Entendendo melhor sobre as Fórmulas Infantis

Por Camila Araújo e Camila Leão.

O tema da alimentação infantil, principalmente no que diz respeito ao aleitamento materno e ao uso de fórmulas durante os 2 primeiros anos de vida, é bastante polêmico e deixa os pais cheios de dúvidas. Vimos a reflexão disto no post sobre o Leite Ninho +1, o qual recebeu vários comentários, a maioria com dúvidas. Por isso, decidimos explorar um pouco mais este assunto com um post dedicado somente para ele!

Inicialmente gostaríamos de destacar a importância do aleitamento materno exclusivo até os 6 meses de idade, visto que o leite materno contem todos os nutrientes que a criança precisa para um adequado crescimento e desenvolvimento durante esta fase da vida. Além disso, é também um processo que envolve interação profunda entre mãe e filho, com repercussões no estado nutricional da criança, em sua habilidade de se defender de infecções, em sua fisiologia e no seu desenvolvimento cognitivo e emocional, além de ter implicações na saúde física e psicológica, na recuperação do pós parto e na perda de peso da mãe.

Esse assunto do aleitamento materno pode parecer um pouco batido, mas ainda existe a crença de que o leite materno pode ser “fraco”, além do fato de que muitos pediatras introduzem as fórmulas infantis sem uma real necessidade, o que acaba desestimulando o aleitamento.

Vale ressaltar ainda, que existem casos em que, por diversos fatores, a amamentação não é possível ou recomendada como, por exemplo, nos casos de mãe soropositiva para o vírus HIV, HTLV-1 e HTLV-2. Nestas situações a melhor opção para crianças totalmente desmamadas com idade inferior a 4 meses é a alimentação láctea, por meio da oferta de leite humano pasteurizado proveniente de Banco de Leite Humano, quando disponível. Já o uso de leite de vaca e/ou fórmula infantil deve ser avaliado individualmente pelo profissional de saúde, de acordo com as necessidades da criança.

O que mais diferencia o leite de vaca do leite materno (LM) é o tipo e a quantidade de proteínas: o leite de vaca possui três vezes mais proteína que o LM, sobrecarregando os rins quando consumido em alta quantidade, aumentando a excreção de cálcio pela urina e causando mais cólica. O leite de vaca possui ainda uma proteína potencialmente alergênica, a betalactoglobulina.

Com o intuito de se assemelhar ao leite materno, foram criadas as fórmulas infantis, produzidas a partir de leite de vaca, mas com redução na quantidade de proteínas. Contudo, as fontes de carboidratos, proteínas e outros componentes presentes nas fórmulas infantis diferem em identidade e qualidade dos componentes do LM. Desta forma, são melhores opções que o leite de vaca, porém, pelo fato de ainda serem feitas a partir deste ingrediente, o risco de alergia ainda existe.

Fonte: Olha quem está comendo.

É conveniente evitar o leite de vaca no primeiro ano de vida, devido a um maior risco de desenvolvimento de alergia alimentar. A alergia alimentar ou alergia à proteína heteróloga pode ser desenvolvida a qualquer proteína introduzida na dieta habitual da criança. A mais freqüente é em relação à proteína do leite de vaca, pelo seu alto poder alergênico e pela precocidade de uso por crianças não amamentadas ou em aleitamento misto (leite materno e outro leite). O desenvolvimento da alergia alimentar depende de diversos fatores, incluindo a hereditariedade, a exposição às proteínas alergênicas da dieta, a quantidade ingerida, a frequência e a idade da criança exposta.

Denomina-se alergia alimentar toda reação adversa dirigida ao componente protéico do alimento e que envolve mecanismo imunológico . A alergia à proteína do leite de vaca (APLV) ocorre principalmente nos três primeiros anos de vida . Em países desenvolvidos, a alergia à proteína do leite de vaca (APLV) afeta entre 2% e 7,5% das crianças, especialmente nos primeiros meses de vida. Em recente inquérito epidemiológico, realizado em consultórios de gastroenterologistas pediátricos das regiões sul e sudeste do Brasil, 7,4% de 9.478 crianças apresentaram suspeita de alergia alimentar, relacionada ao leite de vaca em 77% dos casos. O mecanismo fisiopatológico pelo qual se desenvolve a alergia alimentar envolve, além dos antígenos (proteínas de alto peso molecular), processos de fundamental importância, como a permeabilidade da barreira do trato gastrointestinal e a predisposição genética individual. A imaturidade fisiológica do aparelho digestório, inerente aos dois primeiros anos de vida e o sistema imunológico também imaturo nessa faixa etária, são fatores importantes para que o desenvolvimento da APLV na infância se estabeleça. (Leia mais aqui).

Além disso, o leite de vaca pode gerar distúrbios hidroeletrolíticos, predisposição futura para excesso de peso e suas complicações e predispor à anemia, visto que apresenta um baixo teor e uma baixa disponibilidade de ferro. Para cada mês de uso do leite de vaca a partir do 4º mês de vida, ocorre queda de 0,2 g/dL nos níveis de hemoglobina da criança. Nesta fase também deve-se evitar dar bebidas açucaradas (refrigerantes e outras), pois elas diminuem o apetite da criança para alimentos mais nutritivos e podem causar fezes amolecidas. É importante lembrar que os hábitos alimentares começam a ser construídos na infância e que, portanto, uma criança que aprende a comer muitos alimentos doces, provavelmente vai levar essa hábito (e suas consequências) para a vida adulta. Chá e café também são desaconselháveis porque podem interferir na absorção de ferro.

Diante da impossibilidade do aleitamento materno após os 6 meses, deve-se utilizar uma fórmula infantil ou mesmo outros substitutos do leite materno, como “leites” de cereais (por exemplo, de arroz, quinoa, etc). A decisão sobre qual substituto adotar vai depender da avaliação de diversos aspectos como, aceitação do bebê, condição econômica, processos alérgicos (pessoal e familiar), disponibilidade do produto, entre outros.

No caso de escolha de fórmulas industrializadas, antes do sexto mês, deverá ser utilizada uma fórmula infantil para lactentes; a partir do sexto mês, recomenda-se uma fórmula de seguimento para lactentes. Destaca-se também a importância da introdução de alimentos complementares ao leite materno e/ou às fórmulas a partir dos 6 meses.

Para facilitar o entendimento a respeito das diferentes fórmulas infantis, destacamos algumas definições:

Fórmula infantil para lactentes: produto, em forma líquida ou em pó, utilizado sob prescrição, especialmente fabricado para satisfazer, por si só, as necessidades nutricionais dos lactentes sadios durante os primeiros seis meses de vida (5 meses e 29 dias);

Fórmula infantil de seguimento para lactentes e crianças de primeira infância: produto, em forma líquida ou em pó, utilizado, quando indicado, para lactentes sadios a partir do sexto mês de vida até doze meses de idade incompletos (11 meses e 29 dias) e para crianças de primeira infância sadias, constituindo-se o principal elemento líquido de uma dieta progressivamente diversificada;

Sendo que:

Lactente: criança de zero a doze meses de idade incompletos (11 meses e 29 dias);

Criança de primeira infância: criança de doze meses até três anos de idade (36 meses).

Fonte: RDC nº 43/2011  e RDC nº 44/2011

Ao analisar os rótulos de algumas fórmulas de seguimento, como NAN, NESTOGENO e APTAMIL, observamos que as mesmas não apresentam grandes diferenças em sua composição, a não ser pela presença ou ausência de prebióticos ou DHA, por exemplo.

aptamil nan Slide1

Clique nas imagens para ampliar

ninho1Assim, destacamos que os pais fiquem atentos aos rótulos desses “alimentos infantis” para observar o que é realmente uma fórmula infantil e o que é um composto lácteo, o qual não é recomendado para consumo de crianças nessa fase por conter ingredientes não adequados para seu consumo (como já falamos aqui). Vale ressaltar ainda, que o leite NINHO, é um leite em pó, ou seja, não é recomendado para crianças abaixo de 1 ano.

Além disso, é preciso ter cuidado com a substituição das refeições principais por leite! O consumo superior a 700 ml de leite de vaca integral, nessa faixa etária, é importante fator de risco para o desenvolvimento de anemia. A dependência de um único alimento, como o leite, ou o consumo de grandes volumes de outros líquidos, como sucos, pode levar a um desequilíbrio nutricional e até a uma oferta inadequada de energia e nutrientes. Os sucos devem ser administrados no copo apenas após as refeições e não durante elas, em dose máxima de 100 ml por dia.

Para finalizar o post destacamos alguns pontos importantes sobre o assunto:

  • As crianças que já estão na fase da alimentação complementar (independente do leite que está sendo ofertado) precisam consumir água!
  • O preparo de fórmulas infantis deve seguir as recomendações do rótulo do produto, para evitar a hiperdiluição e um consumo inadequado de energia e nutrientes.
  • A partir dos 6 meses, recomenda-se introduzir os novos alimentos gradualmente, um de cada vez, a cada 3 a 7 dias. É muito comum a criança rejeitar novos alimentos, não devendo este fato ser interpretado como uma aversão permanente da criança ao alimento. Em média, a criança precisa ser exposta a um novo alimento de 8 a 10 vezes para que o aceite bem.
  • Independente do leite escolhido, ressaltamos que é fundamental analisar cada caso de forma individual e com acompanhamento de um profissional de saúde.

Fontes:

Sociedade Brasileira de Pediatria – Manual de orientação para a alimentação do lactente, do pré-escolar, do escolar, do adolescente e na escola.

Recomendações para alimentação complementar da criança em aleitamento materno.

Ministério da Saúde – Saúde da Criança: Nutrição Infantil Aleitamento Materno e Alimentação Complementar

Aleitamento Materno, Distribuição de Leites e Fórmulas Infantis em Estabelecimentos de Saúde e a Legislação

Anúncios

3 Comentários

Arquivado em Notícias

3 Respostas para “Entendendo melhor sobre as Fórmulas Infantis

  1. Nadja Furtado Bortolotti

    Olá, gostaria então de saber qual é a melhor opção de leite para bebês a partir de 1 ano de idade.

  2. Pingback: 10 coisas que não se deve dizer a uma mãe que não amamentou - Grávidas e Antenadas

  3. Liis

    Olá, eu gostei muito do post, mas tenho que fazer uma observação rs. Nesta parte “Vale ressaltar ainda, que o leite NINHO, é um leite em pó” contém um erro, já que no próprio rótulo do leite ninho tem a informação: “este produto NÃO é um leite em pó”.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s