição aumentam a chance de ganho de peso e de cárie dentária. Além disso, tanto as vitaminas quanto os minerais do “tal Activ-GO” não seriam capazes de fornecer a “energia que seu filho precisa”. Isso porque estes nutrientes não fornecem energia em calorias para o organismo. Tais nutrientes ajudam na manutenção da saúde e do corpo. Vale ressaltar também que o direcionamento da publicidade às mães por meio de valores de zelo e proteção apela para valores construídos socialmente e que são associados à mulher. Além disso, as mães são uma das possíveis fontes de renda para aquisição do produto já que a criança não teria renda para adquiri-lo.

Outra reflexão importante é a do efeito milagroso que o comercial atribui ao achocolatado, fazendo com que a criança deixe de ser mais sedentária se divertindo com jogos eletrônicos e passe a ser mais ativa jogando futebol com as outras crianças na rua. Não negamos o fato de que “a vida não pode ser só no sofá”, mas não é o achocolatado que vai fazer com que a criança troque o sofá pela rua como local de diversão. Isso é uma argumento enganoso para que mães e pais continuem oferecendo o produto cada vez mais para seus filhos na esperança de que eles sejam mais sadios e bem nutridos. E é isso que repudiamos!

A Organização Mundial de Saúde, com base em diversos estudos, vem alertando a população sobre o crescimento da obesidade infantil e sua forte relação com a alta ingestão de alimentos processados com excesso de gordura e açúcar, como o produto em questão, e o sedentarismo.

Aqui no Brasil existem diversas políticas e ações que incentivam a conter o avanço da doença, como por exemplo a Política Nacional de Alimentação e Nutrição (PNAN), o Programa Saúde na Escola (PSE), além dos esforços para a regulamentação da publicidade de alimentos.

Sabemos que por ser um alimento bastante consumido pelo público infantil, principalmente devido à forte e abusiva publicidade da indústria direcionada tanto para o público adulto que oferece o produto, quanto para as crianças que o consomem. Contudo existem alternativas para deixar essa preparação [Leite + Achocolatado] mais saudável. Uma opção é a substituição do achocolatado em pó por frutas frescas ou congeladas ou o cacau em pó (de preferência sem açúcar e orgânico). Mas caso haja rejeição uma outra alternativa é misturar o cacau em pó ao achocolatado gradativamente, desde uma proporção de 1:1 até a mais próxima de 100% de cacau em pó.

Fiquem sempre atentos aos truques que as indústrias utilizam na publicidade, muitas vezes enganosa, para induzi-los ao consumo de seus produtos. E qualquer mãe ou pai, que se sentir prejudicado por estratégias desse tipo, pode recorrer aos órgãos de defesa responsáveis (PROCON ou Ministério Público). Essa é a melhor maneira de conter esse tipo de abuso e mudar esse cenário.

Até a próxima!

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Retomando as atividades

Olá a todos! O PROPAGANUT esteve um tempo desativado devido a reestruturação na equipe de trabalho, porém agora está de volta retomando suas atividades.
Somos um projeto de pesquisa e extensão na linha de ‘Alimentação e Nutrição nas Diferentes Mídias’ do Observatório de Políticas de Segurança Alimentar e Nutrição (OPSAN), ambos vinculados a UnB. Por meio das redes sociais temos o objetivo de divulgar informações críticas e dados científicos referentes à alimentação e nutrição, em caráter informativo e publicitário, subsidiando ações de educação ao público leigo com o intuito de fomentar a promoção da alimentação saudável e a discussão no âmbito das políticas de regulamentação.
Com essas propostas esperamos influenciar de maneira positiva na escolha de alimentos mais saudáveis e adequados para nossos seguidores. Lembrando que estamos conectados a vocês através da nossa página no Facebook [facebook.com/propaganut], Instagram [instagram.com/propaganut/], Twitter [@propagaNUT] e do nosso site [propaganut.wordpress.com], abertos a sugestões, críticas e esclarecimentos.
Um bom retorno a nós e saúde a todos!

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