Reflexões de uma psicóloga sobre a alimentação e a educação infantil

Por Bianca Panini.*

“Socorro, meu filho come mal”: Algumas questões sobre um episódio do programa.

 

 Assistindo ao GNT – “Socorro, meu filho come mal” – Episódio em que uma garotinha de 6 anos com hábitos alimentares inadequados tais como levantar da mesa na hora da refeição, querer que a mãe ou a babá lhe dêem comida na boca, mastigar somente de um lado da boca, não querer comer saladas, etc. Refletindo aqui sobre os seguintes aspectos:

  • A mobilização da ansiedade materna em torno de faze-la comer, indo atrás da filha com o prato de comida por todos os cantos da casa.
  • O excesso de importância dada ao fato dela não querer comer.
  • As técnicas utilizadas pela nutricionista Gabriela Kapin para fazer com que a criança se interessasse pela comida.

 Tantas questões implícitas num só episódio de um reallity show…

Posso afirmar, com 99% de certeza, que essa criança foi começando com essas manias gradualmente, provavelmente pedindo um dia para que a mãe lhe desse comida na boca, e ela aceitou esse pedido. Depois foi passando para outra atitude, como levantar da mesa, e então a mãe pode não ter gostado muito, mas também não se opôs com convicção. E assim os maus hábitos foram se instalando, para desespero dessa mãe. “O que eu faço com minha filha que não come direito?” “Ela vai ficar sem comer?” Essa preocupação certamente é transmitida para a criança, que muito esperta se aproveita para continuar manipulando.

 

Quanto às técnicas utilizadas pela nutricionista, são impecáveis, há voz de autoridade, há descontração, há o que chamo de desconstrução do problema, desvalorizando as atitudes negativas e fazendo a criança refletir sobre seu comportamento.

Uma das técnicas consistiu em levar a criança a uma horta para que ela conhecesse as plantações de alface e assim tivesse vontade de comer salada, inclusive ajudando a colher as hortaliças e ajudando também na preparação da salada.

Minha reflexão sobre isso foi de que as crianças da atualidade precisam percorrer um caminho de sentido, isto é, as coisas tem que fazer sentido para elas. Não são como foram as crianças da geração passada, ou os nossos pais por exemplo, que tinham que obedecer somente pela obediência e pela autoridade parental, e não que qualquer ordem precisasse fazer sentido.

A cena final mostra a família à mesa para o almoço e a criança experimentando a salada, sob o olhar atento e cheio de expectativa da mãe. Esse olhar demonstrando uma insegurança do tipo: “Será que ela vai comer mesmo?”.

Mais uma vez afirmo que essa insegurança é sentida pela criança.

A mãe tornou-se uma vítima do comportamento da filha. Pode haver outras questões psicológicas envolvidas, que não cabe aqui a análise, mas nenhum motivo justifica a dominação infantil sobre os pais.

As crianças mudaram muito, o mundo está cada vez mais diferente no que tange ao papel dos pais na educação dos filhos. Mas uma coisa não pode mudar, os pais tem que ter a convicção de que estão fazendo o melhor por seus filhos e transmitir isso a eles, para que não haja dúvida, de quem manda e de porquê manda.

Reflitamos sobre isso.

*Bianca Panini é psicóloga, com experiência em Psicoterapia Infantil. Escreve no blog Psicologia Infantil, de onde o texto foi retirado.

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