Agora a Coca-Cola quer combater a obesidade…

Por Mariane Bandeira.

15_01_2013_coca_cola

Chega a ser meio paradoxal, para não dizer irônico, que uma das maiores responsáveis por causar obesidade na população agora se diz querer ser “parte da solução”, segundo declarações do presidente da empresa, Muhtar Kent. Mas é isso mesmo…

A Coca-Cola anunciou que vai adotar medidas em mais de 200 países a fim de ajudar na luta contra a obesidade. E não para por aí, a multinacional também declarou que não irá mais produzir publicidade dirigida a menores de 12 anos. E tudo isso muito bem inserido em um belo discurso e com direito a campanhas publicitárias (Coming Together e Together for Good) que até nos fazem chorar. Tudo muito lindo.

Diante desse fato, não posso deixar de citar um famoso provérbio popular: quem não te conhece, que te compre! Vivemos num sistema capitalista, e uma companhia multimilionária com certeza não dará um ponto sem nó. A pergunta é: o que está por trás disso? E podemos ir mais longe e perguntar: como uma produtora de bebidas com altos teores de açúcar pode incentivar campanhas por uma vida mais saudável?

A triste realidade é que a obesidade e as doenças decorrentes dos maus hábitos são as principais causas de morte no mundo e já são consideradas epidemias globais. Em uma de suas campanhas, a Coca-cola afirma que “se você ingerir mais calorias do que gasta, você irá engordar, e não importa de onde essas calorias procedem”. Afinal, “calorias são calorias”. E a partir disso, a empresa quer criar alertas mundiais sobre a importância de estilos de vida ativos e saudáveis. “Todos sabemos que ingerir calorias é mais divertido do que gastá-las, mas queremos que queimar calorias também tenha um pouco de diversão”, explica o presidente da multinacional. É claro que se você ingerir mais calorias do que gasta, irá engordar, mas não é correto achar que “calorias são calorias, não importam de onde procedem”, isso é um grande equívoco!

Quando generalizamos as fontes de calorias, desconsideramos todas as particularidades dos nutrientes e do metabolismo. A verdade é que há sim diferenças entre as calorias provenientes de, por exemplo, açúcar refinado, das calorias provenientes de uma fruta, como a maçã. A quantidade energética fornecida pelo açúcar refinado, cuja lata de coca-cola contém, em média, 10 colheres de chá de açúcar por unidade, é absorvido pelo organismo de uma forma completamente diferente da quantidade energética contida na maçã.

Primeiro, porque o açúcar refinado é absorvido mais rápido devido a sua composição. E por elevar rapidamente a glicemia (quantidade de açúcar no sangue), pode sobrecarregar o pâncreas, órgão responsável pela liberação de insulina, principal hormônio envolvido no  metabolismo da glicose. E para piorar, não contém nenhum nutriente, como vitaminas, mineirais ou fibras, sendo considerado como fonte de calorias “vazias”.

Em contrapartida, as calorias contidas em uma maçã, são absorvidas pelo organismo de uma forma mais lenta, devido a quantidade de fibras presentes. As fibras fazem com que a insulina não seja liberada de uma  vez. Além disso, a maçã apresenta em sua composição vitaminas e minerais que atuam beneficamente em diversos processos no organismo, principalmente no metabolismo. E isso desmistifica a afirmação que “calorias são calorias, não importam de onde venham”.

O que aconteceria se um indivíduo se alimentasse exclusivamente de um único alimento, e esse alimento fosse o açúcar refinado? 

Isso teria o seguinte impacto em seu organismo: primeiro, iria elevar drasticamente a glicemia e, consequentemente, o pâncreas precisaria secretar uma quantidade alta de insulina para retirar o excesso de açúcar na circulação. Ao longo do tempo, esse mecanismo causa resistência insulínica, podendo desencadear  o desenvolvimento de obesidade, diabetes, hipertensão e outras doenças crônicas não transmissíveis.

Uma vida saudável não depende apenas da quantidade de calorias consumidas. Mas da quantidade de nutrientes adquiridos por meio de uma dieta variada, a fim de garantir um alto valor nutricional. Consumir mais frutas, hortaliças e alimentos integrais – que promovem um impacto bem menor na glicemia e na liberação de insulina – é essencial para a manutenção da saúde e para prevenção dessas doenças. 

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Diante da realidade que estamos enfrentando em relação a epidemia global de obesidade infantil, a regulamentação da publicidade dirigida às crianças é um assunto de extrema urgência. Proibir o marketing de alimentos ricos em açúcar, sódio e gordura é apenas uma das ações de combate e prevenção. Ao lado disso, é preciso incentivar a prática de exercícios físicos, todavia, sem que haja uma mudança efetiva de hábitos alimentares, não poderemos pensar em algo duradouro e que realmente surtirá efeitos benéficos. É preciso promover campanhas que incentivem a alimentação saudável: MAIOR consumo de frutas, hortaliças e alimentos integrais, e MENOR consumo de alimentos ricos em açúcar, sódio e gordura, como a coca-cola.

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