Portas Abertas do Observatório Brasileiro de Hábitos Alimentares (OBHA): Discriminação contra os estudantes obesos e os muito magros nas escolas brasileiras

Por Ada Bento e Camila Leão

Nesta terça feira, 11/3 o PropagaNUT participou de um evento organizado pelo OBHA, sobre Discriminação contra os estudantes obesos e os muito magros nas escolas brasileiras. A pesquisa foi desenvolvida pelo economista Luis Claudio Kubota, vinculado ao Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA).

A base de dados utilizada foi a da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em parceria com o Ministério da Saúde (MS).A amostra foi composta por alunos do nono ano, com uma faixa etária média entre 14 e 15 anos.

A principal variável utilizada foi a classificação como “muito magros”, “magros”, “normais”, “gordos” e “muito gordos”, sendo que essa foi uma variável autoclassificatória.

O gráfico abaixo apresenta os percentuais de ocorrência de comportamentos de risco, bullying, agressões e ferimentos, atividade física e relacionamento com os pais, entre todos os alunos de escolas píblicas que compuseram a amostra.

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Clique na imagem para ampliar.

Obs: Na versão completa do trabalho, está disponível a análise separada por sexo e por tipos de escolas (pública ou privada). Vale ressaltar, que não houve diferença significativa entre os dois tipos de escolas.

O gráfico mostra claramente, que tanto para os alunos obesos, quanto para os muito magros, há alguma diferença com relação aos indicadores analisados. Isso indica que esses alunos estão sofrendo discriminação dentro do ambiente escolar e algumas vezes até mesmo dentro de casa. Foi muito destacado tanto pelo pesquisador, quanto pelos ouvintes da palestra, que é importante que as políticas públicas foquem na obesidade e nas suas causas, e não no obeso. Quando uma ação sobre esse tema não é bem estruturada, a mesma pode ter efeito contrário, e estimular ainda mais o preconceito, como é o exemplo da imagem a seguir:

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Na pesquisa também foi avaliada a diferença entre consumo de alimentos saudáveis e não saudáveis, de forma que os alunos deveiram marcar quantos dias na da semana consumiam cada tipo de alimento. A tabela abaixo mostra os resultados encontrados.

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Clique na imagem para ampliar.

Durante a discussão foi ressaltado principalmente o fato de que os alunos que se consideraram “muito gordos” disseram consumir mais alimentos saudáveis e menos não saudáveis do que os “normais”.

As possíveis justificativas para esses resultados podem ser o fato de os “muito gordos” serem mais conscientes sobre o valor da alimentação, de adolescentes consumirem mais alimentos devido ao maior gasto energético durante essa fase da vida, ou ainda estarem mentindo; em busca de aprovação. Vale ressaltar ainda que esses dados são em termos de número de dias e não de quantidade consumida, ou seja, o adolescente pode referir consumir o alimento só um dia durante a semana,  porém consumi-lo em grande quantidade nesse único dia – ou vice versa.

Resultados como este mostram que ainda há muita discriminação com relação ao estado nutricional e que muitas vezes nem os pais e nem a escola sabem como lidar com isso, enfatizando a necessidade da criação de políticas públicas bem elaboradas sobre esse tema. A pesquisa na íntegra está disponível no link destacado acima.

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