Energia que seu filho realmente precisa?

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Está sendo exibido na televisão um comercial de uma marca de achocolatado bastante famoso. O comercial mostra uma mãe que sai para trabalhar todos os dias e vê seu filho gradualmente se transformar no sofá onde sempre se encontra sentado jogando em seu dispositivo móvel. Após perceber que ele foi ‘engolido’ pelo sofá, a mãe resolve preparar o achocolatado com leite para o garoto, que após ingeri-lo, magicamente se liberta do sofá e vai para a rua com sua bola jogar futebol com as outras crianças (assista via YouTube:https://www.youtube.com/watch?v=4YUqJQOA6-w).

O que nos chama atenção é que na chamada da peça publicitária é mencionado para as mães que o produto contém “Activ-GO que tem a energia que seu filho precisa todos os dias”. Mas o que é esse tal de Activ-GO? Esse achocolatado é mesmo milagroso? E por que essa publicidade é direcionada para as mães? Vamos refletir sobre essas questões?

De acordo com a peça publicitária e o próprio rótulo do produto, Activ-GO consiste em uma mistura de cálcio, ferro e vitaminas que entra na composição do alimento. Porém esse termo não é reconhecido na literatura científica e nem por nosso órgão de vigilância sanitária. O objetivo deste termo é apenas comercial da própria marca para se referir a estes ingredientes específicos e tentar diferenciar o produto por meio do marketing, mascarando o produto e induzindo mães a compra de um alimento que, sobretudo, tem excesso de gordura e açúcar. O uso frequente de alimentos com esta composição aumentam a chance de ganho de peso e de cárie dentária. Além disso, tanto as vitaminas quanto os minerais do “tal Activ-GO” não seriam capazes de fornecer a “energia que seu filho precisa”. Isso porque estes nutrientes não fornecem energia em calorias para o organismo. Tais nutrientes ajudam na manutenção da saúde e do corpo. Vale ressaltar também que o direcionamento da publicidade às mães por meio de valores de zelo e proteção apela para valores construídos socialmente e que são associados à mulher. Além disso, as mães são uma das possíveis fontes de renda para aquisição do produto já que a criança não teria renda para adquiri-lo.

Outra reflexão importante é a do efeito milagroso que o comercial atribui ao achocolatado, fazendo com que a criança deixe de ser mais sedentária se divertindo com jogos eletrônicos e passe a ser mais ativa jogando futebol com as outras crianças na rua. Não negamos o fato de que “a vida não pode ser só no sofá”, mas não é o achocolatado que vai fazer com que a criança troque o sofá pela rua como local de diversão. Isso é uma argumento enganoso para que mães e pais continuem oferecendo o produto cada vez mais para seus filhos na esperança de que eles sejam mais sadios e bem nutridos. E é isso que repudiamos!

A Organização Mundial de Saúde, com base em diversos estudos, vem alertando a população sobre o crescimento da obesidade infantil e sua forte relação com a alta ingestão de alimentos processados com excesso de gordura e açúcar, como o produto em questão, e o sedentarismo.

Aqui no Brasil existem diversas políticas e ações que incentivam a conter o avanço da doença, como por exemplo a Política Nacional de Alimentação e Nutrição (PNAN), o Programa Saúde na Escola (PSE), além dos esforços para a regulamentação da publicidade de alimentos.

Sabemos que por ser um alimento bastante consumido pelo público infantil, principalmente devido à forte e abusiva publicidade da indústria direcionada tanto para o público adulto que oferece o produto, quanto para as crianças que o consomem. Contudo existem alternativas para deixar essa preparação [Leite + Achocolatado] mais saudável. Uma opção é a substituição do achocolatado em pó por frutas frescas ou congeladas ou o cacau em pó (de preferência sem açúcar e orgânico). Mas caso haja rejeição uma outra alternativa é misturar o cacau em pó ao achocolatado gradativamente, desde uma proporção de 1:1 até a mais próxima de 100% de cacau em pó.

Fiquem sempre atentos aos truques que as indústrias utilizam na publicidade, muitas vezes enganosa, para induzi-los ao consumo de seus produtos. E qualquer mãe ou pai, que se sentir prejudicado por estratégias desse tipo, pode recorrer aos órgãos de defesa responsáveis (PROCON ou Ministério Público). Essa é a melhor maneira de conter esse tipo de abuso e mudar esse cenário.

Até a próxima!

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1 comentário

Arquivado em Notícias

Uma resposta para “Energia que seu filho realmente precisa?

  1. Marina

    Parabéns pelo excelente trabalho! Pesquisas do tipo são fundamentais para nós, leigos, que buscamos saúde! Nossa família agradece pelas importantes informações! Grata!

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