Alimentos Industrializados: um perigo latente na infância

Obesidade infantil-2

No primeiro ano de vida da criança, a escolha dos alimentos a serem consumidos depende exclusivamente da pessoa que a alimenta – seja a mãe, o pai, os avós, etc. Esse é um processo importante de interação emocional, que é influenciado por fatores culturais, socioeconômicos e até mesmo pela mídia. Na verdade, a oferta de alimentos industrializados e não-saudáveis é bastante influenciada pela publicidade.

A publicidade influencia não somente as crianças, mas também as mães – muitas delas depositam confiança nos produtos apresentados nas propagandas de TV, oferecendo a seus filhos diversos alimentos processados (como sopas, derivados lácteos, macarrão instantâneo, sobremesas industrializadas e guloseimas) antes mesmo de atingirem uma idade adequada para consumi-los.

Em estudo realizado com 400 crianças menores de 1 ano, em 2001, foi analisado o consumo de alimentos industrializados considerados supérfluos, contendo teores excessivos de gorduras, açúcares ou substâncias indesejáveis para consumo nesta faixa etária, como conservantes e corantes químicos. Os resultados mostraram que 49% das mães ofereciam esse tipo de alimento a seus filhos, sendo os mais consumidos queijo petit-suisse (por 3,1% das crianças abaixo de 4 meses, 43,6% das crianças entre 4 e 6 meses e 79,8% das crianças acima dos 6 meses), iogurte (por 1,9% das crianças abaixo de 4 meses, 29,1% das crianças entre 4 e 6 meses e  70,2% das crianças acima dos 6 meses) e macarrão instantâneo (por 0,6% das crianças abaixo de 4 meses, 23% das crianças entre 4 e 6 meses e  63,7% das crianças acima dos 6 meses).

Um estudo mais recente, publicado em 2011, encontrou achados similares: os pesquisadores verificaram a introdução precoce de alimentos supérfluos em um grupo de 300 crianças menores de 1 ano. Foi encontrado que 80,2% das mães e/ou responsáveis ofereciam alimentos considerados supérfluos às crianças; entre os alimentos mais consumidos estavam queijo petit-suisse (por 34,2% das crianças entre 4 e 6 meses e 96,8% das crianças entre 6 e 12 meses), pirulito (por 26% das crianças entre 4 e 6 meses e 78,8% das crianças entre 6 e 12 meses), macarrão instantâneo (por 17% das crianças entre 4 e 6 meses e 48,6% das crianças entre 6 e 12 meses) e refrigerante (por 15,3% das crianças entre 4 e 6 meses e 65,6% das crianças entre 6 e 12 meses).

Ao observar os resultados desses artigos, é possível perceber como muitas mães são incentivadas a oferecer alimentos industrializados desde muito cedo: seja pelo retorno ao trabalho, com o fim da licença maternidade por volta dos 4 meses, o que incentiva o desmame precoce e a introdução de alimentos sólidos; pela facilidade e praticidade no preparo dos alimentos industrializados; mas especialmente devido à influência da publicidade de alimentos. E isso, consequentemente, provoca uma duração inadequada do aleitamento materno – apesar de a recomendação da OMS ser o aleitamento materno exclusivo até os 6 meses.

Apesar de serem consumidos, nenhum dos “alimentos supérfluos” citados devem ser oferecidos nessa faixa etária, visto que podem interferir na absorção de nutrientes do leite materno, além de desencadear reações alérgicas tendo em vista que as crianças ainda não tem o intestino preparado fisiologicamente para receber esse tipo de alimento.

É importante destacar que as primeiras experiências da criança são fundamentais para a formação de hábitos saudáveis, já que é nessa fase que a criança aprende sobre o mundo a sua volta, sobre os gostos e sabores dos alimentos, relacionando tudo isso ao contexto social, ao convívio com a família e formando, assim, as suas preferências. E a introdução precoce de alimentos industrializados, que geralmente são ricos em açúcar, gorduras e sódio, irá contribuir para o desenvolvimento de hábitos alimentares não saudáveis, cuja tendência é de se estenderem até a vida adulta.

Consequentemente, favorecerá o surgimento de doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs), como obesidade, diabetes e hipertensão, desde a infância. Isso mesmo, DESDE A INFÂNCIA! Não é por acaso que, no Brasil, os índices de obesidade infantil triplicaram nos últimos 20 anos. Sem contar que, atualmente, esses tipos de doenças são a maior causa de morte no mundo todo. É um problema grave que precisa ser combatido o quanto antes. Ou seja, prorrogar ao máximo a introdução dos alimentos processados irá colaborar para a formação de hábitos saudáveis além de funcionar como estratégia de prevenção de DCNTs.

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