Menos SAL para a criançada

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Agora é oficial: a Organização Mundial da Saúde limita a quantidade de sódio para os pequenos. Entenda por que isso pode livrá-los de encrencas futuras.

Texto de Mirtes Aquino*

Em que fase da vida você acha que as preocupações com a hipertensão arterial e o excesso no consumo de sal devem surgir? Se você não é alguém que tenha tido contato recente com a questão, por mais preocupado que esteja com a saúde de sua família, é muito provável que exclua a infância da sua resposta. Entretanto, já foi o tempo em que este distúrbio era exclusividade dos mais velhos, como afirma a revista Saúde é vital em sua edição de abril de 2013.

Segundo a publicação, à medida que o cardápio da meninada foi invadido por alimentos industrializados e ricos em sódio, problemas de pressão alta foram se tornando cada vez mais precoces. O fato chamou a atenção inclusive da Organização Mundial da Saúde (OMS), que faz um alerta ainda mais grave: o distúrbio tem enorme probabilidade de se perpetuar na vida adulta. Por isso, a OMS passa a recomendar uma ingestão de menos de 2 gramas de sódio por dia para quem tem entre 2 e 15 anos.

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Mas onde o sódio pode ser encontrado? Eis a grande questão! Ainda segundo a reportagem, o mineral, que estende o prazo de validade dos alimentos, está presente na maioria dos produtos consumidos (e adorados) pelas crianças, como bolachas recheadas, pães, comidas de fast food e os famosos salgadinhos. Uma olhada na imagem abaixo deixa claro que os alimentos que a indústria alimentícia nos convenceu que são pertencentes à categoria de “comida para criança” possuem altas taxas de sódio, tornando extremamente fácil que uma criança assim alimentada exceda o limite recomendado pela OMS – chega a ser assustador que um pacotinho de macarrão instantâneo possua quase 70% deste limite.

de onde vem o sodio

O que o crescimento do consumo de guloseimas e junkfood tem trazido é o avanço entre as crianças da chamada hipertensão primária, aquela que não tem razão específica e até alguns anos era rara na infância. As estimativas da Sociedade Brasileira de Cardiologia apontam para 6% a 8% das crianças brasileiras já hipertensas. O mais assustador nisso tudo é que a hipertensão é um assassino silencioso, com uma minoria dos pacientes apresentando sintomas.

Além da ingestão excessiva de sódio, é preciso destacar a herança genética e a obesidade como fatores determinantes da hipertensão na infância. Para Aline Maria Pereira, nutricionista da Unifesp, quanto mais tempo uma criança ou adolescente permanecer acima do peso, maior é a probabilidade de virar hipertensa e apresentar doenças cardiovasculares no início da fase adulta.

As recomendações da reportagem para prevenir e atacar este mal não trazem nenhuma novidade para os que se preocupam com a alimentação das crianças: introduzir hábitos saudáveis desde cedo e retardar/reduzir a oferta de industrializados, com destaque para a amamentação exclusiva nos 6 primeiros meses de vida.

Entretanto, apesar da fácil compreensão, estas regras apresentam-se como um desafio para quem tem crianças diariamente bombardeadas pelos apelos da mídia alimentícia, sempre pronta para chegar a elas através de personagens e situações que lhes sejam atraentes. Além disso, os adultos também são atingidos pela mídia e suas promessas de praticidade e enriquecimento nutritivo dos alimentos industrializados. Parece que para manter nossas crianças saudáveis é preciso cada vez mais remar contra a maré publicitária!

*Mirtes é economista, funcionária pública e mãe da Letícia, que há 6 anos a ensina que é possível construir um mundo melhor.

Fonte: Infância Livre de Consumismo

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