A FARSA DO FIM DOS QUADRINHOS NACIONAIS ou porquê não somos todos alienados a serviço de interesses mercantilistas

Texto retirado do site: Actions e Comics
swturmadamonica
O Tio Ultimate aqui participou ativamente das discussões no DPDC do ministério da Justiça sobre a nefasta publicidade infantil no nosso País ( como também a nefasta publicidade de medicamentos )  e fiquei surpreso com a tentativa de ludibriar a população com falsas teorias da conspiração que só têm o objetivo de beneficiar uma minoria de exploradores e riquíssimos empresários. Ao iniciar a construção de um artigo me deparei com o excelente artigo escrito por noQuadrinheiros e resolvi o reproduzir aqui com os devidos créditos:

Nessa semana uma notícia estapafúrdia e idiota está se propagando entre os fãs de quadrinhos. A origem está na Resolução n.163 de 13 março de 2014 do Conselho Nacional de Direitos da Criança e do Adolescente (CONANDA), que dispõe sobre a abusividade do direcionamento de publicidade e comunicação mercadológica à criança e ao adolescente a qual o tio Ultimate aqui considera um rande avanço na proteção de nossas crianças. Rapidamente espalharam-se notícias afirmando que a resolução determinaria o fim dos quadrinhos nacionais, o fim dos quadrinhos, o fim dos desenhos infantis na televisão e demais previsões apocalípticas, o que é uma mentira deslavada e absurda!
Infelizmente nos tempos de googlelização as pessoas leem as três primeiras linhas de qualquer coisa e param por aí, já com a opinião a respeito formada. E se você chegou até aqui sua pergunta foi a mesma que a minha quando li tais opiniões: elas têm algum tipo de fundamento?
Bom, uma notícia que sintetiza essa visão apocalíptica com algum fundamento e também com algum exagero pode ser vista aqui. O raciocínio é o seguinte: todo e qualquer produto (seja um quadrinho, um desenho etc.) necessita de propaganda para poder vender no mercado, logo, se não há propaganda, não há como o produto se manter no mercado. A resolução, segundo o texto citado, é muito ampla e portanto tudo poderia ser considerado como propaganda abusiva, até mesmo capas de gibis etc. Logo, sem propaganda permitida, os quadrinhos nacionais e desenhos estariam fadados ao fim, uma vez que não poderiam mais ser divulgados. A mesma sentença valeria para os desenhos animados, dada a falta de anunciantes infantis, e não seriam mais rentáveis para os canais de televisão. O cenário da matéria ainda é mais sombrio: seria também o fim de bonecos colecionáveis etc.
Isso é correto? Vejamos.
A resolução, que você pode ler por si mesmo aqui, define comunicação mercadológica “toda e qualquer atividade de comunicação comercial, inclusive publicidade, para a divulgação de produtos, serviços, marcas e empresas, independentemente do suporte, da mídia, ou do meio utilizado”. Essa definição de comunicação mercadológica é bem ampla e deu margem às previsões apocalípticas da matéria citada. Porém, o que não é citado é que a resolução dispõe sobre aabusividade da comunicação mercadológica, e também define o que é consideradoabusivo:
 
“Considera-se abusiva, em razão da política nacional de atendimento da criança e do adolescente, a prática do direcionamento de publicidade e de comunicação mercadológica à criança, com a intenção de persuadi-la para o consumo de qualquer produto ou serviço e utilizando-se, dentre outros, dos seguintes aspectos:
 
I – linguagem infantil, efeitos especiais e excesso de cores;
II – trilhas sonoras de músicas infantis ou cantadas por vozes de criança;
III – representação de criança;
IV – pessoas ou celebridades com apelo ao público infantil;
V – personagens ou apresentadores infantis;
VI – desenho animado ou de animação;
VII – bonecos ou similares;
VIII – promoção com distribuição de prêmios ou de brindes colecionáveis ou com apelos ao público infantil; e
IX – promoção com competições ou jogos com apelo ao público infantil”.
 
A resolução é um tanto ampla também, especialmente porque utiliza o termo “dentre outros”. Porém, ao definir minimamente o que pode ser considerado abusivo, já está a própria brecha para que toda e qualquer propaganda NÃO SEJA CONSIDERADA ABUSIVA.
Além do mais é a publicidade voltada para a criança e ao adolescente é que vai ser de alguma forma regulamentada e não toda e qualquer  publicidade de produtos voltados para a criança e adolescente. Qual a diferença? Simples. Uma propaganda, digamos sobre um tênis do Superman será voltada ao adulto, ou seja, aos responsáveis pela criança (que em última instância é quem decide sobre o que ela irá consumir) e não à criança. Portanto, caso a resolução seja colocada em prática, é mais correto dizer que tais propagandas não vão simplesmente acabar, mas serão redirecionadas aos responsáveis por crianças e adolescentes.
Maurício de Sousa, que dispensa maiores apresentações, criticou abertamente a resolução e é óbvio que as empresas que lidam com produtos e publicidade para crianças e adolescentes estão temerosas. Mônica de Sousa tentou vincular a resolução a essa visão apocalíptica, mostrando não só desconhecimento sobre a resolução como obviamente defendendo os interesses da empresa de seu pai, que você pode ler na íntegra aqui.
Até entendo que nosso passado marcado por duas ditaduras nos deixe inquietos em relação à qualquer coisa que pareça censura, mas tem algum fundamento dizer que o mercado de quadrinhos nacionais, de desenhos, de produtos infanto-juvenis vai mesmo acabar? É óbvio que não. O máximo que irá acontecer é a mudança de viés dessas propagandas e, portanto, a viabilidade mercadológica de produtos voltados para crianças e adolescentes está assegurada. Sem razão para prever o fim dos quadrinhos nacionais e demais bobagens.
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2 Comentários

Arquivado em Notícias

2 Respostas para “A FARSA DO FIM DOS QUADRINHOS NACIONAIS ou porquê não somos todos alienados a serviço de interesses mercantilistas

  1. filipe

    logo se vê que o tio Ultimate, sabe ler leis! Da mesma forma que não tem a menor consciência do que significa uma lei dessas!
    Em seu proprio exemplo o TENIS do superman passa a se tornar praticamente um crime de abuso e não poderia ser SEQUER comercializado pois a utilizacao de MARCA vinculada a um personagem de quadrinhos, televisao etc …estaria vetada.
    da mesma forma que produtos turma da monica estarao proibidos com essa lei. sejam tenis, bixinhos de pelucia ou frutas!
    Nao vou nem entrar no merito de explicar o quanto faz parte de uma empresa que trabalha com personagens, os valores da imagens de seus personagens. Essa lei é um crime contra qualquer artista, ou pubicitario do ramo. Eu poderia escrever uma tese de doutorado inteira sobre o assunto, mas acho que nem preciso.

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