Publicidade que alimenta: alimentos na mídia impressa brasileira

A infância é a fase da vida na qual os indivíduos começam a formar os seus hábitos de uma forma geral, incluindo assim, a formação da maioria dos hábitos alimentares. A indústria de alimentos vem utilizando peças publicitárias voltadas para a criança, um público vulnerável a influências sociais e ambientais, que ainda não tem o poder cognitivo tão bem desenvolvido para fazer uma escolha consciente.

Relacionado a esse tema, o PropagaNUT realizou uma pesquisa em 2012 com o objetivo de analisar propagandas de alimentos veiculadas por revistas semanais e mensais destinadas ao público adulto, adolescente e infantil, que tivessem as crianças como público alvo da publicidade.

O resultado dessa análise mostrou que cerca de 9% do total de propagandas encontradas nas revistas eram sobre alimentos. A publicidade de sucos artificiais e refrigerantes foi a mais representativa (21,8%), em detrimento da propaganda de alimentos in natura, como frutas e vegetais, que corresponderam a apenas 0,2% das peças publicitárias. Além disso, o público infantil foi alvo de 15% das propagandas e mais da metade (63%) utilizou personagens como forma de atração – recorrendo, normalmente, a mascotes ou personagens animados.

Foi observado também que o apelo comportamental e o reforço da marca estavam muito presentes entre as estratégias que as propagandas utilizavam para atingir o público. Essa associação entre o consumo de determinados alimentos e o status social proporcionado pelo mesmo – através do apelo comportamental e até mesmo afetivo – é algo bastante frequente na publicidade. Basta lembrar as tradicionais propagandas de margarina transmitindo a imagem da família feliz e perfeita, além das diversas propagandas que utilizam personagens ou mundos encantados e fantasiosos buscando a identificação do público (principalmente o infantil). Alguns exemplos dessas propagandas:

                          mundo feliz mcdonalds                                    FAMILIA_MARGARINA_VINTAGE

Analisando essa situação, é possível perceber que a indústria de alimentos se beneficia da falta de leis e de regras claras de proteção ao público infantil, para bombardear as crianças com suas propagandas de alimentos não saudáveis ricos em sódio, açúcar e gordura, utilizando recursos, na maioria das vezes, abusivos que despertam desejos desnecessários e inalcançáveis.

Para agravar o quadro, as crianças são foco constante da indústria e de sua publicidade, baseadas em um dado muito conveniente: as crianças são um público de fácil alcance, por meio do qual é possível atingir indiretamente seus pais e suas famílias – sem contar que os hábitos formados nesta fase serão perpetuados, tornando a criança um futuro adulto consumidor cativo dos produtos, leal às marcas.

O interesse da indústria em continuar a insistir na publicidade voltada para o público infantil é evidente. Apesar de existirem esforços de alguns movimentos da sociedade para barrar essa publicidade, a falta de leis para regulamentar a prática publicitária, dificulta essas ações e beneficia as empresas.  Porém, os prejuízos causados às crianças, como o aumento da obesidade e das diversas doenças crônicas não transmissíveis, fora os danos no desenvolvimento psicológico, tornam necessárias medidas para impor limites à publicidade de alimentos.

Acesse a pesquisa completa aqui!

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