A INDÚSTRIA ALIMENTÍCIA É OPORTUNISTA

Por Jussara Alves, estudante de nutrição.

Oportunista (s.m.): 1. Pessoa que tira proveito das oportunidades em benefício próprio; 2. Quem se aproveita de outras pessoas, buscando obter vantagens pessoais, em certas situações. É um adjetivo forte. Talvez não seja a melhor palavra para se começar um texto, porém é exatamente esse adjetivo que define as indústrias alimentícias quanto ao seu interesse primário na busca do consumidor de seus produtos.

Na década de 70 até a década de 90, com o neoliberalismo econômico, houve o crescimento nas indústrias alimentícias. Foi o período em que a demanda das indústrias maximizaram, o brasileiro passou a fazer mais refeições fora de casa e a nossa mesa começou a ter uma nova realidade – a substituição dos alimentos in natura por produtos embalados prontos pro consumo que passam a ser mais e mais valorizados. Isso aconteceu principalmente pautado no discurso de praticidade, segurança e facilidade. Afinal PARECE que ferver uma água por 3 minutos e se ter um macarrão instantaneamente temperado é mágico e bem mais fácil do que cozinhar um macarrão e preparar o molho – e sem consequências à primeira vista.

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No entanto, essa realidade (não revelada na publicidade do rápido e prático) afeta diretamente na saúde dos consumidores, uma vez que muitos destes produtos possuem excesso de gorduras, açúcares, sódio, aditivos, corantes e conservantes. O consumo excessivo e constante destes pode contribuir para o desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs), como por exemplo: diabetes, hipertensão, obesidade, entre outros. Segundo o Ministério da Saúde, no Brasil, em 2013, as DCNTs foram a causa de aproximadamente 72,6% das mortes.

O desenvolvimento exagerado de DCNTs no país assusta e a população, mais informada sobre a relação da alimentação e a saúde, tem se preocupado cada vez mais com os alimentos que consome e sua relação com a longevidade.

Essa mudança fez com que as indústrias alimentícias se adaptassem ao nível de informação no qual seu consumidor tem acesso, uma vez que a busca de satisfação das necessidades e desejos do público alvo é o que garante a lucratividade das empresas (Kotler, 1995). Criam novas fórmulas, novos produtos, retiram açúcar, diminuem gordura, adicionam vitaminas, minerais. Sim! Prometem saúde, energia e nutrição. Essas, entre outras estratégias que o famoso marketing nutricional tem criado para atender a nova realidade. Colocam em evidência nos rótulos, na publicidade televisiva ou nas mídias sociais as informações de caráter nutricional que vão atender os interesses do consumidor (Gonsalves, 1996). Ou seja, indústria alimentícia abraçando com força a oportunidade de gerar e lucrar com produtos “saudáveis”.

Produto integral, diet, light, fortificado com vitaminas, adicionado de minerais. São alguns exemplos de produtos que estão cada vez mais em alta nas prateleiras e nos carrinhos do supermercado. Mas tem um porém: boa parte desses produtos não são necessariamente saudáveis ou adequados para o consumo diário. A população é iludida.

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Se formos ler os ingredientes e o rótulo nutricional de muitos destes produtos ultraprocessados com as alegações acima, vamos perceber que nem sempre o que tem ali dentro é conhecido ou deve ser consumido com frequência. Às vezes um alimento considerado diet em açúcar, contém altos teores de gorduras saturadas ou um alimento light em gorduras pode ser cheio de sódio. Além dos infinitos aditivos que são acrescentados para intensificar o sabor, o aroma, a cor, melhorar textura e a quantidade de conservantes para aumentar o tempo de prateleira do produto. Todos esses ingredientes podem afetar a saúde da população. E a população acaba se tornando vítima das estratégias de marketing empregadas pelas indústrias.

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Mas será que nós podemos intervir e ajudar a população? Sim! Conscientize quem você conhece. Repasse o seu conhecimento e mostre a importância de se ler os ingredientes e a tabela nutricional presentes nos produtos. Destaque sempre a importância de saber filtrar e ser crítico em relação à publicidade. Afinal, as indústrias são espertas! À medida que surgem oportunidades, elas sabem se adaptar e usar estratégias pra ganhar o consumidor. NÓS. Quanto mais atentos e críticos estivermos, mais difícil será de sermos enganados pelas estratégias oportunistas utilizadas.

Referências:

GONSALVES, M.I.E. – “Marketing Nutricional” – 1996.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATISTICA – IBGE. Análise do consumo alimentar pessoal no Brasil – POF 2008 – 2009. Disponível em: < http://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv50063.pdf >. Acesso em 02 de ago. 2017.

KOTLER, P. – Administração de Marketing. Análise, Planejamento, Implementação e Controle – 1995.

PORTAL DA SAÚDE. Vigilância das doenças crônicas não transmissíveis, 04 de agosto de 2014. Disponível em: < http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/o-ministerio/principal/leia-mais-o-ministerio/671-secretaria-svs/vigilancia-de-a-a-z/doencas-cronicas-nao-transmissiveis/14125-vigilancia-das-doencas-cronicas-nao-transmissiveis>. Acesso em 02 de ago. 2017.

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