Lucro x Saúde

Em artigo publicado este ano na revista The Lancet, com participação do pesquisador em nutrição e saúde pública Carlos Monteiro, da USP, são abordados vários aspectos sobre o conflito de interesses entre a indústria – com sua busca desenfreada por lucro – e a saúde pública – com suas políticas de promoção à saúde e prevenção de doenças.

O artigo introduz a discussão sobre o tema, falando acerca dos desdobramentos ocorridos a partir da reunião de alto nível da ONU, que ocorreu em 2011, sobre Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT – como obesidade, diabetes e hipertensão), que convocou ações multissetoriais, incluindo o setor privado e a indústria, com o intuito de prevenir o aumento de DCNT nos países de baixa e média renda.

Entretanto, as corporações transnacionais são as principais responsáveis pela epidemia global de DCNT, através da venda e promoção de tabaco, álcool e alimentos e bebidas ultra processados, lucrando bastante com o aumento do consumo desses produtos não saudáveis nos países de baixa e média renda – uma vez que o mercado dos países desenvolvidos já encontra-se bastante saturado. Então, qual seria o papel que essas indústrias deveriam ter no controle e na prevenção das DCNT? A interação com essas indústrias pode realmente promover a saúde e proteger o público do conflito de interesses?

Para ilustrar e refletir sobre o tema:

Ministro Padilha e McDonalds

Ministro Alexandre Padilha se reúne com Marcelo Rabach, Presidente da McDonald’s na América Latina, um dos parceiros da saúde. Fonte: Vi o Mundo.

O artigo cita que, para escapar das críticas, as corporações promovem ações fora da sua área de atuação. Corporações de alimentos ultra processados, como as junk foods, enfatizam o problema da inatividade física. Na foto, o presidente do McDonald’s mostra cartaz da rede de alimentos “incentivando” a atividade física, com o “aval” do Ministro da Saúde.

Apesar de atualmente existir consenso de que o conflito de interesse entre a indústria do tabaco e a saúde pública seja irreconciliável, ainda é debatido se o conflito de interesse da indústria de álcool, alimentos e bebidas são igualmente irreconciliáveis. Contudo, vale ressaltar que as indústrias de álcool e de alimentos e bebidas ultra processados usam estratégias similares à indústria de tabaco para enfraquecer a efetividade de políticas e programas de saúde pública. Entre essas estratégias estão, por exemplo:

  • Enviesar os resultados de pesquisas – como a indústria do tabaco fazia ao contratar médicos que mostrassem pesquisas negando a ligação entre fumo e malefícios à saúde;
  • Pressionar políticos e oficiais públicos a expressar oposição quanto à regulação – através do lobby;
  • Incentivar os eleitores a se opor à regulação dos produtos – como as campanhas de responsabilização do indivíduo sobre o consumo do produto, não cabendo ao Estado intervir sobre a publicidade e o marketing.

Assim, os pesquisadores defendem que a indústria não deveria ter nenhum papel na formação das políticas nacionais e internacionais sobre DCNT.

Outro ponto abordado no artigo foi sobre a confiança na autorregulação da indústria e nas parcerias público-privadas para melhorar a saúde pública: os autores destacam que não existe evidência que demonstre sua eficácia ou segurança e, tendo em vista a atual epidemia das DCNT, a regulação pública e intervenção no mercado são os únicos mecanismos baseados em evidência que podem prevenir os danos causados ​​pelas indústrias de produtos não saudáveis.

Confira o artigo na íntegra aqui. Leitura super recomendada pelo PropagaNUT!

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