A Copa de todos?

Por Rafael Arantes

Baiana acarajé

Recentemente, uma polêmica se iniciou no Estado da Bahia a partir de uma resolução da FIFA (Federação Internacional de Futebol) que proíbe qualquer comércio por ambulantes em um raio de 2Km dos estádios da Copa do Mundo e das Confederações. Tal restrição se deve ao acordo de exclusividade com os patrocinadores oficias do evento, dentre as quais, empresas alimentícias como a rede Mc Donald’s® e a Coca-cola®, que ironicamente possui como slogan de sua campanha publicitária: “Vamos fazer a Copa de todo mundo”. Confira o vídeo da campanha:

A Associação das Baianas de Acarajé e Vendedoras de Mingau (ABAM), entidade que conta com cerca de três mil filiadas e que desde 1992 representa os interesses da classe, revindica o direito de comercializar o acarajé, alimento baiano tradicionalmente brasileiro tombado como patrimônio cultural imaterial pelo IPHAN, Para tanto, as Baianas criaram desde novembro de 2012 um abaixo assinado virtual que atualmente conta com mais de 17 mil assinaturas, com uma carta destinada ao Presidente da FIFA, ao Ministro do Esporte e outros órgãos e pessoas competentes. Outra medida foi a protocolação de um processo no Ministério Público sob a alegação de “desrespeito à comercialização de um bem imaterial tombado pelo IPHAN desde 2004”.

A campanha “Queremos Baianas e Acarajé na Copa de 2014” conta, entre as mais de 17 mil assinaturas, com o apoio de Márcio Caires (Griô), presidente do Conselho Estadual de Cultura, e Jaques Wagner, atual Governador da Bahia, entre outras personalidades do mundo do esporte, da cultura e de intelectuais. O Centro Cultural Cartola fez uma samba em homenagem e apoio às Baianas. Confira:

A partir da mobilização, a FIFA sinalizou a possibilidade de permitir a venda do produto desde que passe por processo de licitação (lançado em inglês). A presidente da ABAM, Rita Santos, comentou sobre esta sinalização que não contempla o interesse da associação, pois é grande a possibilidade de que nesse processo de licitação alguma empresa saia vitoriosa e os acarajés acabem vindo de fora da Bahia. Assim, o acarajé estará presente como comida típica mas poderá ser feito, por exemplo, por uma empresa internacional em versão de micro-ondas.

O estádio Fonte Nova já ficou pronto e até hoje a situação das baianas continua indefinida, o que é extremamente ruim, afinal de contas, a Copa das Confederações começará em menos de 3 meses.

Essa restrição imposta pela FIFA, por pressão de seus patrocinadores, é extremamente negativa do ponto de vista da Segurança Alimentar e Nutricional, pois ao excluir as Baianas e o Acarajé deste evento internacional tão importante para o nosso país, desconsidera aspectos da Soberania e da Cultura alimentar do nosso povo. Se estamos fazendo “a Copa de todo mundo”, sem as Baianas e o Acarajé, quem será esse “todo mundo” afinal?

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